1230,6kWh poupados 1230,6 kWh poupados com a
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica.
Saiba mais

i

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Ventura escolheu Gouveia e Melo como principal adversário e tentou reduzir corrida a quatro

Ventura diz ser o "candidato que está farto", o único antissistema. Colou Gouveia e Melo, Marques Mendes e Seguro, ignorou Cotrim e considerou que candidatura é a melhor forma de liderar a oposição.

Está oficializada a candidatura de André Ventura à Presidência da República nas eleições de 2026. Depois de muitas declarações sobre como “não seria o ideal para a democracia”, de uma procura por “nomes possíveis” e de uma assunção de falhanço nessa tarefa, o líder do Chega ficou sem soluções, avançou e considerou que a candidatura “é, neste momento, a melhor forma de liderar a oposição em Portugal”.

Num anúncio na sede nacional do Chega, André Ventura justificou que o partido líder da oposição não pode ficar “em silêncio” nem pode “ignorar os seus apoiantes e militantes”, pelo que teria de ir a jogo e não “virar a cara” ao desafio, independentemente do “risco político” que isso possa significar. “A política sem risco é uma chatice”, justificou, citando Sá Carneiro, e assumindo que, ainda que não tenha “desejado” estas eleições, entra nelas para chegar à segunda volta.

Essa ambição, à boleia do crescimento do Chega e do momento positivo que o partido vive, tornou-se o principal gatilho para que Ventura vá a votos, tendo em conta que é a única garantia do partido para alcançar esse objetivo. Aliás, o presidente do Chega não escondeu que tentou e falhou no momento de apresentar outro candidato: “Durante os últimos meses procurei garantir que o Chega tinha um candidato à altura das aspirações, não um candidato qualquer que deixasse pelo caminho o partido, mas alguém que nos levasse à segunda volta das eleições presidenciais de 2026 e mostrasse aquilo em que acreditamos. Falhei nessa tarefa de encontrar alternativa. Não é segredo para ninguém.”

E disse mais, assumindo um desejo antigo: “É sabido de todos que tinha preferido que Pedro Passos Coelho fosse candidato a Presidente da República.” Nem só de tentativas se fez a longa história de Ventura nestas eleições presidenciais, já que acabou por assumir um erro ao colocar Gouveia e Melo nos nomes a “ter em conta”.

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

O adversário “que acontece ser militar” e a luta a quatro

Por outro lado, há um nome que esteve na equação e Ventura não ignorou. “Sei que me referi ao almirante Gouveia e Melo num primeiro momento desta caminhada presidencial. Quero pedir desculpa aos portugueses. Não sabia, como não podia saber, que o almirante Gouveia e Melo, não obstante a forma como se apresentava às eleições presidenciais de fora do sistema, traria para dentro da sua candidatura o pior que o sistema político tem, ou teve, como acontece com Isaltino Morais ou com Rui Rio”, referiu o líder do Chega.

Prosseguindo naquela que já se previu que seja a narrativa de campanha: “As eleições do dia 18 de janeiro serão entre uma candidatura que representa, em nome do Chega, o antissistema e um corte com o domínio dos partidos, e uma candidatura do almirante Gouveia e Melo, que o farão representante do espaço socialista.” Ventura fez questão de tornar Gouveia e Melo, que todas as sondagens colocam em primeiro lugar, como o seu principal adversário e acusando-o de “concordar com o Presidente da República nas leis de imigração, ser contra as propostas do Chega para investigar os responsáveis pelos incêndios e o poder económico por detrás dos incêndios, ou que se alinharia com o PS e com o PSD para fazer valer a cultura do sistema”.

Ventura chegou mesmo a chamar a Gouveia e Melo um “candidato que acontece ser militar”, desvalorizando a farda, que há muito é apontada como um ponto relevante para o eleitorado do Chega.

De resto, André Ventura diminuiu a corrida a quatro candidatos, ao fazer apenas referências a “três candidatos presidenciais” além do próprio: Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes e António José Seguro. E deixando de fora os restantes nomes também eles associados a partidos, como é o caso de João Cotrim Figueiredo, Catarina Martins ou António Filipe.

“O sistema sempre quis uma candidatura fraca do Chega nestas eleições”, concluiu, garantindo que o Chega jamais terá candidaturas para “perder ou fracas” e deixando claro que estas presidenciais servirão, nas palavras de Ventura, para “acabar de vez como bipartidarismo e enterrá-lo”. A conquista dessa meta será, realçou, “a garantia de que [o Chega] tomou a opção certa para estas eleições presidenciais”.

