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JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Um dia com João Benedito: a luta contra o tempo entre o modelo Bayern em Lisboa e o ser Sporting em Leiria /premium

Teve um encontro com empreendedores em Lisboa, passou pelo núcleo da Batalha, (re)visitou o Museu de Leiria e jantou na Quinta do Paúl. Um dia com João Benedito, candidato à presidência do Sporting.

João Benedito já tinha referido numa das muitas intervenções públicas que vai tendo – ele como os sete restantes candidatos, acrescente-se, entre entrevistas, debates e outros eventos – que várias vezes passa e ouve a frase “Aquele ali é o gajo do Sporting”. Confirma-se: é mesmo assim. Num dia com entrevistas, encontros, visitas a núcleos e jantares de campanha, é assim que vão comentando a sua passagem até chegar aos locais marcados, onde despe esse fato e passa a ser apenas o líder de mais uma lista concorrente à presidência do clube. No entanto, e apesar da carreira de gestor que seguiu durante e já depois de ter abandonado as quadras, é como jogador e capitão de futsal que existe esse reconhecimento mais próximo de quem o segue e é dessa forma que tenta passar também a principal matriz do projeto que foi construindo para os leões.

Existe uma referência quase unânime entre todos os candidatos (e até simples sócios verde e brancos) em termos de dirigismo: João Rocha. E nem é tanto pelo passado de sucesso como empresário nem pelo número de títulos conquistados no futebol nos 13 anos em que liderou, mas sim pelo perfil de liderança e pela capacidade de mobilização sem precedentes que teve nas décadas de 70 e 80. O primeiro grande projeto, a Sociedade de Construções e Planeamento (SCP), que poderia constituir o modelo pioneiro de clube-empresa no país, acabou por nunca sair do papel quando já tinha inclusive o número de ações e o valor das mesmas aprovado — porque entretanto deu-se o 25 de Abril. No entanto, foi durante o seu reinado que o Sporting teve o apogeu a nível de praticantes, de sócios pagantes, de mobilização e de ecletismo vencedor. Enquanto visita o Museu de Leiria, João Benedito trava a marcha quando vê um livro com a história do ex-líder falecido em 2013 aberto no andar de cima do espaço. Horas antes, dera outro exemplo mais longínquo em termos históricos de presidente: José Alvalade.

[Veja o vídeo em que João Benedito responde às perguntas do Observador – e dá uns toques na bola]

Jogador de futebol, ténis e críquete, foi ele que esteve na génese da fundação do Sporting quando se mostrou contra as ideias mais recreativas que o Campo Grande Football Clube tinha. Para ele, era nas atividades desportivas que se devia centrar tudo e foi por isso que pediu ao avô, o Visconde de Alvalade, os meios necessários para fundar outro clube com esse cariz. Além de atleta e autor da célebre frase “Queremos que o Sporting seja um grande clube, tão grande como os maiores da Europa”, foi também presidente entre 1910 e 1912, abrindo então uma espécie de trilho para líderes que tivessem sido atletas que contou ainda com outros nomes como Mota Marques, Queirós dos Santos, Soares Júnior, Júlio de Araújo, Salazar Carreira ou Joaquim Oliveira Duarte, médico e oficial da Marinha que jogou futebol e polo aquático no clube antes de se tornar o segundo líder com maior longevidade no lugar de número 1, apenas atrás de João Rocha (dez anos, entre 1932 e 1942).

Por mais do que uma vez, esta é a ideia que João Benedito defende ao longo do dia: a criação de uma cultura desportiva com alguns antigos atletas e campeões do Sporting (Carlos Pereira, futebol; Ricardo Andorinho, andebol; Pedro Miguel Moura, ténis de mesa) que têm também as suas carreiras em federações desportivas e as suas empresas para colocar todo esse conhecimento ao serviço da gestão do clube, invertendo a lógica que imperou nas últimas décadas de gestão-desporto-campo. “Esse vai ser o modelo de futuro no desporto português, não tenho dúvida”, diz. E é por isso também que “o gajo” conhecido pelo verde e branco vai buscar uma inspiração vermelha e azul para dar uma exemplo de como essa ideia pode ter sucesso – “Desde que Beckenbauer e Rummenigge chegaram ao Bayern, no início do século, tiveram resultados operacionais que cresceram 320%, aumentaram o número de sócios em 300% e também triplicaram os resultados líquidos”.

