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Rankings 2025. Privados no Norte continuam a dominar ranking do ensino secundário e desempenho na equidade volta a cair

Ranking das escolas secundárias traz poucas surpresas: pódio dos exames quase inalterado e continuam as más notícias no ranking da equidade. Em 4% das escolas, a média dos exames foi negativa.

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Todos os gráficos são interativos. Passe o cursor sobre as tabelas para ver mais informação. Consulte aqui os Rankings das Escolas 2025

O Grande Colégio Universal, escola privada situada no Porto, ocupa pelo segundo ano consecutivo a primeira posição no ranking das escolas secundárias portuguesas. No ranking de 2024, este colégio portuense tinha destronado o Colégio Efanor, fundado por Belmiro de Azevedo, que liderara a tabela por três anos consecutivos. De resto, olhando para o top 50 das escolas secundárias portuguesas considerando as notas dos exames nacionais, mantêm-se algumas tendências: as escolas privadas continuam a liderar (entre as primeiras 50, em 2025 só há três públicas, nenhuma delas estava no top 50 em 2024 e é preciso descer mais para encontrar a primeira) e o Norte continua a destacar-se (é ali que se situam sete das primeiras dez escolas).

Olhando concretamente para as notas, o Grande Colégio Universal registou uma média de 16,81 valores (numa escala de 0 a 20) nos exames nacionais feitos pelos seus alunos, ligeiramente abaixo dos 16,84 valores de 2024 — uma descida que não lhe retirou, ainda assim, o primeiro lugar. O pódio permanece quase igual a 2024: em segundo lugar está o Colégio Nossa Senhora do Rosário, igualmente situado no Porto, cujos estudantes tiveram 16,56 valores de média nos exames nacionais, enquanto o Colégio Efanor, em Matosinhos, e o Colégio Horizonte, em Vila Nova de Gaia, ocupam ex aequo o terceiro lugar, com uma média de 16,38 valores.

Os dados oficiais que servem de base aos rankings de 2025 foram avançados pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação e o Observador, em parceria com a Nova SBE, agregou e trabalhou os números, ordenando as escolas. À semelhança do ano anterior, este ranking inclui apenas as escolas que realizaram pelo menos 20 exames nacionais. E, para efeitos de cálculo, considera apenas as 10 disciplinas com maior número de inscrições para exame (Biologia e Geologia, Economia A, Filosofia, Física e Química A, Geometria Descritiva A, Geografia A, História A, Matemática A, Matemática Aplicada às Ciências Sociais e Português).

Pódio dos exames mantém-se quase inalterado e Norte continua a dominar

Nos 192 exames que realizaram nas dez disciplinas analisadas, os alunos do Grande Colégio Universal obtiveram uma média de 16,81 valores, um número muito em linha com a média interna dos mesmos alunos nessas disciplinas: os alunos aprovados apresentaram-se a exame nacional com uma nota média de 16,83 valores. Tal como no último ranking, a proximidade entre estes dois valores indicia uma estabilidade no desempenho dos alunos ao longo do ano letivo, confirmada depois com as provas que marcam a conclusão do Ensino Secundário. Os alunos do Grande Colégio Universal destacaram-se particularmente nos exames de Biologia e Geologia, em que obtiveram uma média de 17,9 valores, face a 16,52 de média interna. No exame de Português, os alunos desta escola obtiveram em média 16,67 valores, enquanto em Matemática A a média foi de 16,65 valores.

Em 2025, o exame de Português passou a ser obrigatório para todos os alunos na sequência das novas regras de conclusão do Secundário, o que aumentou bastante as provas consideradas no ranking: passaram de 21,7 mil para 57,7 mil, e representam 31% de todos os exames considerados nesta análise.

