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LUÍS BARRA

LUÍS BARRA

“Vá lá fazer chichi e beber um cafezinho": Big Show SIC nasceu há 25 anos e sacudiu a televisão /premium

Marcou a década de 90, ajudou a SIC a derrotar a RTP e fez do "povão" uma estrela do pequeno ecrã. "Programa confrangedor" para alguns, deu fama a João Baião e ao produtor Ediberto Lima. Recorda-se?

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O apresentador era frenético e o público em estúdio estava aos gritos. As câmaras giravam ao ritmo da música e andavam atrás do rabo das bailarinas. Os artistas convidados eram tudo aquilo que raramente passava na TV: cançonetistas de baile e arraial, algumas vozes desafinadas, visuais muito kitsch até para a época. Quem não se lembra? Era o Big Show SIC, esse marco da TV portuguesa dos anos 90, arma principal da estação de Carnaxide na guerra das audiências contra a RTP. Talvez mais importante ainda: ódio de estimação de críticos e comentadores e montra completa da música que se classificou como “pimba”.

Ninguém ficou indiferente. Pioneiro da “TV em movimento”, o Big Show SIC estreou-se há exatamente 25 anos, a 16 de abril de 1995. A forma e o conteúdo sacudiram a linguagem audiovisual portuguesa. O garrido e o estridente elevaram-se, o sóbrio e o virtuoso perderam terreno. E, no entanto, comparado com os escândalos premeditados que os reality shows depois trouxeram, o programa apresentado por João Baião e produzido por Ediberto Lima parece hoje uma brincadeira de crianças.

“Na altura ninguém via”, disse João Baião, com ironia, numa entrevista recente ao Canal Q. “Fui arrasado, chamaram-me tudo. Talvez tenha sido o programa mais polémico antes da era dos reality shows.” E, no entanto, é bem possível que os nascidos nos anos 2000 não vislumbrem sequer o motivo de tanta controvérsia.

“Visto à distância, foi um programa cândido e ingénuo”, analisa agora o jornalista e crítico de televisão Eduardo Cintra Torres, que em tempos viu no Big Show SIC uma “simbiose povo-TV”. “As coisas evoluíram, muitas barreiras foram ultrapassadas. Só tínhamos quatro canais generalistas e a concorrência era ainda assim menor do que hoje, porque não havia estações por cabo nem internet.”

Ao Observador, Ediberto Lima descreve o Big Show SIC como um “programa de entretenimento intemporal, que consegue reunir toda a família à volta da televisão”. Considera que, 25 anos passados, o formato ainda está vivo na mente das pessoas porque elas “sentem falta de um programa popular” falado em português. “O dinamismo e a alegria do Big Show é contagiante, é uma pandemia de alegria. Adapta-se a qualquer país do mundo”, resume, sugerindo que ainda hoje projeta um regresso.

Mila Ferreira, que desde o início integrou o painel de jurados do programa, entende que “havia ali muita pureza”. Hoje, sim, a televisão generalista segue critérios estritos de exaltação das emoções, sugere a cantora e apresentadora. “Uma figura pública que queira ir cantar a um programa do daytime [horário diurno] precisa de levar um dramazinho pessoal para contar, senão não aparece: uma doença, uma separação, uma infância difícil. O Big Show SIC não teve nada disso. Foi uma explosão de gente boa que quis partilhar alegria no ecrã e, nesse sentido, fomos completamente naïfs.”

“Isto é mesmo uma loucura”

O programa era semanal e durava entre três e quatro horas. A primeira emissão, gravada no Estúdio Astrolábio, em Alcântara, foi para o ar num domingo à tarde. O genérico de abertura incluía a canção “Vale Tudo”, do brasileiro Tim Maia – “Vale, vale tudo, só não vale dançar homem com homem nem mulher com mulher”. João Baião apareceu vestido como um Charlot de cores vistosas e, ofegante, fez o anúncio: “Sejam bem-vindos ao Big Show SIC. A partir de agora, os domingos à tarde passam a ter outro nome. O Big Show SIC vai ser esta loucura que vocês veem aqui. Vai ter muita música, muita dança, muitos cantores profissionais e muitos que ainda não são profissionais. Vão estar aqui nesta loucura, porque isto é mesmo uma loucura.”