João Benedito não parou desde que saiu da entrevista na Lusa, viajando depois de Lisboa para a Batalha e para Leiria

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

11h-16h

A luta contra o relógio e o encontro com empresários e empreendedores

Os dias de João Benedito costumam começar com a consulta das notícias e a revisão do programa do dia. Considera que a sua lista é 100% independente também pelo facto de ter uma campanha totalmente paga entre os membros da lista e que não conta com ninguém “profissional”, dedicado apenas à romaria que tem marcado estas últimas semanas. “Mesmo quando não temos o que os outros têm, conseguimos chegar pelo menos onde os outros chegam”, refere. É por isso também que já repetiu por mais do que uma vez a ideia de que é uma luta “entre o conhecimento e a comunicação”. E é também por isso que passa muito do seu tempo sem uma agenda para cumprir na sede, quase em frente ao multidesportivo, mesmo ao pé do Pavilhão João Rocha e perto dos terrenos do antigo estádio, onde passou parte da infância e da adolescência quando o avô era o responsável do antigo estádio José Alvalade. Às vezes almoça também ali nos arredores, o que neste dia não chegou a acontecer.

A informação privilegiada, a camisola do Benfica e o caso BES: o debate do Sporting (e as suas táticas)

O dia começa com uma entrevista à Lusa onde, ao contrário do que acontecera na véspera com Fernando Tavares Pereira e Dias Ferreira, não se cruza com mais nenhum candidato. À saída, apesar de lhe garantirem que ainda está a horas e que não haverá atrasos para o compromisso seguinte, começa a ficar nervoso quando olha para o relógio. Vai ao carro, um Mini Cooper, coloca os óculos escuros, volta atrás já sem o casaco para devolver uma coisa a André Freitas do Amaral, candidato a vogal do Conselho Diretivo para o marketing e a comunicação, e segue em passo acelerado para o hotel Vila Galé Ópera, por baixo da Ponte 25 de Abril, onde tem previsto um almoço com empresários e empreendedores do Sporting para apresentação do projeto para estas eleições e esclarecimento de dúvidas, quase como um brainstorming transversal a várias áreas.

Pouco antes de dar início ao encontro com empreendedores, candidato respondeu a mensagens e viu adversários na Liga Europa

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

O encontro está assinalado com um cartaz grande da candidatura, perto da entrada principal da unidade hoteleira. Era ali que estava também assinalado que, mais tarde, a equipa do V. Setúbal iria ficar concentrada até ao encontro no Jamor frente ao Belenenses. Esse jogo, com a sua história no futebol português, acabou sem golos, ao contrário do que se queria que acontecesse na sala ali ao lado. Ao entrar, Benedito cumprimenta de forma individual todos os presentes, vê se está tudo em ordem para um encontro com várias mesas numa forma retangular que preenche quase todo o espaço e vai buscar qualquer coisa rápida lá ao fundo antes de começar a falar. Não é um almoço “normal”, mas o tempo não dá para mais.