O Colégio Nossa Senhora do Rosário, também no Porto, figura em segundo lugar neste ranking, com uma média de 16,56 valores obtida pelos seus estudantes nos exames nacionais — uma décima acima dos 16,46 valores obtidos por esta escola em 2024. Aqui, porém, a discrepância entre a nota dos exames e a nota interna é mais significativa: durante o ano letivo, os alunos do Colégio Nossa Senhora do Rosário obtiveram uma média de 17,47 valores. Também neste colégio, a disciplina de Biologia e Geologia se destacou, com os alunos a alcançarem uma média de 17,2 valores neste exame, contra uma nota interna de 17,74.

Percorrendo a lista das escolas com melhores resultados nos exames nacionais de 2025, encontramos um terceiro lugar ocupado por duas escolas privadas a Norte: o Colégio Efanor (Matosinhos) e o Colégio Horizonte (Vila Nova de Gaia), ambas com uma média de 16,38 obtida pelos seus alunos nos exames. No primeiro caso, os alunos do Efanor obtiveram notas em exame em linha com as suas notas internas (16,44 de média), enquanto no segundo caso há uma discrepância maior (os alunos do Horizonte obtiveram uma média de 17,8 no percurso escolar, mais de um valor acima dos exames).

O domínio do Norte é quebrado à quinta posição, ocupada pela Academia de Música de Santa Cecília, outra escola privada habituada aos tops. Com uma média de 16,34 nos exames, esta escola privada situada em Lisboa manteve também o seu lugar do último ranking, embora tenha subido cerca de uma décima em relação aos 16,2 de média que teve em 2024. A lista regressa a Norte com o Colégio Nova Encosta (Paços de Ferreira), onde a nota média nos exames foi de 16,06 valores e onde se registou a melhor média a Português (17,96). O top 10 fica ainda completo com o Colégio de S. Tomás (Lisboa), o Colégio Novo da Maia, o Colégio Internacional de Vilamoura (Loulé) e ainda o Colégio D. Diogo de Sousa (Braga).

Alargando a análise ao top 50 para traçar um retrato geográfico desta realidade, é possível encontrar 22 escolas na região da Grande Lisboa, menos do que as 23 situadas no Norte. Há ainda quatro escolas situadas no Centro e uma no Algarve.

O diretor executivo da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (AEEP), Rodrigo Queiroz e Melo, nota que o domínio do Norte nas primeiras posições do ranking é um “fenómeno que tem vindo a verificar-se e a aprofundar ao longo dos anos”. Para Queiroz e Melo, “a competição cria resultados melhores para todos” e, acrescenta, “a competição nos alunos no final do secundário para acesso ao ensino superior, no Norte, é muito maior do que no resto do país”. “No fundo, isto é uma avaliação externa e que só demonstra por que é que as notas internas também são melhores no Norte, porque há uma competição maior pelo acesso ao ensino superior que faz com que as pessoas tenham que trabalhar mais”, acrescenta o responsável.

Tendência de queda das escolas públicas no ranking mantém-se

Se tivermos em conta exclusivamente o ensino público, o cenário é bem diferente. No top 50 das melhores médias nos exames, encontramos apenas três escolas públicas. A situação das escolas públicas neste ranking piorou em relação a 2024. Por um lado, em 2024 surgiam quatro escolas públicas no top 50. Por outro lado, nesse mesmo ano a primeira escola pública a figurar no ranking surgia em 37.º lugar, enquanto este ano é necessário descer até à linha 44 da tabela para encontrar uma instituição de ensino público. Já em 2024 esta tinha sido a tendência: menos escolas públicas no top 50 e mais abaixo na tabela.

Contudo, na escola pública que aparece na frente da tabela criada pela NOVA SBE — a Escola Básica e Secundária de Vale do Tamel, situada na freguesia de Lijó, concelho de Barcelos — só se realizaram 28 exames de Física e Química A e de Biologia e Geologia. Em 2025, os alunos internos de 12.º ano desistiram de fazer exame de Português, que era obrigatório para concluir o secundário; contudo, houve estudantes a fazer exames de 11.º ano, explica ao Observador o diretor Alípio Barbosa. Só houve dois exames de Português, mas de pessoas que se autopropuseram. Em 2026, a situação na escola já se inverteu e os estudantes de 12.º ano fizeram exames e, em 2026/27, a escola conta com quatro turmas de secundário (uma de 10.º e 12.º anos e duas de 11.º) e não consegue comportar mais. “Temos monoblocos no perímetro da escola há 12 anos”, lamenta Alípio Barbosa. Em 2024, esta escola encontrava-se em 242.º lugar, não integrando o lote das melhores públicas. Em 2025, alcançou uma média de 14,15 valores, com apenas 28 provas.

