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A ideia inicial para a empresa começou em Punta Mita, um dos sítios muito procurado pelos milionários para confinar

A ideia inicial para a empresa começou em Punta Mita, um dos sítios muito procurado pelos milionários para confinar

Tripwix. Os portugueses que arrendam casas de luxo a milionários (dos que podem pagar 30 mil dólares por noite) /premium

Uma propriedade no México foi o ponto de partida para a Tripwix, em 2016. Hoje, é uma das mais importantes plataformas de turismo de luxo do mundo, com casas que podem ir até 30 mil dólares por noite.

Estrelas de cinema de Hollywood, presidentes de empresas de topo, players do ramo da alta finança. A carteira de clientes da Tripwix, a startup portuguesa nascida no México, em 2016, podia ter sido cuidadosamente tirada de uma lista da Forbes – eclética, aspiracional mas, à semelhança do que acontece com os nomes da lista dos mais ricos do globo, publicada anualmente pela revista norte americana, é concisa numa só ideia: o luxo. É certo que este conceito varia, molda-se, mas a função destes portugueses é trabalhá-lo em todas as suas formas, no terreno, sem falhas, explicam os cofundadores Miguel Carvalho e José Murta ao Observador. Afinal, é de algumas das pessoas mais ricas do mundo que se faz o negócio. E, para elas, há padrões não negociáveis a obedecer.

Para que tudo funcione na startup que negoceia arrendamentos médios na ordem dos 15 mil euros, é preciso cumprir com toda a carga logística, que haja pessoas especializadas, curadoria, um extenso trabalho de bastidores e, quando em cena, que tudo esteja afinado. Só assim os arrendamentos de luxo chegam a valores que podem rondar até os 30 mil dólares por noite, como acontece em Punta Mita.

E que tal esta villa na Toscânia, um apartamento de luxo em Florença, uma ida até Los Cabos (México), ou uma quinta na Comporta

Os palcos variam entre sete nações – Portugal, Espanha, Itália, Grécia, Turquia, Barbados e México –, num total de mais de 400 propriedades, todas regidas da mesma forma, pesadas pela equipa Tripwix e escolhidas criteriosamente, segundo explicam os fundadores. Este tipo de critérios valeu-lhe a atenção da Google que, em 2020, a integrou no Google Growth Lab, um programa de aceleração de startups, além da injeção de capital de 500 mil euros que recebeu da Portugal Ventures, um ano antes, em 2019. Mas o trabalho de Miguel Carvalho e de José Murta, esse, havia começado há muito.

Umas das propriedades que se podem arrendar pela Tripwix em Careyes, no México

“A minha formação foi sempre em hotéis de luxo, não saberia gerir um produto que não o fosse”, conta Miguel Carvalho, cofundador da Tripxwix, que é pragmático na abordagem do negócio. “Começámos nesse setor, porque começámos em Punta Mita, um destino especial que atrai clientes de alta gama. Não faz sentido entrar numa gama de mercado que atrai clientes que não conheçam luxo, porque isso pode ser caótico; não há padrões, standards”, acrescenta.

A palavra “luxo” também tem, contudo, uma conotação proibitiva. Certo é que o valor deste mercado, ainda frágil e pouco explorado em Portugal – onde a Tripwix tem cerca de 80 casas, à exceção de alguns epicentros, nomeadamente a Sul —, é, para os cofundadores, promissor. “Este é um mercado que está em desenvolvimento, os padrões ainda não estão definidos, então queremos dar um atenção especial”, refere Miguel Carvalho.

Formado na Escola de Hotelaria do Porto, Miguel passou pelo grupo Hyatt International, pelo Mandarim Oriental e deixou cunho na cadeia Four Seasons, no Médio Oriente, em Macau, Hong Kong e no México ao longo de 25 anos. Foi aliás neste último país que acabou por se fixar, na península de Punta Mita, localidade habitualmente frequentada pelo tipo de clientela que fez nascer e crescer a Tripwix e que, em plena pandemia, foi o sítio escolhido por vários milionários para confinarem

Punta Mita, a península que os mais ricos do mundo escolheram para o confinamento

"O nosso modelo de negócio prevê um embaixador em cada destino; uma pessoa que conhece os donos dos restaurantes, os sítios, os segredos, e pode abrir a porta dos destinos aos nossos clientes. É uma espécie de amigo no local e transforma a visita numa experiência única, que um hotel não pode oferecer"
Miguel Carvalho, cofundador da Tripwix

“Comecei a arrendar casas e foi esse o início. Com um hosting especial que fazia, comecei a interessar vizinhos, que começaram também eles a arrendar as casas, e a interessar um tipo de clientes ideais para essas propriedades”, conta.

Do outro lado estava José Murta, a última engrenagem a integrar o núcleo duro – a equipa base é constituída por Miguel Carvalho (hospitalidade), Lisa Bruno (responsável pela qualidade, com mais de 25 anos de experiência em design de interiores) e Francisco Bessa, CFO –, que trouxe consigo a experiência de quase uma década na Trivago. “Foi aí que comecei a dar os primeiros passos no mundo online. Lancei a Trivago Portugal, depois Médio Oriente e África, depois fiquei como Global Head e Hospitality, a viver na Alemanha mas, como bom português, quis regressar a Portugal”, conta.

Regressou, integrou a equipa e ajudou a fortalecer a estratégia que Miguel, Lisa e Francisco tinham delineado. Ao todo, os cofundadores investiram cerca de um milhão de euros em capitais próprios no projeto. Atualmente, a startup conta com uma equipa de cerca de 20 pessoas.

