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O ranking tem por base os dados do Ministério da Educação e é trabalhado pelo Observador em parceria com a Nova SBE
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▲O ranking tem por base os dados do Ministério da Educação e é trabalhado pelo Observador em parceria com a Nova SBE

FOTOILUSTRAÇÃO RODRIGO LOPO/OBSERVADOR

▲O ranking tem por base os dados do Ministério da Educação e é trabalhado pelo Observador em parceria com a Nova SBE

FOTOILUSTRAÇÃO RODRIGO LOPO/OBSERVADOR

Rankings. Melhor média a Português caiu 2,4 valores e menos escolas foram elevador social: 8 curiosidades (e 7 gráficos) do Secundário

O padrão mantém-se: menos escolas têm professores nos quadros. E há também menos alunos com ASE e menos públicas no top 100. Média a Matemática A subiu ligeiramente, mas a Português caiu 2,4 valores.

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Todos os gráficos são interativos. Passe o cursor sobre as tabelas para ver mais informação. Consulte aqui os Rankings das Escolas 2024

O ranking de 2024 não traz uma visão muito positiva do estado da Educação no ensino secundário. Há mais escolas com média de exames negativa e mais de 70% dos estabelecimentos de ensino não conseguiram melhorar a sua prestação nas provas nacionais que permitem o acesso ao ensino superior. A escola que mais baixou a sua média é uma pública — mas a que teve uma subida mais acentuada (de 2,4 valores) também o é.

Há mais privadas no top 100 a nível nacional e, apesar de a média mais alta no exame de Matemática A ter subido ligeiramente, a Português o cenário agravou-se: a média mais alta nesta disciplina caiu mais de dois valores. A percentagem de alunos com apoios socioeconómicos do Estado desceu (mas apenas ligeiramente), e menos escolas conseguiram garantir o sucesso escolar destes alunos. No total, o Observador revela oito curiosidades e detalhes sobre o desempenho dos estudantes portugueses em 2024.

Menos 9 escolas garantiram 100% de sucesso escolar dos alunos com ASE

O sucesso escolar mede-se tendo por base a percentagem de alunos com ASE (que diminuiu em 2024) que completou o ciclo de estudo no período de tempo previsto, ou seja, três anos. De acordo com o ranking das escolas de 2024 só três instituições — todas elas públicas e na região Norte — tiveram um sucesso escolar de 100%.

Significa isto, por exemplo, que os 26% de alunos com ASE na escola secundária de Ponte de Barca (em 3.º no ranking da equidade e 475.º no tradicional) conseguiram terminar o secundário em três anos. Na escola básica e secundária Santos Simões, em Guimarães (em 6.º na equidade e 434.º no tradicional), todos os 24% alunos com ASE concluíram a formação em três anos. E a terceira (e última) escola em que a taxa de sucesso foi de 100% foi a secundária de Barcelinhos, em Barcelos (que está em 7.º na equidade e 81.º no ranking tradicional). Nesta escola, 18% dos alunos têm apoio socioeconómico do Estado. Nestas três escolas, as taxas de retenção variam entre 1 e 2%.

Quando comparado com a realidade de 2023, houve uma quebra significativa: nesse ano, em 12 escolas — todas públicas exceto o Externato Cooperativo da Benedita — asseguraram um sucesso escolar de 100% dos aluno com ASE. De um ano para o outro, menos nove escolas conseguiram atingir este objetivo.

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São João da Madeira é o concelho com mais escolas entre o top 100

No top 100 do ranking de exames há escolas de 53 concelhos — mais um do que 2023. Aquele que tem maior representação é — mais uma vez e sem surpresa — o concelho de Lisboa, mas desta vez com menos uma escola. São 14 as escolas da capital que constam do top 100 (menos uma que em 2023), das quais 11 são privadas, ou seja, 78,6%.

Logo atrás surge o Porto. Este concelho da região Norte conseguiu aumentar a sua representatividade no top 100, passando de oito para 10 escolas. Destas, apenas duas são privadas. Em terceiro, também na região Norte, está o concelho de Vila Nova de Gaia, que tem quatro escolas entre as melhores, e apenas uma é do Estado.