Desta forma, a escola pública que melhor se coloca no ranking é a Escola Secundária Alves Martins, em Viseu, na posição 47, com uma média nos exames de 14,09 e uma média interna de 15,38. Aqui foram realizados mais de 1.400 exames e, mais uma vez, destacou-se o exame de Biologia e Geologia, com uma média de 15,66 valores. Já no lugar 49, que ocupa ex aequo com o Colégio do Minho (escola privada em Viana do Castelo), encontra-se a Escola Básica e Secundária D. Filipa de Lencastre, em Lisboa. Nessa escola a média dos exames foi de 13,88 valores, ao passo que a média interna foi de 15,27. Contudo, este ano a diferença entre a nota interna e a nota média diminuiu: passou de 1,55 para 1,39 valores.

Tanto a escola Alves Martins como a D. Filipa de Lencastre se encontravam, no ranking de 2024, entre as melhores dez escolas públicas — mas não figuravam no top 50 das melhores escolas. Em contrapartida, as quatro escolas públicas que, em 2024, integravam o top 50 global caíram entretanto para fora desse lote, embora duas delas (Nelas e Santo Tirso) se tenham mantido no top 10 das públicas.

Feitas as contas, das 50 melhores escolas do país tendo em conta os exames nacionais, apenas 6% são públicas. Se procurarmos fazer um top 10 das melhores públicas incluídas no ranking, teremos ainda de incluir a Escola Secundária Eça de Queirós (Póvoa de Varzim), a Escola Básica e Secundária de Anadia, a Escola Básica e Secundária Eng. Dionísio Augusto Cunha (Nelas), a Escola Secundária Tomaz Pelayo (Santo Tirso), a Escola Secundária Garcia de Orta (Porto), a Escola Secundária de Vouzela e ainda a Escola Secundária Infanta D. Maria (Coimbra). Todas estas escolas ficaram entre o lugar 44 e o lugar 67 da tabela, cuja primeira metade é indiscutivelmente dominada por escolas privadas — até porque, se alargarmos a análise para o top 100, concluímos que apenas 35 são públicas, ou seja, cerca de um terço.

Ao Observador, Rodrigo Queiroz e Melo destaca que a comparação entre escolas públicas e privadas nem sempre faz sentido, “atendendo aos diferentes públicos que educam”. Mesmo no universo das escolas privadas, é possível encontrar de tudo, desde escolas com contratos de associação que fazem as vezes do ensino público até colégios privados de elite nos grandes centros urbanos. “A população escolar de cada estabelecimento de ensino cria expectativas diferentes e resultados diferentes quando medidos em exames”, salientou Queiroz e Melo, vincando que escolas públicas e privadas devem ser olhadas de forma diferente.

No caso dos privados, os próprios pais, que estão “a pagar o serviço educativo”, têm “expectativas quanto aos resultados”. Quando os colégios não se focam na obtenção de resultados, correm o risco de desaparecer por não serem escolhidos pelos pais.

Já Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), diz taxativamente ao Observador que “comparar escolas é uma treta”, já que essa comparação se baseia frequentemente em “dados imprecisos e algo arcaicos”. Em lugar de valores absolutos das médias dos exames, Filinto Lima sugere que as escolas sejam comparadas com recurso a “critérios reais e imparciais para o efeito”, incluindo a “qualidade dos alunos”, medida pelo “empenho, assuididade e pontualidade”, mas também o “efeito da escola” sobre os alunos, o “número de aulas perdidas por falta de docentes”, a “estabilidade do corpo docente”, a “motivação dos alunos e das famílias”, o “impacto das explicações e outros apoios fora da escola” e ainda o “resultado da avaliação externa das escolas”.