Os figurinos teatrais mantiveram-se por muitas semanas. João Baião foi palhaço, mágico, sultão, índio, só depois passou a usar fatos de aparência sóbria. Ao lado dele, o corpo de baile parecia obedecer a uma criteriosa representatividade étnica. Só mulheres, com maillots coloridos e acessórios na cabeça, à maneira de um cabaret. Essas bailarinas dos primeiros tempos, tal como a banda ao vivo do maestro Zezinho, eram cedidas pelo Casino Estoril.

O plateau exibia motivos que lembravam as tendas de circo, com assinatura de Fernando Novie, e nas bancadas encontravam-se pessoas comuns, novos e velhos, em número que chegou a ser de 250 quando em 1996 as emissões se transferiram para os Estúdios Valentim de Carvalho, em Paço de Arcos. Câmaras filmavam câmaras e projetores, via-se o teto e o chão — as habituais três paredes de um estúdio passaram a seis.

O programa implantou-se em poucas semanas. O público aderiu e a SIC faturou. A música popular portuguesa tinha finalmente uma montra. Mila Ferreira, hoje com 57 anos, acentua que as críticas ao Big Show SIC foram, na verdade, dirigidas à receita que fez o êxito: à alegria espampanante que enchia o ecrã. “Penso que hoje alguns programas forçam um pouco a alegria do público em estúdio, mas naquela altura era tudo muito espontâneo. Éramos felizes a fazer aquilo”, afirma.

Eduardo Cintra Torres atalha caminho: “Acho que o programa era mau, mas sempre procurei que o meu gosto não se traduzisse em opinião crítica, para não inquinar o que escrevo. Vivemos num país livre, não há nenhum problema em ter programas que são vistos por um grande número de pessoas. Chamar-lhe telelixo era a posição da elite cultural que estava, e está, contra a livre manifestação da cultura popular.”

Musica “pimba” e outros esterótipos

O Big Show SIC esteve no ar durante seis anos, quase ininterruptamente, e mostrou à exaustão artistas comerciais de Portugal e do Brasil — a nata da música “pimba”, termo que começou a ser utilizado naquela altura, a partir da canção “Pimba, Pimba”, de Emanuel. A lista vai muito além desta: Marco Paulo, Quim Barreiros, Ágata, Emanuel, Tony Carreira, Toy, José Malhoa, Roberto Leal, Luís Filipe Reis, Fernando Correia Marques, Marante.

Ao mesmo tempo, serviu de rampa de lançamento para cantores que procuravam afirmação, como Ana Malhoa, Anjos, Ruth Marlene ou Iran Costa (intérprete do estrondoso “O Bicho”). Entre os novatos, nenhum terá alcançado maior repercussão à época do que Saúl Ricardo, criança de seis anos que copiava músicas e trejeitos do consagrado Quim Barreiros. O pequeno Saúl, como muitos lhe chamavam, estreou-se no Big Show SIC e partir daí gravou discos e fez concertos de alta popularidade.

“Rompemos algumas barreiras em termos comportamentais. Reinava ali uma uma loucura saudável em que a pessoa perdia a noção do que estava a fazer", recorda Mila Ferreira

Mas atenção, aponta Mila Ferreira: não foi apenas a música de raiz popular que ali teve palco. Excesso, João Pedro Pais, Além-Mar, Nucha, Delfins, Ricky Martin ou Nik Kershaw também por lá passaram. “Conseguia-se juntar grandes nomes e outros mais populares, o que hoje não acontece na televisão. Ao Big Show SIC tanto ia o Paulo Gonzo e o Luís Represas como o Nel Monteiro ou a Ágata. O que havia de mágico era essa ausência de rótulos musicais.”

Uns meses depois da estreia, o Big Show ganhou um hino próprio, cantado e dançado nos minutos iniciais por João Baião e as bailarinas, conhecidas como Baionetes. “O Big Show está no ar, é nele que eu vou me ligar, é a TV em movimento e está a dar o que falar”, rezava a canção, em português do Brasil, com letra e música de Rodrigo Leal e Guto Silveira.

Aos poucos, juntaram-se personagens que ficariam na história da TV. Desde logo, o DJ Pantaleão. Depois, a assistente de Baião, uma mimo de nome Petra. E ainda as personagens-tipo da rábula semanal A Escolinha do Baião, com os atores Carla Andrino, João Ricardo, Maria Vieira, Maria Henrique, José Raposo e Maria João Abreu. Entre eles estava também o brasileiro Old Soares, que fazia de Mário Jorge, o homossexual efeminado da turma. Por fim, o nome mais sonante: Macaco Hadrianno, personificado por João Bosco, que passava o tempo enjaulado e saía quando os concorrentes, avaliados por um júri, começavam a desafinar — aparentemente de propósito.