No entanto, se fizermos uma análise com base na quantidade de escolas que cada concelho conseguiu colocar entre as 100 melhores, o destaque vai para São João da Madeira: 75% das escolas deste concelho do distrito de Aveiro constam do top 100. Atrás surge Santo Tirso (60%), Porto (47,6%), Lisboa (40%), Braga e Coimbra (ambos com 33,33%), e Vila Nova de Gaia (30,8%). Face aos dados do ano anterior, o concelho da Maia (que levava o ouro neste indicador) deixou de estar representado e Gaia, Santo Tirso e São João da Madeira surgiram na equação.

“O Norte parece ser um ótimo exemplo de como a competição saudável cria sucesso para todos. A competição dos alunos para entrar nas universidades da sua região, como a do Porto e Minho, que cresceram muito nas últimas décadas, fez com que todos no secundário tivessem que ser melhores. A penetração do privado no Norte também é maior que no Sul e as escolas privadas são muito reativas a estes estímulos externos”, salienta Rodrigo Queiroz e Melo, da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (AEEP).

Média mais alta a Português cai 2,4 valores. Privadas têm a melhor prestação

Este ano, privados e públicas já não partilham pódio. Quando falamos de Português e Matemática A, o prémio vai para as privadas — especificamente em Lisboa.

A média do exame de Matemática A aumentou face a 2023, mas apenas ligeiramente. Foi na Academia de Música de Santa Cecília, em Lisboa, (em 5.º lugar no ranking) que se atingiu a média mais elevada, de 18,98 valores. No ano anterior, a média era cerca de meio valor abaixo: 18,40. E tinha sido alcançada por uma escola do Estado, a secundária Gaia Nascente, em Vila Nova de Gaia.

Este ano, o destaque — pela negativa — vai mesmo para o Português. A média mais alta obtida neste exame foi de 16,56 valores, proeza alcançada pelo Colégio de Santa Doroteia, também em Lisboa (e que ocupa o 12.º lugar do ranking tradicional). A queda nas notas, face a 2023, foi significativa: no ano anterior, o Colégio Efanor conseguiu atingir uma média de 18,95 valores neste exame — uma diferença de 2,39 valores.

Mais de 60% das privadas estão no top 100

A grande surpresa no ranking das escolas deste ano é que o colégio que por três consecutivos ocupava o primeiro lugar — o Colégio Efanor — caiu para terceiro lugar. Mas ainda assim, a representatividade das escolas privadas no top 100 melhorou: deste universo, 65 são privadas. O que representa um aumento de oito escolas face ao dados de 2023.

A média de exames da escola que ocupa em 2024 o primeiro lugar da tabela é 0,55 valores acima da média da escola que ocupava a mesma posição em 2023 (o Colégio Efanor).

No entanto, o mesmo não aconteceu com a última escola do top 100. Falamos do colégio Didáxis – Riba do Ave, em Vila Nova de Famalicão. Em 2024, a média de exames desta escola foi de 12,84 valores. Mas em 2023, a última privada do top 100 — a escola INED — Nevogilde — Polo II, no Porto — registou uma média de 13,16 valores nos exames, uma diferença de 0,33 décimas.

No ranking de 2024 estiveram em análise 615 escolas: 515 públicas e 100 privadas. Só nove privadas estão abaixo da posição 400, número que cai para cinco abaixo do lugar 500. Em 2023, o número de escolas privadas sob análise era menor (95), mas ainda assim 60% constavam na lista das 100 melhores — uma diferença de quatro pontos percentuais para este último ranking. Abaixo da posição 400 estavam 13 e da posição 500 cinco.