Em 4% das escolas a nota média dos exames foi negativa

Também no que toca ao fim da tabela, a tendência do ranking anterior a este parece manter-se. A Escola Secundária da Baixa da Banheira, no concelho da Moita (distrito de Setúbal), volta a ser a última do ranking, e duas outras escolas repetem a presença na lista das dez últimas. Com uma média nos exames nacionais de apenas 7,64 valores, esta escola da Margem Sul, onde mais de metade dos alunos é apoiada pela Ação Social Escolar (ASE), ficou na 618.ª posição do ranking feito pela Nova SBE para o Observador.

Tal como sucedeu no ano anterior, também no ano letivo de 2025 se verificou uma forte discrepância entre os resultados dos exames e as notas internas dos alunos desta escola da Moita: se a média dos exames se ficou pelos 7,64 valores, a nota interna foi de 12,21 valores, uma diferença de mais de 4,5 valores mas que, ainda assim, foi inferior à diferença registada em 2024 (6,35). Naquela escola, a média do exame de Português foi de 10,34, mas a de Matemática ficou-se pelos 3,7.

A Escola Básica e Secundária Professor António da Natividade, no concelho de Mesão Frio (Vila Real), ficou ligeiramente acima, no penúltimo lugar. Naquela escola transmontana, os alunos tiveram uma média de 7,78 valores nos exames nacionais — apesar da média interna de 14,57 valores. Nesta escola, a média foi negativa em quase todas as disciplinas: só o Português, com 9,94 valores, supera a barreira dos 9,5 (que, com arredondamento, chega a positiva), enquanto o exame de Física e Química A teve uma média de 5,3 valores. Nesta escola, 35% dos alunos são apoiados pela Ação Social Escolar (ASE).

No antepenúltimo lugar, o Centro de Educação e Desenvolvimento Nossa Senhora da Conceição, uma das escolas da Casa Pia de Lisboa, ficou-se por uma média de 8,23 valores nos exames nacionais, face a uma média de 13,75 valores na nota interna. Aqui, o exame de Português até teve uma média considerável — 14,15 valores —, mas os casos da Matemática (2,26) e da Biologia e Geologia (7,03) acabaram por fazer baixar o resultado final. Esta é também a escola de natureza privada a ocupar o lugar mais baixo da tabela.

Efetivamente, olhando para os últimos dez classificados no ranking que é feito com base nas notas dos exames, encontramos oito escolas públicas e apenas duas privadas: além desta escola da Casa Pia de Lisboa, também o Colégio Dona Filipa, situado na Amadora, fica na base da tabela. Com uma média de 8,35 valores (novamente, bastante abaixo dos 14,08 valores de média interna), esta escola da Grande Lisboa ficou em 614.º lugar, o quinto a contar do fim.

Fazendo as contas, nas últimas 100 escolas do ranking encontram-se apenas sete escolas privadas — mais duas que em 2024, quando estavam apenas cinco privadas nesta lista da última centena. Geograficamente, se olharmos para as últimas escolas na lista, nota-se um domínio claro da região da Grande Lisboa, com várias escolas do concelho de Lisboa e dos municípios limítrofes a surgir nestas posições.

Em 4% das escolas analisadas, a média dos exames foi negativa: foram 25 os estabelecimentos de ensino cujos estudantes obtiveram, em média, uma nota inferior a 9,5 nos exames nacionais. É neste valor que se situa o limiar da positiva num sistema de classificação de zero a vinte valores, uma vez que uma nota de 9,5 é arredondada para dez valores. Com uma média de 9,49 valores, duas escolas da Área Metropolitana de Lisboa marcaram esta barreira: a Escola Básica e Secundária Rainha D. Leonor de Lencastre (Sintra) e a Escola Básica e Secundária Passos Manuel (Lisboa), que ocuparam ex aequo o lugar 594 da tabela. Trata-se de uma evolução positiva em relação ao ranking do ano anterior — em que 31 escolas, cerca de 5% do total, tinham tido uma média abaixo do limiar positivo.

