Índice
Índice
Todos os gráficos são interativos. Passe o cursor sobre as tabelas para ver mais informação. Consulte aqui os Rankings das Escolas 2025
Primeiro, a boa notícia: a média geral dos exames do 9.º ano voltou a aumentar. Agora a má: depois de ter subido 3,01% entre 2023 e 2024, nos rankings de 2025 já só cresceu quatro décimas, para 55,1%. O cenário é semelhante na taxa de retenção de alunos, que passou de 6,25% para 6,35%. Os dados do Ministério da Educação trazem mais novidades, como a subida no top 100 da primeira instituição de ensino público. Agora, basta olhar para o 24.º lugar para encontrar a primeira instituição estatal, mas é preciso descer para descobrir a primeira pública de ensino regular, que ainda assim teve uma ascensão significativa — do 115.º para o 43.º lugar.
Em 2025, foi uma escola em Tabuaço a que teve a maior percentagem de alunos com Ação Social Escolar (ASE): 80% dos alunos. Em apenas 39 escolas das 950 que divulgaram dados sobre equidade, 100% dos alunos com apoio ASE concluíram o 3.º ciclo nos três anos previstos.
Estes dados sobre as escolas básicas em todo o país foram divulgados pelo Ministério da Educação. Foram depois organizados e analisados pelo Observador, em parceria com a Nova SBE, divididos por dois rankings: o de exames e o de equidade. Neste artigo destacamos cinco curiosidades e três gráficos para os entender melhor, incluindo a escola campeã que aumentou a média em três frentes e a que está quase no fundo do ranking, mas melhorou em todos os indicadores.
Em 2025, houve tantas escolas públicas no top 100 como em 2024
Em 2025, o número de escolas privadas e públicas no top 100 manteve-se inalterado em relação a 2024: apenas onze estatais. Um dado que, diz o diretor executivo da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (AEEP), é expectável. “Seria surpreendente que, de um momento para o outro houvesse grandes alterações. Se houvesse grandes subidas de um momento para o outro, significava que alguém não estava a esforçar-se o suficiente. É inexplicável que uma escola tenha uma média de 10 num ano e daqui a dois anos ou três tenha a média de 15, era estar a ter um descalabro nos anos anteriores”, afirma Rodrigo Queiroz e Melo.
Contudo, a primeira escola pública a surgir no ranking — lugar este ano ocupado pela Escola Artística do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, em Braga — aparece mais cedo: na 24.ª posição, em vez do 33.º lugar que, em 2024, era ocupado pela Escola Artística do Conservatório de Música do Porto. Este ano, a escola portuense caiu 23 posições, ao passo que a escola bracarense subiu 15.
Ao analisar o ensino regular, irrompe a Escola Básica Francisco Torrinha, no Porto, que passou do 115.º lugar em 2024 para o 43.º, com uma média de 3,73 em 5 (subiu 5,07 pontos percentuais).
E em que concelhos se situam as melhores escolas no top 100? É Lisboa quem lidera com 18 estabelecimentos escolares, seguida do Porto (9) e de Vila Nova de Gaia (7). Ao considerar apenas as escolas públicas, Lisboa lidera com três e Porto e Braga empatam com duas cada um.
Entre as onze escolas públicas que este ano figuram no top 100, três são — como em 2024 — de ensino artístico especializado. A melhor do ensino regular no ano passado, a Escola Secundária Eça de Queirós em Póvoa de Varzim, deixou o top 100: caiu do 74.º lugar para o 120.º e a média geral dos alunos decresceu 6,14%.
Se em 2024 as últimas escolas públicas no top 100 eram a Escola Básica Padre João Rodrigues em Sernancelhe, a Escola Secundária D. Manuel I em Beja e a Escola Básica e Secundária da Quinta das Flores em Coimbra, este ano essas três posições são ocupadas pela Escola Secundária Dr. Mário Sacramento em Aveiro, pela Escola Secundária Rainha Dona Leonor em Lisboa e pela Escola Básica de Pereira em Montemor-o-Velho.
Escola de Espinho campeã em três frentes: foi a que mais aumentou média geral, de Matemática e de Português
A média de Português desceu em mais escolas (641) do que a de Matemática (483). Trata-se de uma situação semelhante à ocorrida no ano passado e, este ano, houve duas escolas que mantiveram exatamente a mesma média a Matemática (54,91% na Básica e Secundária de Arcozelo e 43,79% na Básica e Secundária de Albufeira), e outras duas sem alterações a Português (64,96% na Escola Básica Júlio Dinis em Gondomar e 50,08% na Básica e Secundária Maria Lamas no Porto). Houve ainda 19 escolas que não apresentaram dados quanto às descidas a Matemática, e outras 19 com ausência de dados quanto à descida a Português.
A nível percentual, os resultados de 2025 revelam que a média nacional sofreu uma subida ligeira de 54,7% para 55,1%, com Matemática a sustentar essa evolução (de 50,6% em 2024, cresceu para 52,1% em 2025), e Português desceu de 58,8% para 58,2%.