José Murta, Francisco Bessa, Lisa Bruno e Miguel Carvalho são a equipa fundadora da Tripwix

Como funciona então o arrendamento de luxo?

Pode, então, uma casa apresentar as condições ideais para pertencer à Tripwix se tiver, por exemplo, uma piscina aquecida? Se for espaçosa o suficiente? Se gozar de uma vista desafogada sobre o mar? Sim, mas não só. José Murta explica que existem “mais de duzentos critérios de inspeção, da qualidade dos colchões à dos lençóis, dos atoalhados, aos talheres de cozinha”, e, a juntar a estes, existem outras vertentes inerentes ao serviço que a Tripwix disponibiliza.

“Além da inspeção das casas, o nosso modelo de negócio prevê um embaixador em cada destino; uma pessoa que conhece os donos dos restaurantes, os sítios, os segredos, e pode abrir a porta dos destinos aos nossos clientes. É uma espécie de amigo no local e transforma a visita numa experiência única, que um hotel não pode oferecer”, refere Miguel Carvalho.

As reservas são feitas através do site da plataforma, onde é possível visualizar as propriedades, bem como o preço da diária, variável consoante o país e a zona. Em Punta Mita, por exemplo, há casas de 1.000 e 2.000 dólares por noite, outras que chegam a trinta mil dólares.

"É preciso sensibilizar os donos portugueses para que entendam o que é o ultra luxo. Coisas tão simples como o colchão, as almofadas, detalhes que não custam muito e que podem fazer toda a diferença e viabilizar uma propriedade"
Miguel Carvalho, cofundador da Tripwix

“Em Portugal temos casas a partir de 500 ou 600 euros, mas temos também de 5 ou 6 mil euros”, esclarece José Murta, frisando que o importante é que tanto as casas grandes como as pequenas tenham o mesmo padrão alto de qualidade. “Nem todas precisam de ser caras, o que queremos é value for money”. Comporta, Algarve, Douro e Grande Lisboa são alguns dos pontos de atuação da startup em território nacional.

Contudo, a dupla reitera que, em Portugal, apesar da margem de crescimento, existe uma falta de sensibilização da parte dos proprietários que acaba por se refletir nas opções. “É preciso sensibilizar os donos portugueses para que entendam o que é o ultra luxo”, aponta Miguel Carvalho. “Coisas tão simples como o colchão, as almofadas, detalhes que não custam muito e que podem fazer toda a diferença e viabilizar uma propriedade. Os donos têm de mudar a mentalidade da casa e, se querem receber este tipo de clientes, têm de perceber que têm de ir ao encontro do ponto de vista de quem requer o serviço”, acrescenta.

Com um valor médio de arrendamento na ordem dos 15 mil euros, a comissão cobrada pela Tripwix fica, habitualmente, nos 20%, “mas é preciso perceber que, para ir buscar estes clientes, temos de ter parcerias com agências, travel advisers, todo o tipo de gente que pede comissões adicionais. Portanto quando temos de dar comissões a essas pessoas, pedimos um pouco mais, 30%”, diz o fundador.

E se um cliente quiser ficar com a propriedade que arrendou? “Num par de casos, os clientes que ficaram nas casas acabaram por comprar. Não fazemos venda direta da casa, mas temos parcerias”, acrescenta. O serviço inclui também uma disponibilidade garantida de iates, barcos, avião privado, “mas também agentes imobiliários, todas essas necessidades são pensadas. Gostamos de recomendar. É mesmo pela recomendação, para dar serviços ao cliente.”

"Março foi um susto enorme, chegámos a uma altura em que tivemos 100% de cancelamentos. (...) Agora, se sofremos como eu achava que íamos sofrer? Não. Não estamos tão bem como estávamos em 2019, mas adaptámo-nos”
José Murta, cofundador e CEO da startup

A pandemia afetou o negócio, mas a Tripwix adaptou-se

À semelhança do que aconteceu com outras plataformas de arrendamento, a Tripwix viu o negócio afetado com a pandemia de Covid-19, em 2020. Os números, no entanto, ficaram aquém das previsões iniciais mais negativas, diz ao Observador José Murta.

“Março foi um susto enorme, chegámos a uma altura em que tivemos 100% de cancelamentos. Conseguimos foi, ao adaptarmo-nos a uma nova realidade, mudar a estratégia de marketing, conseguir outro tipo de clientes ao invés dos que tínhamos, que eram maioritariamente norte-americanos. Agora, se sofremos como eu achava que íamos sofrer? Não. Não estamos tão bem como estávamos em 2019, mas adaptámo-nos”, refere o cofundador.

A mudança não se ficou pela proveniência geográfica de quem requer o serviço, chegou também à duração das estadias. Entre os meses de abril e maio, as reservas feitas na Tripwix serviram maioritariamente para cumprir confinamento, o que se traduziu em estadias de dois e três meses. Em andamento ficou outro plano, expansionista, que fará crescer a área de influência da Tripwix. “Ainda não podemos dizer quem é, mas estamos a fechar uma parceria com uma grande cadeia de hotéis para as nossas vilas, o que possibilita uma presença muito superior em relação ao income de clientes”, revela José Murta.

Portugal é, também, um dos objetivos da marca para 2021, e os fundadores estão de acordo quanto ao potencial do mercado. “Podíamos facilmente ter 300 ou 400 casas. Continuamos a apostar bastante cá, porque é o nosso mercado de origem. Em 2021, além de consolidar os sítios onde estamos, queremos conseguir crescer em termos de inventário. A pandemia não vai acabar de hoje para amanhã mas, quando terminar, vai haver um boom. E nós queremos estar bem posicionados para esse retorno, queremos angariar mais casas.”

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