Escolas públicas do Norte dominam ranking que mede o sucesso da escola como elevador social

Desde o ano letivo de 2020/2021 que o Ministério da Educação tem disponibilizado dados relativamente a um outro indicador: a equidade. Há muito criticados por não refletirem a realidade completa, os rankings clássicos limitam-se a ordenar as escolas pela média obtida pelos seus alunos nos exames nacionais, ignorando amplamente fatores decisivos, a começar pelas enormes desigualdades socioeconómicas registadas entre diferentes escolas (incluindo entre privadas e públicas). O objetivo do ranking da equidade não é perceber onde há médias mais elevadas em absoluto: é compreender onde é que a escola está a funcionar melhor — e pior — como elevador social, uma das funções primordiais do ensino público.

Para isso, este ranking baseia-se num indicador batizado como “percursos diretos de sucesso”. Um aluno que cumpre o ensino secundário nos três anos e que, no final, obtém notas positivas nos exames finais é um “percurso direto de sucesso”, na definição do Ministério da Educação. Mas este ranking procura perceber, também, de que maneira é que os alunos mais carenciados — por norma, aqueles que têm menos condições de sucesso à partida, devido à escolaridade dos pais ou à indisponibilidade para pagar explicações, por exemplo — conseguem ser estimulados pelas diferentes escolas a chegar ao fim do secundário com o tal “percurso direto de sucesso”.

Como é que isso se faz? Explica a NOVA SBE que é através da diferença entre a percentagem de alunos de uma dada escola que recebem apoio da Ação Social Escolar (ASE) e concluem o secundário com sucesso em três anos e a percentagem média nacional de conclusões do secundário em sucesso, calculada, para cada escola, a partir dos alunos de todo o país que, três anos antes, tinham um perfil semelhante aos daquela escola (em termos de apoios sociais, idade, habilitação da mãe, entre outros). Na prática, este ranking pretende comparar o sucesso dos alunos carenciados em cada escola com o sucesso dos alunos carenciados a nível nacional, devolvendo uma ordenação das escolas que premeia aquelas que estão a ser mais eficazes a conduzir os alunos mais carenciados ao sucesso escolar.

Em primeiro lugar neste ranking surge a Escola Secundária Dr. Júlio Martins, no concelho de Chaves. Com uma média de 11,76 nos exames nacionais, esta escola surgia na posição 323 no ranking tradicional. Trata-se de uma escola em que 25% dos alunos recebem apoios sociais e em que 96% destes alunos apoiados concluíram o secundário em três anos. É a escola que recebeu uma pontuação mais elevada no critério da equidade, já que é aquela que tem uma maior diferença positiva em relação à média dos alunos com um perfil comparável a nível nacional (26,79 pontos percentuais). Em 2024, esta escola encontrava-se em 54.º lugar no ranking da equidade.

Segue-se, neste ranking, a Escola Secundária D. Afonso Sanches, em Vila do Conde (376.º lugar no ranking tradicional), com uma média de 11,51 nos exames nacionais, 22% de alunos apoiados pela ASE, 100% de conclusão dos estudos com sucesso entre estes alunos e uma vantagem de 25,84 pontos percentuais em relação à média nacional. Em terceiro lugar, situa-se a Escola Básica e Secundária Dr. Manuel Laranjeira, em Espinho (176.º lugar no ranking tradicional), com uma média de 12,4 valores nos exames nacionais, 18% de alunos apoiados pela ASE, 97% dos quais concluíram o secundário em três anos, 25,18 pontos percentuais acima do que seria esperado na média dos alunos com um perfil semelhante.