Mila Ferreira estava nesse júri, na rubrica “Vale Tudo”. Os candidatos cantavam, dançavam, faziam imitações, mostravam habilidades. Ao lado dela sentavam-se a antiga apresentadora da TVI Cristina Caras Lindas e o radialista Miguel Simões, a que se juntaram ao longo dos anos a fadista Alexandra, o cronista social Carlos Castro, a cantora Ana Malhoa, vários outros.

Em 1995, Mila Ferreira vinha de ser apresentadora de dois programas de muita audiência na TVI, Queridos Inimigos e Doutores e Engenheiros, e tinha uma boa relação pessoal e profissional com Ediberto Lima. Foi ele que a convidou. “Foi um tempo de loucura”, recorda Mila Ferreira. “Rompemos algumas barreiras em termos comportamentais e de linguagem televisiva. Reinava ali uma alegria e uma loucura saudável, em que a pessoa perdia a noção do que estava a fazer. Às vezes extravasávamos as emoções de uma maneira fora do comum.”

João Baião numa das primeiras emissões do programa

EDMÉA BRIGHAM

“O João acordava ao pulos”

1995 foi o ano em que Cavaco Silva terminou uma década como primeiro-ministro e que António Guterres lhe sucedeu no cargo. Os canais privados de TV eram ainda uma novidade em Portugal. A SIC tinha aparecido a 6 de outubro de 1992 e a TVI – que então se chamava a “4” – arrancara a 20 de fevereiro de 1993. Entretanto, em inícios de 1994 aterrava em Lisboa Ediberto Lima, um brasileiro com 18 anos de trabalho no império televisivo da Rede Globo.

Trazia a brilhar no currículo a cobertura do Grande Prémio do Brasil de Fórmula 1, a direção de fotografia de um concerto de Roberto Carlos e outro de Tina Turner no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. Quem o contratou para a SIC foi o jornalista Emídio Rangel, um dos fundadores da rádio TSF e à época diretor de programas e de informação do canal presidido pelo antigo primeiro-ministro Francisco Pinto Balsemão.

“Tinha como responsabilidades a direção de fotografia e o controlo de qualidade”, lembra Ediberto Lima. “O passo seguinte foi tornar-me produtor independente.” É assim que nasce a Ediberto Lima Produções, que vai criar o Big Show SIC e  programas como Buéreré, Muita Lôco, Roda dos Milhões e O Bar da TV.

Embora não reconheça a influência direta, é patente que o produtor se inspirou no Cassino do Chacrinha, um famoso “programa de auditório” que a Globo emitiu entre 1982 e 1988. As bailarinas, os figurinos coloridos do apresentador, os concorrentes, o público em delírio e as câmaras em movimento livre – tudo isso estava lá.

Foi também Ediberto Lima quem escolheu o apresentador. Depois de sondar Fernando Mendes e Rogério Samora, optou por João Baião, 31 anos, ator que tinha passado pelo Teatro Aberto, em Lisboa, e que desde 1992 trabalhava com o encenador Filipe La Féria — primeiro no espetáculo semanal Grande Noite, da RTP, depois na peça Maldita Cocaína, no Teatro Politeama. Sem confirmar aquela sequência de contactos, Ediberto Lima recorda apenas isto ao Observador: “O que ainda se encontra presente na minha memória é o facto de ter ido ao Parque Mayer assistir a uma peça onde o Baião atuava e fiz-lhe o convite.”

Numa entrevista de 2014 ao jornal i, João Baião completou o cenário: “Fui a terceira escolha. O Ediberto falou-me do projeto, uma coisa inspirada no Chacrinha. De repente vejo-me no meio de uma arena cheia de gente aos gritos com música em altos berros. Foi assim que a coisa foi surgindo, do nada. Tinha feito pequenas coisas como apresentador, mas não com público.”

[Ana Malhoa no Big Show SIC:]

Evidentemente, Baião adaptou-se muito bem. Foi a alma do Big Show SIC. “É uma pessoa muito pura, genuinamente feliz e alegre”, descreve Mila Ferreira. “Já depois do Big Show, fizemos digressões pelo país em que eu cantava e ele apresentava. O João acordava aos pulos e passava o dia aos pulos. Ele é mesmo aquilo que se via no programa.”