Marcaram presença 32 convidados, entre os quais José Azevedo Pereira, consultor, professor universitário e antigo diretor geral da Autoridade Tributária; Miguel Pina Martins, CEO do grupo Science for You; ou Duarte Cordeiro, vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Mas há mais caras conhecidas na sala, seja do universo leonino, seja do espaço mediático pela atividade profissional (inclusive um que recebeu do antigo jogador o pin de lapela alusivo aos 25 anos de sócio). Rodeado de elementos da sua lista, como os candidatos ao Conselho Diretivo Pedro Miguel Moura, Ricardo Andorinho, Hugo Fonseca e Gonçalo Sampaio ou ao Conselho Fiscal e Disciplinar, neste caso Luís Filipe Ferreira e Gonçalo Jorge Silva, Benedito faz uma apresentação mais genérica do programa, colocando o enfoque não só no futebol e na parte de governance e finanças mas também em aspetos mais específicos como o Sporting Performance (“departamento de otimização do rendimento dos atletas com meios humanos e tecnológicos de topo” que terá como principal responsável Pedro Lopes da Mata, médico especialista em imunoalergologia e medicina desportiva) ou o Sporting School. “Queremos criar programas de formação nas áreas desportivas e de gestão, em parceria com universidades nacionais e internacionais, para transformar e rentabilizar da melhor forma o know how dos nossos treinadores, gestores e diretores. Ao mesmo tempo, teremos também um projeto de incubação de startups e ideias, iniciativas empresariais ou de investigação, nas áreas complementares à atividade desportiva em si como a medicina desportiva, a metodologia de treino, a informação desportiva ou as métricas de avaliação”, explica.

Encontro num hotel em Lisboa com empresários e empreendedores contou com 32 convidados, entre os quais José Azevedo Pereira, consultor, professor universitário e antigo diretor geral da Autoridade Tributária; Miguel Pina Martins, CEO do grupo Science for You; ou Duarte Cordeiro, vice-presidente da Câmara Municipal Lisboa.

No final, o antigo capitão do futsal do Sporting – que tem hoje duas empresas, uma de personalização têxtil de fardas e uma startup de proteções desportivas com negócios no país e no estrangeiro – quase que estava ansioso pelas perguntas ou considerações na sala, por norma a mais valia neste tipo de encontros. “Bem, agora vou passar outra vez a bola para a frente, como fiz durante tantos anos”, diz. Uma delas passou pela questão do CEO que pretende implementar em caso de vitória nas eleições, transversal aos departamentos. “Não é nenhum nome daqueles que têm sido veiculados por aí por outras campanhas e que só visa tirar o foco das ideias, dos conteúdos e das inovações que andam a ser copiadas”, começa por destacar. “É sócio do Sporting, fervoroso, gestor e financeiro com experiência internacional, especialista em funding, com relação com entidades financeiras. Nunca esteve ligado ao Sporting nem é da família de nenhum de nós”, acrescenta.

Das finanças ao futebol, das questões mais ligadas ao marketing às receitas por explorar, há vários temas colocados na esfera de conversa. “Se calhar esta parte podias não ouvir”, atira a certa altura. Não é propriamente um tema fraturante mas funcionou em paralelo como um quebrar de gelo que existe sempre nestas circunstâncias. Quando vai ao baú das recordações, há uma história que deixa todos a rir: “Recordo que quando estava no gabinete financeiro do Sporting e jogava tinha o Ricardo Andorinho mesmo à minha frente. Víamos o que se passava, o que era o project finance e tudo o que englobava. Nessa altura cheguei a ter alguns fornecedores que me chamavam ‘João Bandido’ ou que ameaçavam ir para trás da baliza no jogo seguinte por causa das cobranças. Depois passei para o marketing corporate, com vendas de camarotes e parcerias”. “O Sporting é autosustentável, ao contrário do que fazem passar. O problema são os 400 milhões de euros para trás”, resume.

João Benedito falou um pouco de tudo durante o encontro no hotel, que acabaria por durar mais do que estava programado

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16h-20h

A paragem na Batalha com a inspiração à frente, a ida ao Museu com a sua história de frente

No final do encontro, João Benedito faz questão de voltar a cumprimentar todos os presentes, detém-se em algumas conversas curtas e arranca para a sede de campanha onde estão já outros elementos esperados para o resto do dia como André Cruz, o bicampeão nacional pelos leões que está apontado como diretor desportivo. Mais uma vez, existe uma luta contra os ponteiros, mais uma vez eles avançam sem que se possa fazer muito. É o cabeça de lista que dá o mote para acelerar a saída em caravana com cinco carros para a Batalha e começa a andar de um lado para o outro até que todos estivessem a caminho das viaturas. “Se há coisa que não consigo mesmo é deixar alguém à minha espera, nem que seja um minuto”, salienta.