Alguns aspetos saltam à vista quando olhamos para o top 10 do ranking da equidade. Em primeiro lugar, o forte domínio do Norte do país, com sete escolas em dez. Em segundo lugar, a presença de três escolas do concelho de Chaves neste top 10: além da já mencionada Escola Secundária Dr. Júlio Martins, em primeiro lugar, estão também presentes a Escola Secundária Dr. António Granjo (5.º lugar) e a Escola Básica e Secundária Fernão de Magalhães (10.º lugar). Ao mesmo tempo, ao contrário do que acontece no ranking tradicional, que se limita a medir em valores absolutos a média dos exames nacionais, aqui o predomínio não é das escolas privadas, mas sim das escolas públicas: na verdade, o top 50 só tem três escolas privadas, o Externato João Alberto Faria, em Arruda dos Vinhos (6.º lugar), o Externato Vila Meã, em Amarante (18.º lugar) e ainda o Colégio Miramar, em Mafra (46.º lugar). No entanto, este indicador não está disponível para a maioria dos colégios privados.

Filinto Lima acredita que a generalidade do sistema de ensino pode aprender com a experiência das escolas que estão mais bem colocadas no ranking da equidade. Impõe-se, diz este responsável da ANDAEP ao Observador, “perceber que agrupamentos conseguem melhores resultados com alunos de contextos socioeconómicos semelhantes e identificar as práticas que explicam essas diferenças”. Até porque, defende Filinto Lima, o segredo passa por agir com a maior antecedência possível, idealmente ainda nos 1.º e 2.º ciclos, identificando as dificuldades e investindo em recursos para dar um acompanhamento de proximidade aos alunos com maiores carências logo desde a infância.

Número de escolas com pontuação negativa no ranking da equidade volta a aumentar

Decalcando a tendência do ranking de 2024, se no topo do ranking da equidade — que este ano é composto por 317 estabelecimentos escolares — se destaca o Norte, no fundo da tabela encontramos, sobretudo, a Área Metropolitana de Lisboa. A escola que ocupa a última posição é a Escola Secundária Alves Redol, em Vila Franca de Xira, que ficou em 540.º lugar no ranking tradicional. Com uma média de 10,53 nos exames nacionais, esta escola tem 12% dos seus alunos apoiados pela ASE, dos quais apenas 19% concluíram o ensino secundário com sucesso em três anos — 50,92 pontos percentuais abaixo da média nacional para os alunos com o mesmo perfil.

Em penúltimo lugar está a Escola Secundária Aurélia de Sousa, no Porto (101.º lugar no ranking tradicional), com uma média de 13,04 nos exames nacionais. Nesta escola, 13% dos alunos recebem apoios da ASE e menos de um terço deles (31%) terminaram o secundário com sucesso em três anos. Trata-se de uma percentagem 39,99 pontos percentuais abaixo do esperado. Com um valor semelhante (37,76 pontos abaixo do esperado) surge a Escola Básica e Secundária Frei Gonçalo de Azevedo, em Cascais, que ficou na posição 278 no ranking tradicional. Ali, 10% dos alunos são apoiados pela ASE e 35% concluíram com sucesso o secundário em três anos.

Na lista das últimas dez escolas classificadas neste ranking encontramos nove instituições na Área Metropolitana de Lisboa (uma em Vila Franca de Xira, duas em Cascais, três em Lisboa, uma em Sintra, uma na Amadora e uma em Loures) e apenas uma no Porto.

Olhando para o ranking na globalidade, é possível encontrar um total de 148 escolas que obtiveram pontuação negativa: ou seja, em 148 escolas, a percentagem de alunos carenciados que concluíram o secundário com sucesso em três anos foi inferior à média nacional dos alunos com o mesmo perfil. Trata-se de um agravamento de uma situação que, já no ano anterior, tinha piorado: em 2024, este número foi de 139 escolas; em 2023, de 132; em 2022, de 115; e em 2021, de 122. Só em 2020 a situação foi pior: nesse ano, 195 escolas registaram uma pontuação negativa neste indicador.

Para Filinto Lima, as más classificações no ranking da equidade devem também ser relativizadas. “Não seria de criar um ranking das escolas que melhor preparam os alunos para o Ensino Superior e para a vida?”, questiona. “Não seria de destacar aquelas que mais fazem progredir e evoluir os alunos?”

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