A prestação do apresentador seria analisada a 26 de janeiro de 1998, menos de três anos depois da estreia, pelo então crítico do Público Eduardo Cintra Torres. “Sendo ele intrinsecamente pimba, gostando daquele tipo de música e de ambiente e fazendo-o com evidentes alegria e energia, o resultado é — para o programa — muito positivo”. Ou seja, concluiu o crítico: “Baião não pretende que gosta daquilo, gosta mesmo, portanto, não representa, apenas é.”

Ataque a Herman José

O Big Show SIC conheceu vários modelos e horários ao longo dos anos. E também várias funções na estratégia de afirmação da SIC. Começou por ser emitido aos domingos à tarde, uma arma na guerra das audiências contra a RTP. Rapidamente, o canal liderado por Emídio Rangel deu a estocada final no monopólio televisivo do Estado. Foi nos meses de abril e maio de 1995 que a RTP1 abandonou o patamar de 40% de share, precisamente a seguir à estreia do Big Show SIC. Abril: 41,7% para a RTP e 37,2 para SIC. Maio: 39,1% para o primeiro canal da estação pública, 40,3% para a estação de Carnaxide — regista o livro Big Show Média, de Nelson Traquina, antigo professor de ciências da comunicação na Universidade Nova de Lisboa.

Meses depois da estreia, mudou de horário e passou a ser usado para combater o concurso Parabéns, que Herman José, no cume da carreira, mantinha na RTP1 aos sábados à noite. “Sim, o Big Show fez parte da estratégia do Rangel para conquistar a liderança”, reconhece agora Ediberto Lima. “O Parabéns do Herman estava para Portugal como a Rainha Isabel II está para Inglaterra. Foi então que o Rangel colocou no ar o Big Show e finalmente colocou a SIC na liderança total.”

Acontece que o formato nunca se livrou de críticas, gozos e disputas. Vilipendiado por críticos e comentadores, elegeram-no símbolo máximo de uma TV para classes baixas que presumivelmente não queria elevar uma certa fasquia. Isso criou problemas de credibilidade à própria SIC. Não foi apenas na imprensa escrita que as críticas fizeram correr tinta. Nos meios académicos o programa também serviu para longas análises, muitas vezes em tom hostil.

Que imitava a lógica das cerimónias evangélicas no Brasil, com o público em transe perante um guia espiritual. Que reduzia a figura do brasileiro à imagem do selvagem (a crítica diria respeito a algum momento concreto que se perdeu no tempo). Que promovia a dissolução dos costumes. “Programa confrangedor, onde nada tem pés e cabeça e tudo faz sentir uma enorme vergonha e até repulsa”, opinou a então jornalista Luísa Jacobetty nas páginas de O Independente (citada no livro de Nelson Traquina).

"Positiva ou negativa, a crítica mostra-nos claramente que estamos vivos, que estamos a ser vistos", diz hoje Ediberto Lima

No Público, Eduardo Cintra Torres escrevia em setembro de 1997 que algumas atitudes do apresentador, dos membros do júri e de alguns músicos e convidados “são de bradar aos céus pela total falta de decoro e ausência de limites”. Porém acrescentava: “Não se pode aceitar a censura externa” ao Big Show SIC. “Os novos moralistas estavam-se nas tintas para que houvesse corrupção das famílias e da juventude nos bairros da lata, nas festas, nas romarias, nas casas das vindimas, nos bairros de prostituição, nas boîtes, nas casas de banho público, nas pensões estrelinhas, nas escolas suburbanas, nos pinhais das nossas Leirias. Nada disso incomodava os novos moralistas das classes médias, porque não viam essas realidades e achavam-nas controladas social e até geograficamente”, sentenciou Eduardo Cintra Torres.

Em 1999, quatro anos depois da estreia, Emídio Rangel decide reduzir-lhe a visibilidade e passa-o para os sábados à tarde, com um corte nas quatro horas habituais, o que alguns interpretaram como uma cedência à barragem de críticas.