A lista dos “filhos do Sporting” que se tornaram muito mais do que isso: João Benedito oficializa candidatura

Benedito vai no carro de Andorinho, André Cruz vai com Pedro Miguel e a tática está feita. Não é a primeira vez que o candidato da lista A passa pelo núcleo da Batalha (e nem sequer estava na primeira agenda do dia enviada à comunicação social), mas como tinha referido que quando pudesse voltava lá a passar, cumpriu a promessa. Dos queijos, chouriços e outras entradas colocados na sala – que, curiosamente, ainda não foi oficialmente inaugurada por ninguém da estrutura diretiva do clube, tendo em conta o período conturbado que os leões atravessam – sobram apenas os pratos de plástico e os palitos. O calor também não é propriamente o melhor amigo mas nem por isso Benedito tira o casaco do fato enquanto vai respondendo a todas as perguntas numa mesa onde estão também André Cruz, Pedro Miguel Moura e Ricardo Andorinho.

O pequeno espaço do Núcleo da Batalha encheu; na parede em frente a Benedito estavam pinturas de José Alvalade e João Rocha

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A sala, pequena, tem todas as cadeiras ocupadas. E ainda há algumas pessoas de pé, a maioria num constante deambular entre o interior e o exterior para aguentar os mais de 30º que ainda se sentem ao final da tarde. Tão depressa existem questões sobre a estrutura do futebol como se pergunta quantos sócios é que o Sporting afinal tem e quantos poderão votar nestas eleições. No balcão do bar encontram-se os estatutos do clube, em metal, divididos por pontos. Naquele dia, ninguém teve a curiosidade de os consultar. “Disse agora eu na resposta por acaso mas isso tem de acabar, a partir de agora terá de ser nós, nós e nós”, comenta, entre elogios ao passado e às capacidades de André Cruz para dirigir da melhor forma o futebol verde e branco: “Nós sabemos o que é ganhar e sabemos unir em campo. O André diz como é e tem de ser assim, existe esse respeito”. À sua frente estão duas pinturas de presidentes emblemáticos: José Alvalade e João Rocha. E é para eles que olha quando se levanta, antes de agradecer a todos os presentes e acelerar o passo de toda a comitiva rumo ao Museu de Leiria.

Durante as viagens, aproveita a pausa para ir ao telemóvel. Conversa com a família, segue as notícias sobre o último dia de mercado (de manhã a preocupação tinha sido o sorteio da Liga Europa), responde a algumas mensagens e emails. Até ali, como entrevistado, anfitrião ou convidado especial, foi sempre o principal foco de atenções. No Museu, a coisa muda e é Bernardes Dinis, um conhecido sportinguista da zona e merecedor de inúmeros prémios (também eles expostos) pela devoção ao clube, que pega na batuta. “Bem, já está tudo? Então juntem-se todos aqui se não se importarem”. Benedito está ao seu lado com as duas mãos sobrepostas enquanto ouve as explicações. “Chumbei no primeiro ano da primeira classe, passei no segundo. Chumbei no primeiro ano da segunda classe, passei no segundo. E como passava muito tempo em casa, comecei a habituar-me a fazer recortes de jornais que colava com mistura de água e farinha, porque ainda não havia cola”, recorda.

Bernardes Dinis guiou a visita no Museu de Leiria, onde João Benedito viu também a sua referência Vítor Damas

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Dinis destaca que o Sporting é o único clube do mundo com dois museus oficiais. No ano passado, teve um total de 16 mil visitas. Existe um aluguer do espaço que custa 800 euros e 20 pessoas, entre as quais se inclui, que dão 25 euros pela preservação (e pelo aumento a nível de artigos) do mesmo. Para tudo o resto, incluindo visitas guiadas seja a que horas for, está disponível e não quer nada. “Houve um candidato que disse que queria passar aqui 15 minutos ou meia hora e depois seguia para outro sítio, disse logo que não! Mas isto alguma vez se via com este tempo? Remarcou para a próxima semana, teve de ser”, conta, ao mesmo tempo que não tem problemas em dizer que nesta altura está indeciso entre dois candidatos: Frederico Varandas e João Benedito. “Eu dou tudo ao Sporting, tudo menos a minha mulher, que me faz falta”, repete enquanto guia o grupo no andar de cima.