Há mais 21 escolas com média de exames negativa

No ranking de 2024, 31 escolas registaram uma média negativa nas notas dos exames nacionais, ou seja, 5,03% do total de escolas em consideração. Face a 2023, houve um aumento ainda significativo: nesse ano, apenas 10 escolas (1,66%) tinham registado uma média abaixo de 9,5 nos exames nacionais, uma diferença de 3,37 pontos percentuais. Apesar deste resultado, os valores continuam a ser melhores do que em 2022, em que 37 escolas tiveram uma média negativa.

A escola que em 2024 encerra o ranking — a secundária da Baixa da Banheira, na Moita — registou uma média de 6,79 valores nos exames nacionais (e 13,14 de nota interna), sendo que apenas no exame de uma disciplina (em oito) se registou uma média positiva. É o caso da disciplina de Inglês, em que a média atingida foi de 10,9 valores. Por outro lado, a disciplina de Física e Química A foi aquela onde a média foi mais baixa: 4,5 valores.

Nos dados do ranking anterior, a escola que ficou em último lugar — a básica e secundária Passos Manuel, em Lisboa — registou uma média de 7,69 valores, quase um valor acima.

Entre as 31 escolas que em 2024 tiveram uma média negativa nos exames nacionais, há uma que se destaca por ser privada. Falamos do Externato Flor do Campo, em Odivelas (na 585.ª posição do ranking), que atingiu uma média de 9,48 valores nos exames nacionais. Em 2023, a média desta instituição de ensino era positiva: 10,45 valores. Nesta escola, a taxa de retenção de alunos foi, em 2024, de 36%.

Média baixou em mais de 70% das escolas. Maior aumento foi de 3 valores (em Bragança)

Se no ano passado a maioria das escolas secundárias conseguiu manter a sua média, este ano mais de 70% das escolas tiveram um desempenho pior. De um total de 600 escolas (uma vez que 15 não apresentaram dados), 439 diminuiram a sua média nos exames nacionais (71,4% do total). E a maior queda foi de 3,04 valores, na secundária Abade de Baçal, em Bragança, uma escola pública.

Por outro lado, 159 escolas conseguiram melhorar a sua prestação (e 113 são estatais). Aquela que deu um maior salto na média obtida foi a básica e secundária de Alfândega da Fé, também em Bragança, nomeadamente 2,43 valores. De 2023 para 2024, em 593 escolas a variação das médias obtidas foi inferior a 1,5 valores, das quais 439 tiveram uma variação negativa.

Na tabela deste ano houve ainda duas escolas (ambas públicas) que conseguiram manter a média dos exames de um ano para o outro — havendo uma ligeira oscilação face a 2023, em que havia três escolas nesta situação. São elas a secundária Raul Proença, nas Caldas da Rainha (que registou uma média de 13,76 valores) e a secundária Amato Lusitano, em Castelo Branco (onde se manteve a média de 11,36 valores).

No que toca à média nacional dos exames, o valor registado ficou abaixo da média nacional de 2022. Nesse ano, a média de todas as escolas era de 11,86 valores, aumentando para 12,12 valores (em 2023) e diminuindo (agora em 2024) para 11,70 valores. Ainda assim, a média continua a ser positiva.

Há menos 7 escolas com 90% (ou mais) dos professores nos quadros

No próximo ano letivo espera-se que mais de 5.600 professores passem a integrar os quadros, no âmbito da portaria que o Ministério da Educação publicou há duas semanas e que fixa a abertura de mais de 11 mil vagas (das quase 5.623 serão para quadros de zona pedagógica). “Essas vagas também são para professores que já são efetivos e que querem ficar mais perto de casa”, recorda Filinto Lima. Continuam a faltar professores — e o Ministério da Educação tem apresentado medidas para tentar colmatar estas falhas.

Apesar disso, até agora, ainda não foi possível inverter o padrão que se tem notado nos últimos anos: o número de professores nos quadros têm vindo a diminuir — algo que prejudica a estabilidade do corpo docente das escolas. Segundo o mais recente ranking, apenas nove escolas têm, no mínimo, 90% dos professores nos quadros. A escola em que esta percentagem é mais elevada— 94% — fica no distrito de Viseu. Trata-se da secundária de Tondela, que ocupa o 248.º lugar no ranking, com uma média de 11,9 valores nos exames nacionais.