Foi na Escola Básica Sá Couto, em Espinho, em 84.º lugar no ranking geral, que se verificou um maior aumento da média (mais de 23%), alavancada pelas subidas de média de Português (13,76%) e de Matemática (32,59%) que também foram as mais elevadas de todas as escolas, em 2025. Ao invés, a escola onde a média mais desceu foi a Escola Básica José Sobral, na Mexilhoeira Grande. Foi uma queda de mais de 17%.
A Português, a escola onde a média mais desceu este ano foi a Escola Básica Guerra Junqueiro, em Freixo de Espada à Cinta (menos 20,38%). O Colégio Bernardette de Jesus Romeira, privado que se situa em Olhão, foi onde os alunos mais desceram a Matemática (menos 32,2%).
Escola quase no fundo do ranking melhorou nas notas
A Escola Básica da Trafaria, em Almada, ficou na antepenúltima posição do ranking de escolas. Contudo, em 2025 melhorou em todos os indicadores: apesar de ter 2 de nota média (e 3 de nota interna, a média de notas dada aos estudantes para se apresentarem a exame), deu-se um aumento de mais de 6% na média geral, bem como a Português (0,81%) e a Matemática (12%).
Nesta escola, 79,5% dos alunos são beneficiados pela Ação Social Escolar (é a segunda do país com mais estudantes apoiados) e, entre os alunos que beneficiam da ASE, 82% concluem o terceiro ciclo no tempo previsto, o que coloca esta escola na 35.ª posição do ranking da equidade. É a única escola do concelho de Almada no top 35 deste indicador.
Apesar de o ranking analisar 1.181 escolas, só 950 entregaram os dados de quantos alunos são beneficiados pela ASE. Em média, 32% dos alunos das escolas portuguesas têm apoio económico, por exemplo, nas refeições e nos livros e material escolar. Em 2024, 948 escolas disponibilizaram esses dados, e a média fixou-se nos 32,2%, ou seja, houve uma ligeira redução.
Nota de Português é superior à de Matemática na escola onde se fazem mais provas
Só há três escolas no país onde se realizaram mais de 570 exames do 9.º ano em 2025: a Escola Básica de Mafra (572), sobre cuja sobrelotação o Observador já escreveu; a Escola Secundária de Pinhal Novo (596), e a Escola Básica e Secundária D. Martinho Vaz de Castelo Branco, que fica na Póvoa de Santa Iria. Nesta última, foram realizadas 680 provas, o maior número do país.
Na escola onde se registou um maior número de provas, a média dos exames é de 2,74, ao passo que a nota média com que os alunos foram aprovados para fazer a prova é 3,21. A nota de Português (2,82) é superior à de Matemática (2,65), e 15,5% dos alunos são apoiados pela ASE. Quanto ao corpo docente, 85,7% dos professores integram os quadros. Se no ranking dos exames esta escola se situa na 695.ª posição, quanto à equidade — que analisa o sucesso escolar dos alunos com dificuldades económicas através do registo dos estudantes com Ação Social Escolar que terminaram o 3.º ciclo em três anos —, é negativa: os jovens apoiados nesta escola têm menos 12,92% de probabilidade de sucesso escolar do que os alunos do país com perfil socioeconómico semelhante.
Equidade. Escola com pior desempenho fica novamente na Amadora
O indicador que permite aferir o sucesso escolar dos alunos com dificuldades económicas através do registo dos estudantes com Ação Social Escolar que terminaram o 3.º ciclo em três anos revela que em 2025, houve 458 escolas com desempenho acima da média (54,7% das 837 que apresentaram os dados). Trata-se de uma ligeira diminuição ao valor registado em 2024, de 55% das escolas.
No topo deste ranking, encontra-se o Colégio Dr. Luís Pereira da Costa, uma instituição privada com contrato de associação com o Ministério da Educação, onde se realizaram 102 provas e 94,74% dos alunos concluíram o 3.º ciclo em três anos. Este estabelecimento escolar fundado em 1994 conseguiu um desempenho 24,76% acima da média dos alunos no país que o Ministério da Educação considera comparáveis. A nota média foi de 2,56 nos exames nacionais do 9.º ano, o que a coloca na 958.ª posição do ranking com 1.181 escolas.
E em quantas escolas é que 50% dos alunos ou mais são apoiados pela ASE? Em 2025, foram 100, num rumo de decréscimo que se vem a sentir desde 2023 (eram 117 escolas) e 2024 (102). Trata-se de 9,7% das 950 escolas que apresentam estes dados, menos do que o registado em 2024 (10,7%).
Se no ano passado a escola com maior percentagem de alunos com ASE ficava em Lisboa, este ano, situa-se em Tabuaço: trata-se da Escola Básica e Secundária Abel Botelho. Nesta escola pública, 80% dos alunos são apoiados.
No ranking da equidade, seis escolas revelaram um desempenho 30% abaixo da média, o dobro das registadas em 2024. A escola que surge com piores resultados é a Básica e Secundária de Mães d’Água na Falagueira, freguesia da Amadora. Aqui, a diferença entre a percentagem de percursos diretos de sucesso entre alunos com apoio ASE na unidade e a média nacional é de -40,61%. A escola que no ano passado surgiu pior neste indicador, a Escola Básica e Secundária D. João V, na Damaia, outra freguesia da mesma cidade, reduziu o seu desvio negativo quanto à média nacional: é agora de -17,47%.