A descida ao andar de baixo do Museu do Sporting em Leiria acabou por funcionar quase como um espelho para alguns dos elementos da lista A: a imagem de João Benedito a erguer uma taça surgia em muitos dos momentos do futsal; Pedro Miguel Moura cedeu inúmeros artigos do ténis de mesa que ali estão expostos; Ricardo Andorinho viu a sua imagem na quebra do jejum de 2001 no andebol; e André Cruz esteve nas duas últimas equipas leoninas que ganharam o Campeonato do futebol.

Antes de seguir para o andar de baixo, Bernardes Dinis revela alguns sonhos do que deveria ser um museu em Lisboa, porque é a capital e onde passam mais pessoas. E fala numa biblioteca Sporting, “algo que nem o Barcelona e o Real Madrid têm”. Mas era ali que estava o ponto de viragem da visita, algo facilmente percetível logo após descer as escadas. A viagem nessa parte começa com Carlos Lopes ou Joaquim Agostinho, dois dos maiores símbolos de sempre do clube, mas acaba por tocar a todos. Benedito surge em inúmeras imagens na parte dedicada ao futsal, sempre levantando troféus (e só pelo Sporting foram 20 entre Campeonatos, Taças, Supertaças e Taças de Honra); Pedro Miguel trava a marcha numa zona dedicada ao ténis de mesa, por estar à frente de tudo aquilo que foi cedendo entre 14 Campeonatos, 11 Taças, uma Supertaça, fora ainda mais títulos do Campeonato de Portugal absoluto, individual, pares masculinos e pares mistos; Ricardo Andorinho repara que na zona dedicada ao andebol surge numa imagem aquando da quebra do jejum em 2001, com a mão ligada e à civil no balneário, depois de ter feito uma fratura no final do segundo jogo da final, no Porto. E ainda há André Cruz, que esteve nos dois últimos Campeonatos conquistados pela equipa de futebol. Ali se recordaram velhos tempos.

Foi no piso de baixo do Museu, num corredor perto da réplica da Taça das Taças, que Benedito viu as imagens das suas conquistas no futsal

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É no final da visita que fazemos o pequeno vídeo já habitual nestas reportagens, tendo como fundo o Museu e esquecendo como a temperatura vai ficando cada vez mais díspar entre o calor nas instalações e a brisa que começa a soprar lá fora ao início da noite. Mais uma vez, foi cumprido com o que estava combinado; mais uma vez, a preocupação que lhe salta após fecharmos a câmara passa pelas horas, por não querer chegar atrasado. “Daqui à Quinta do Paúl são 15 minutos, temos tempo”, dizem-lhe. “Acredito, mas não podemos deixar as pessoas à espera, sejam elas mais ou menos. Senhor Dinis, daqui são mesmo 15 minutos? Ok, então vamos lá, malta”, responde Benedito, revigorado com a última hora.

20h-00h

200 pessoas cumprimentadas uma a uma antes do discurso a lançar a última semana

Os tais 15 minutos até à Ortigosa confirmam-se, mesmo mas a sala já estava quase cheia com cerca de 200 pessoas. Também ali encontramos um lugar simbólico para o universo leonino, por ser o local que costuma receber os célebres Rugidos de Leão, uma noite onde são anualmente distinguidos dez elementos entre jogadores, treinadores, dirigentes e funcionários. O som aumenta quando João Benedito entra no espaço. Numa primeira fase, para dar o mote aos restantes, acena e desloca-se para o lugar que dizem ser o seu; depois, quando vê que está tudo mais ou menos sentado, vai a todas as pessoas de todas as mesas cumprimentar um a um os presentes, dando toques nas costas na mesa onde tem os elementos que o acompanharam.