“Saía do programa e choviam telefonemas”

O cantor Nel Monteiro foi um dos que atuaram muitas vezes no Big Show SIC. Tinha começado a carreira em 1984, com o álbum Azar na Praia, o que fez dele convidado obrigatório em festas populares pelos quatro cantos do país e junto dos emigrantes portugueses (à conta da passagem nas rádios portuguesas desses países). “Quando o Big Show SIC começou eu já era muito conhecido”, relembra. “O programa era muito mexido, muito variado, com muitos artistas. Era uma festa constante para quem via em casa e para os que estavam no estúdio.”

Prestes a completar 75 anos, Nel Monteiro nasceu em Vilar de Barrou, concelho de Resende, distrito de Viseu, e trabalhou nas vinhas do Douro, na construção civil, em lagares de azeites e como ferroviário da CP. Vive hoje em Albergaria-a-Velha, Aveiro, e ainda não se retirou dos palcos. Era o homem do povo no programa para o povo.

Ainda hoje fica “danado” quando ouve a expressão “música pimba”, que considera desprestigiante para o seu trabalho e uma forma maliciosa de atacarem as suas canções. “Nunca existiu música pimba, o que existe é música popular portuguesa”, justifica. “Aqueles que pensam que fazem música melhor do que os outros é que usam essa palavra. Se forem à net, procurem a discografia do Nel e encontrarão lá músicas de excelência. Aliás, os que dizem isso são os mesmos que eu depois vejo nas festas populares a curtirem as canções a que chamam ‘pimba’.”

Ainda acerca do Big Show SIC, Nel Monteiro reconhece-lhe muita importância na criação de estrelas à escala portuguesa. “Às vezes, saía do programa e choviam telefonemas para saberem se eu queria ir fazer um espetáculo aqui e ali, quanto custava, quanto não custava. Foi uma divulgação muito forte.”

"Programa confrangedor, onde nada tem pés e cabeça e tudo faz sentir uma enorme vergonha e até repulsa", opinou a então jornalista Luísa Jacobetty

MARCOS BORGA

O programa terminou em 2001, a 20 de maio. A reputação de Ediberto Lima “começou a empalidecer quando produziu o tenebroso Bar da TV, uma desesperada tentativa da SIC para combater o Big Brother da TVI”, escreveu em 2014 no Diário de Notícias o antigo jornalista da SIC Nuno Santos, atual diretor de programas do quarto canal. “O programa correu mal, a SIC desmoronou-se e Ediberto foi na enxurrada.”

Mas há mais: 2001 foi ainda o ano em que a longa luta cerrada pela audiências deixou exaustos todos os principais operadores, ao mesmo tempo que o mau estado da economia, agravado pelos atentados de 11 de Setembro nos EUA, levou as estações a investirem menos na produção. Fechava-se um ciclo.

“Basicamente, o Big Show SIC deixou de conseguir manter o equilíbrio custo-benefício. Não é a explicação real, é uma explicação teórica”, remata Eduardo Cintra Torres. “Pode ter sido o cansaço do apresentador, do produtor, não sei. Aquilo normalizou-se e quando as coisas deixam de ser novidade, não atraem.”

Ediberto Lima tem hoje 67 anos, vive em Cascais, “uma vila com muita qualidade de vida”, nota, e profissionalmente dedica-se ao marketing e a workshops (não quer entrar em pormenores). Mantém-se orgulhoso do produto que criou há 25 anos. Continua a defender que um criador de objetos mediáticos deve saber falar a linguagem do povo, sobretudo daqueles que não vivem nas grandes cidades e que têm exigências culturais próprias.

À distância, como interpreta ele as críticas que lhe faziam? “São e sempre serão muito bem-vindas”, diz. “As críticas trazem quase sempre consigo algumas mensagens retiradas da Caixa de Pandora. Positiva ou negativa, a crítica mostra-nos claramente que estamos vivos, que estamos a ser vistos. Ninguém dá chuto em cão morto.”

De passagem por Angola em 2014, Ediberto Lima dirigiu a TV Zimbo, canal privado que concorre com a Televisão Pública de Angola. E lá também fez um Big Show, com Teka Kanga na apresentação.

“Desde o primeiro momento, liderou as audiências de forma esmagadora. Não havia em Angola nenhum televisor que ao sábado à noite não estivesse ligado no Big Show“, conta Ediberto Lima. E logo desabafa: “Sinto que me falta o essencial: regressar à televisão.” Quer isto dizer que planeia um novo Big Show em Portugal? Resposta ambígua: “As adaptações necessárias já estão pensadas e o regresso depende somente do sinal verde da televisão.”

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