Mais de 5.600 professores vão passar a integrar os quadros a partir do próximo ano letivo

Filinto Lima alerta que por mês, se somam “centenas de aposentações” e que há cada vez “menos jovens a entrar para as faculdades para suprir estas necessidades”. Crê que o sistema estabilize até 2030, mas apela à valorização da carreira docente e aos apoios de alojamento. “Não se entende como é que um professor do Porto vai dar aulas para Lisboa e Algarve e não há apoio na estadia.”

Em duas escolas, 92% dos professores estão nos quadros: a secundária D. João II, em Setúbal (457.º lugar no ranking) e a secundária D. Dinis, em Coimbra (569.º lugar no ranking). Em outras duas escolas, esta percentagem desce para 91%: a básica e secundária Pedro Álvares Cabral, em Belmonte (508.º lugar) e a básica e secundária Padre António Morais da Fonseca, na Murtosa (429.º lugar). E, em quatro escolas, a percentagem de professores nos quadros é de 90%: a básica e secundária de Montemor-o-Velho (243.ª posição); secundária Padre Benjamim Salgado, em Vila Nova de Famalicão (120.º posição); a básica e secundária de São Martinho do Porto, em Alcobaça (330.º lugar); e a secundária de São Pedro da Cova, em Gondomar (582.º lugar).

Significa isto — uma vez mais — que não podemos estabelecer uma relação direta entre o número de professores nos quadros e os resultados obtidos, neste caso a nota média nos exames. Em 2023, o número de escolas com 90% ou mais de professores nos quadros era de 16 (menos sete escolas). Em 2022, o número mantinha-se nas 16 escolas, mas em 2021 este número era de 41 escolas. E em 2020 era de 45. Ou seja, no intervalo de cerca de quatro anos há menos 36 escolas com mais de 90% dos professores nos quadros.

Porém, Mariana Carvalho, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP), considera é necessário promover a estabilidade da classe docente: “Os concursos têm que ser o mais cedo possível, não é em agosto ou a 1 de setembro que os professores devem saber onde vão ficar colocados porque vai criar instabilidade muito grande.”

Média dos alunos com Ação Social cai ligeiramente de 23 para 21%

Em 2024, 459 escolas portuguesas têm mais de 1% dos alunos com Ação Social Escolar (ASE). Destas, oito têm no mínimo 50% dos estudantes a receber apoios sociais do Estado. Face a 2023, houve uma diminuição: nesse ano, em 19 das escolas havia no mínimo 50% de estudantes com ASE.

Numa comparação por média, a diferença torna-se ainda mais clara: em 2024, em média, 21% dos alunos tinham ASE, valor que aumenta para 23% quando falamos de 2023.

Em 2024, mais de metade das escolas (52,09%) tinha menos de 20% dos alunos com ASE. A percentagem de escolas com 20% a 30% dos estudantes a serem apoiados pelo Estado era de 31,38%, valor que baixa para 14,44% quando falamos de um intervalo entre 30 a 40% dos alunos.

A escola em que mais alunos têm ASE — nomeadamente 67% — situa-se no Bombarral, distrito de Leiria: é a escola básica e secundária Fernão do Pó (em 13.º no ranking de equidade e 284.º no ranking de exames). Aqui, a taxa de retenção dos alunos é de 10%, sendo que 91% dos alunos com apoio do Estado conseguem terminar a escolaridade dos três anos previstos. O desempenho destes alunos ficou 21,16% acima da média quando comparados com os restantes alunos a nível nacional com ASE.

A segunda escola com maior número de alunos com ASE fica a 11 pontos percentuais de diferença. Trata-se da secundária D. António Taipa, Freamunde, em Paços de Ferreira (114.º na equidade e 476.º nos exames), onde 56% dos estudantes têm apoio do Estado. A taxa de retenção nesta escola é também de 10%, sendo que 83% dos alunos com ASE conseguem terminar o ciclo de estudos no tempo esperado.

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