No carro de Ricardo Andorinho, a caminho da Quinta do Paúl para o jantar que iria encerrar o dia

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Depois da entrada e da sopa, janta lombo com batata assada. Ainda há a sobremesa e o café no final. Pelo meio, ultimam-se mais pormenores para uma semana que será decisiva para o seu futuro, para o futuro do Sporting e para o seu futuro no Sporting. Nomeadamente dois grandes trunfos que deverão ser jogados nos próximos dias, um deles com simbologia especial tendo em conta o projeto que preconiza. Raul Castro, presidente da Câmara Municipal de Leiria e candidato a secretário da Mesa da Assembleia Geral da lista A, que tem José Manuel Araújo como presidente e Pedro Lynce como vice, é o primeiro a discursar. Segue-se João Benedito e uma intervenção feita para lançar aquilo que será a reta final da campanha.

“O sucesso desportivo é o motor da estabilidade financeira e institucional do Sporting”, defende João Benedito

“Há uma coisa que já levo desta campanha eleitoral: um orgulho renovado por poder estar novamente junto de tantos e tantos sócios e adeptos do Sporting Clube de Portugal. Esta grandeza ninguém nos tira, esta grandeza que senti na pele enquanto jogava, esta grandeza que me arrepia desde que nasci, esta grandeza que são vocês, que somos nós, que são todos os sportinguistas! Foi no dia 19 de julho, há 40 dias, que apresentámos aos sócios um novo projeto para o Sporting (…) Connosco acabaram-se as divisões, acabaram-se os ataques e não é por alguém discordar de alguma ideia nossa que passará a ser menos sportinguista do que os outros. Temos um rumo definido e ideias concretas, e a nossa independência permite-nos ouvir todos de forma igual (…)

"O valor chave desta candidatura é a independência e por uma razão muito simples: queremos e vamos chegar ao Sporting sem compromissos, sem padrinhos, sem interesses ocultos, sem dever nada a ninguém, para sermos livres para tomar as melhores decisões no interesse exclusivo do Sporting. Esta é a candidatura dos valores, não dos interesses (...)".

O valor chave desta candidatura é a independência e por uma razão muito simples: queremos e vamos chegar ao Sporting sem compromissos, sem padrinhos, sem interesses ocultos, sem dever nada a ninguém, para sermos livres para tomar as melhores decisões no interesse exclusivo do Sporting. Esta é a candidatura dos valores, não dos interesses. Não estamos aqui empurrados por ninguém, não nos precipitámos, não nos pusemos em bicos de pés. Estamos aqui com convicção e com um projeto pensado. Esta é uma nova geração de dirigentes para um novo tempo. Não é quem dividiu os sportinguistas que vai conseguir unir a partir de dia 9, já perdemos demasiado tempo em guerras inúteis (…)

Quando chegou e na despedida, João Benedito cumprimentou individualmente todos os presentes no jantar em Leiria

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

O desporto em Portugal vai mudar, está a mudar e vamos ser nós a começar essa mudança. Apresentámos o nosso projeto de cultura desportiva e gestão profissional, a nossa fábrica de campeões que é o Sporting Performance, o modelo de governance independente, o modelo de organização de futebol com o André Cruz como diretor desportivo, o Peter Schmeichel na área internacional, o manual do atleta, o Sporting School, a abertura do Pavilhão a mais modalidades… E nunca mudámos uma única vírgula em relação a tudo o que temos vindo a apresentar ao longo do tempo”.

Um campeão que não vem só: Schmeichel junta-se a André Cruz na estrutura do futebol de João Benedito

No final, as despedidas também individuais. Uns agradeciam, outros motivavam e davam força para o que falta da campanha. Restava ainda mais uma viagem até casa, sabendo entretanto que estava tudo bem com a mulher, que espera a segunda filha. A ligação de João Benedito ao Sporting começou com as viagens que fazia no elétrico número 9 de Campo de Ourique, onde viveu e estudava nos Salesianos, até Alvalade. Hoje, as viagens são maiores, o objetivo é diferente, mas o ponto de chegada ambicionado é o mesmo. No dia 8 ficará a saber se atingiu o destino final desta nova viagem.

O Observador vai publicar até às eleições do Sporting reportagens com todos os candidatos à presidência do clube.

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