A fábrica da Tupperware de Montalvo, em Constância (distrito de Santarém), já fechou, atirando para o desemprego mais de 190 pessoas. Depois de ter sido decretada a insolvência desta companhia em tribunal, foi depois também anunciado o fim da linha para a empresa portuguesa que detinha 74% da unidade fabril. A Tupperware Portugal Artigos Domésticos Unipessoal foi declarada insolvente a 18 de fevereiro, uns dias depois da Tupperware de Montalvo.
A Tupperware Portugal Artigos Domésticos tinha 28 trabalhadores. Esta é, no entanto, uma insolvência que esconde outros casos de prestadores de serviços da Tupperware que deixam de ter negócio. O modelo de operação da Tupperware implicava a existência de uma rede de vendedores que respondiam ao designado “business leader” responsável por cada região do país. Estes líderes de negócio não eram trabalhadores diretos da Tupperware, mas em muitos casos acabavam por trabalhar em exclusividade, tendo, alguns, constituído empresas próprias para responder às exigências da empresa que comercializava caixas para acondicionar alimentos.
Ao Observador, alguns desses “business leaders” — que eram cerca de 20 — relatam a falta de proteção que agora têm na falência da empresa, já que como prestadores de serviços não têm direito a indemnizações nem a assumirem-se como credores.
A lista provisória desta empresa comercial (não fabril) tinha um total de 30 credores, com 12,2 milhões de euros, abaixo do valor agora apurado. Os maiores credores da Tuppeware Portugal (com sede em Lisboa) eram, na listagem inicial, assinalados como empresas relacionadas com o grupo norte-americano, nomeadamente a Dart Industries (220 mil euros), a Tupperware International Capital na Irlanda com quase 8,5 milhões e a Tupperware Products na Suíça com 3,5 milhões, conforme processo de insolvência consultado pelo Observador. Nessa listagem inicial de credores surgiam várias empresas espanholas já que a Tupperware Portugal Artigos Domésticos Unipessoal tinha operações em Portugal e Espanha.
Além da participação de 74% na Tupperware Montalvo, a sociedade tinha a responsabilidade de comercialização de produtos Tupperware “em território português e espanhol, ao abrigo de contratos de comissionista com a empresa do grupo Tupperware Products”.
Fonte: Processos de insolvência
Já na lista provisória de credores da Tupperware de Montalvo, tal como o Observador noticiou, constavam também empresas ligadas à Tupperware (Grécia, Bélgica e Portugal), acrescentando-se de seguida a Gráfica Ideal de Águeda e o BCP. Estes eram os cinco maiores credores de uma lista (provisória) que assinalava uma dívida total de 2,3 milhões de euros, também abaixo do que consta agora.
É que o administrador de insolvência, Jorge Calvete, já elaborou a relação de créditos reconhecidos e não reconhecidos e que juntou aos autos, pelo que a listagem provisória deu, agora, lugar à lista de créditos que vão valer para a constituição de uma comissão de credores. A assembleia de credores para constituir a comissão ainda não foi convocada.
▲ As festas de Tupperware foram um conceito lançado nos Estados Unidos para vender as caixas de plástico para alimentos.
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No caso da Tupperware Portugal, a de Lisboa, os créditos reconhecidos por trabalhadores atingem os 2,28 milhões de euros. Existem mais 9,3 milhões de créditos reclamados por outros credores, sendo a maior parte (9,2 milhões) reclamados pela Tupperware Products AG, na Suíça. Nesta lista de outros credores surgem, com valores mais baixos, a Astrolimpa (6,8 mil euros), os CTT Expresso (3 mil euros), a DPO Portugal (8,3 mil euros), a Leasys Mobility (8,5 mil euros), a Meo (1,2 mil euros), a Nos (1,3 mil euros), a Serolf (2,7 mil euros). Ainda existe a lista de créditos constantes na contabilidade ou conhecidos de outras formas, que atingem os 8,7 milhões de euros. No levantamento do administrador de insolvência, há um total de mais de 560 mil euros não reconhecidos.
Ou seja, no caso desta empresa, são 20,3 milhões os créditos reconhecidos.
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Tupperware de Montalvo com créditos reconhecidos superiores a 11,5 milhões
Já na outra sociedade da Tupperware, a que tinha a fábrica em Montalvo, o total de créditos reconhecido atinge os 11,5 milhões de euros.
O que significa que as duas companhias da Tupperware deixaram uma dívida reconhecida de mais de 31,78 milhões de euros em Portugal.
No caso da Tupperware – Indústria Lusitana Artigos Domésticos (a de Montalvo), os créditos reclamados por trabalhadores atingem os 9 milhões de euros. Ou seja, o conjunto das duas companhias deixa por pagar mais de 11 milhões aos trabalhadores.
No caso da Tupperware de Montalvo, os trabalhadores são os maiores credores. Há ainda mais 875,8 mil euros reclamados por outros credores, como o Fisco (49,2 mil euros), o BCP (3,5 mil euros) — um valor substancialmente mais baixo do que o crédito inicial –, a ARTIC (38,2 mil euros), a Acessomatic (74,7 mil euros), a Equipack (26,5 mil euros), a Fábrica de Papel e Cartão da Zarrinha (10,6 mil euros), a Gráfica Ideal de Águeda (172,4 mil euros), a Helexia (29,9 mil euros), a Multiartic (35,5 mil euros), a Nominalplas (69 mil euros), a Prosegur (72,2 mil euros), a Ricoh (29,5 mil euros), a Transportadora Internacional Felício & Filhos (45 mil euros), entre outros.
Ainda se juntam nesta lista os créditos que estão na contabilidade da empresa ou conhecidos de outra forma, que totalizam 1,58 milhões de euros. Neste rol estão as dívidas a empresas do grupo Tupperware, nomeadamente à Tupperware Portugal no valor de 177 mil euros.
Nesta empresa de Montalvo, há ainda um total de 321 mil euros de créditos não reconhecidos.
A insolvência das empresas em Portugal aconteceu depois de a nível internacional a Tupperware ter também entrado em falência nos Estados Unidos. Parte do negócio foi vendido, mas os compradores não quiseram o negócio (e a fábrica) português.
De acordo com informação constante no processo de insolvência, “a Tupperware Lusitana foi informada, a 14 de dezembro de 2024, de que a TPAG, a Tupperware Lusitana e a Tupperware Portugal, entre outras entidades, não estavam abrangidas na venda“. A partir dessa altura, deixaram de poder usar a marca, o logótipo e outra propriedade intelectual da Tupperware.