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

O “candidato que está farto” não queria ir a votos, mas leva bandeiras do Chega

André Ventura foi dizendo, dia após dia, que não queria ser candidato a Presidente da República, chegou a referir (e a repetir) que seria um “mau sinal para a democracia” o líder da oposição ter de se candidatar a Belém e que o fato que lhe assenta melhor é o de primeiro-ministro. Nada disso o fez ficar fora da corrida. Durante o anúncio, o líder do Chega voltou a repetir a mesma tese, mas “entende que, nas circunstâncias em que condicionaram [o Chega], não há outra forma senão derrotar o sistema também nestas eleições presidenciais”. “Estas eleições presidenciais não foram uma escolha minha, não são o meu desejo, mas são, neste momento, a melhor forma de liderar a oposição em Portugal”, argumentou o presidente do Chega, acrescentando que estas eleições “trouxeram para a sua candidatura o pior que o sistema tem” e que, também por isso, o partido que lidera não podia ficar de fora.

Mesmo assim, o líder do Chega reconheceu que há “riscos” — nomeadamente o de perder algum capital político, como chegou a assumir em entrevista à CNN —, porém justificou que se ficasse a assistir seria ser “igual a todos os outros partidos”, estaria a pensar numa “jogada estratégica”. Agora que deu o passo em frente, Ventura explicou ao que vem e, principalmente, para quem se dirige. Destacou os ex-combatentes que há muito são bandeira do Chega, os que “sentem que a democracia lhes prometeu tudo e os traiu” e os que foram “deixados de lado para que outros tomassem o lugar do privilégio e beneficiassem dos privilégios ilimitados de uma classe política corrupta e de um Estado corrompido”.

E foi ao que não pode faltar num partido que tem conquistado os mais novos: os jovens. “Quero ser o candidato desses jovens, dos que votaram no Chega e que acreditam que o país pode ser diferente, não com os Marques Mendes ou com os almirantes desta vida, mas com políticos novos, diferentes, políticos que não foram abalroados pelos vícios que o sistema político transporta em si”.

Ventura também referiu a corrupção, recuperando uma das bandeiras do Chega para o arranque da candidatura presidencial, até como uma referência a José Sócrates, que, diz, “devia estar na cadeia”. André Ventura entende ser o “o candidato que diz que está farto e que quer representar os que estão fartos de pagar impostos para as minorias ruidosas que continuam a inundar o nosso país e a servir-se dos privilégios do Estado”.

E prometeu: “Serei o candidato que, com imprensa ou sem imprensa, vai dizer que os ciganos têm que cumprir a lei, mesmo que não gostem. Que os imigrantes ilegais terão que voltar para o seu país, mesmo que não gostem. Que os subsídio-dependentes terão de cumprir regras e terão o fim dos subsídios à vista, mesmo que não gostem.”

Ao fim de 20 minutos, André Ventura saiu sem responder a perguntas dos jornalistas — raro no caso do presidente do Chega — e deixou questões no ar, não só sobre como será líder da oposição e candidato ao mesmo tempo, mas também como fica o Governo-sombra que está prometido para esta quinta-feira. Uma coisa é certa, Ventura entrou na corrida e vai abanar a disputa à direita.

Ofereça este artigo a um amigo

Enquanto assinante, tem para partilhar este mês.

A enviar artigo...

Artigo oferecido com sucesso

Ainda tem para partilhar este mês.

O seu amigo vai receber, nos próximos minutos, um e-mail com uma ligação para ler este artigo gratuitamente.

O seu plano não inclui a oferta de artigos

Para poder oferecer artigos aos seus amigos, faça upgrade para um plano de subscrição superior.

Ofereça até artigos por mês ao ser assinante do Observador

Partilhe os seus artigos preferidos com os seus amigos.
Quem recebe só precisa de iniciar a sessão na conta Observador e poderá ler o artigo, mesmo que não seja assinante.

Este artigo foi-lhe oferecido pelo nosso assinante . Assine o Observador hoje, e tenha acesso ilimitado a todo o nosso conteúdo. Veja aqui as suas opções.

Atingiu o limite de artigos que pode oferecer

Já ofereceu artigos este mês.
A partir de 1 de poderá oferecer mais artigos aos seus amigos.

Aconteceu um erro

Por favor tente mais tarde.

Atenção

Para ler este artigo grátis, registe-se gratuitamente no Observador com o mesmo email com o qual recebeu esta oferta.

Caso já tenha uma conta, faça login aqui.