- O que é a andropausa?
- Como se manifesta a andropausa?
- Como se faz o diagnóstico?
- Todos os homens passam por esta fase?
- É apenas um processo biológico ou tem repercussões na saúde mental?
- As mudanças de humor podem ser um grande problema?
- A andropausa pode levar a uma depressão?
- Em que casos é aconselhado acompanhamento psicológico?
- Quais os tratamentos disponíveis?
- Há forma de prevenir?
Explicador
- O que é a andropausa?
- Como se manifesta a andropausa?
- Como se faz o diagnóstico?
- Todos os homens passam por esta fase?
- É apenas um processo biológico ou tem repercussões na saúde mental?
- As mudanças de humor podem ser um grande problema?
- A andropausa pode levar a uma depressão?
- Em que casos é aconselhado acompanhamento psicológico?
- Quais os tratamentos disponíveis?
- Há forma de prevenir?
Explicador
O que é a andropausa?
É a diminuição dos níveis de testosterona, a hormona masculina, que acontece devido ao processo natural de envelhecimento dos homens. É uma condição clínica também conhecida como síndrome de deficiência androgénica.
O nome surgiu como um paralelismo à menopausa das mulheres, mas são processos fisiológicos distintos, embora com um ponto em comum: a diminuição da produção de hormonas sexuais. Na andropausa, a redução é mais gradual.
“Ao contrário da menopausa, caracterizada por alterações hormonais abruptas que fazem com que a mulher deixe de poder ter filhos, a andropausa é um processo mais subtil e variável, não implicando a infertilidade”, explica o psiquiatra João Pedro Lourenço, membro da Sociedade Portuguesa de Psicossomática. Um homem consegue ter filhos até uma idade avançada e pode produzir esperma até depois dos 80 anos.
Como se manifesta a andropausa?
Há vários tipos de sintomas.
- Sexuais: diminuição da libido, disfunção erétil, maior dificuldade em atingir o orgasmo;
- Emocionais: fadiga, dificuldades de concentração, insónia ou sono agitado, irritabilidade, ansiedade, perturbações de humor;
- Físicos: perda de massa muscular e/ou óssea, aumento da massa gorda (sobretudo abdominal), aumento do volume mamário (ginecomastia), e até afrontamentos (ondas súbitas de calor intenso e batimentos cardíacos acelerados).
Habitualmente, os sintomas manifestam-se entre os 40 e 60 anos, embora haja fatores individuais ou ambientais que podem potenciar uma andropausa precoce, nomeadamente doenças como a diabetes e a obesidade, ou estilos de vida de muito stress e hábitos tabágicos.
“Um exemplo típico é um homem nos seus 50 anos começar a sentir-se mais cansado do que o habitual, com menos desejo sexual e emocionalmente mais reativo ou retraído.”
“Alguns sintomas da andropausa, como as oscilações do humor, irritabilidade, dificuldades de concentração ou alterações do sono, também são indicativos de problemas de saúde mental, como depressão ou ansiedade.”
Como se faz o diagnóstico?
O diagnóstico baseia-se numa avaliação clínica cuidada (incluindo exame físico), complementada por análises ao sangue, nomeadamente aos níveis de testosterona.
“Níveis de testosterona abaixo do normal em homens sem sintomas ou impacto na qualidade de vida não implicam tratamento, uma vez que podem ser consequência natural do envelhecimento”, diz o psiquiatra.
Todos os homens passam por esta fase?
Sim. A diminuição de testosterona é inevitável, consequência do avanço da idade, mas nem todos a sentem da mesma maneira.
Apesar de os níveis de testosterona diminuírem gradualmente com a idade, aproximadamente 1% a partir dos 30-40 anos, e cerca de 40% dos homens com mais de 45 anos terem baixos níveis de testosterona, nem todos desenvolvem os sintomas característicos da andropausa.
Tudo depende, sublinha o psiquiatra, de fatores genéticos, do estilo de vida, e, sobretudo, da qualidade da saúde física e mental.
É apenas um processo biológico ou tem repercussões na saúde mental?
As repercussões da andropausa na saúde mental são quase inevitáveis, indicam os especialistas. As alterações hormonais influenciam o funcionamento químico cerebral responsável pelo humor, motivação e cognição, o que contribui para perturbações mentais ou agravamento de problemas já existentes.
“Os homens podem reagir com maior impaciência ou hipersensibilidade a eventos externos comuns ou desenvolver sentimentos de desesperança em relação ao futuro”, diz João Pedro Lourenço. Um exemplo típico, descreve, é de um homem com uma vida que parece estável, mas que gradualmente começa a sentir-se desligado do trabalho, do cônjuge, de passatempos habituais.
Além disso, sustenta, “os sintomas sexuais podem afetar muito negativamente não só a satisfação com a vida sexual, mas, compreensivelmente, com a qualidade das relações afetivas e a própria autoestima.”
As mudanças de humor podem ser um grande problema?
Sim, podem. As alterações do humor, que inicialmente podem ser subtis e “apenas” condicionar reações emocionais mais intensas a eventos adversos, podem posteriormente contribuir para o surgimento de episódios depressivos ou de ansiedade generalizada com impacto significativo na vida profissional, relacional e afetiva.
A andropausa pode levar a uma depressão?
Pode. Um homem pode deprimir na andropausa quando se destapam ou agravam episódios depressivos, especialmente quando o impacto emocional não é reconhecido ou valorizado. “Os sinais incluem tristeza persistente, perda de interesse nas atividades prazerosas, dificuldades de concentração ou alterações do sono ou apetite”, adianta o psiquiatra.
O impacto da depressão estende-se a várias áreas da vida, dentro e fora de casa. Dificuldade em se concentrar no trabalho ou nas atividades mais banais, sentir-se menos interessado no que antes lhe dava prazer ou isolar-se dos outros. “Com o tempo desenvolvem-se sentimentos de frustração, baixa autoestima, desesperança e, nos casos mais graves, ideias de morte.”
Em que casos é aconselhado acompanhamento psicológico?
Este tipo de apoio é particularmente importante quando o impacto emocional interfere na vida quotidiana e nas relações.
“Homens que apresentem sintomas depressivos e/ou de ansiedade ou que estejam com dificuldades em integrar o processo de envelhecimento no seu percurso de vida podem beneficiar muito com o acompanhamento psicoterapêutico”, garante o psiquiatra.
Quais os tratamentos disponíveis?
O tratamento depende da gravidade e do impacto dos sintomas no dia a dia. As opções incluem mudanças no estilo de vida, psicoterapia e, em alguns casos, terapia de reposição de testosterona, cuja relação custo-benefício exige uma avaliação médica especializada, pelos riscos que apresenta.
Há forma de prevenir?
Uma vez que se trata de um processo natural do envelhecimento, a diminuição gradual dos níveis de testosterona não pode ser evitada. No entanto, algumas medidas e formas de estar podem atrasar ou suavizar os impactos da andropausa.
Aconselha-se, por isso, uma alimentação equilibrada e saudável, a prática de exercício físico com regularidade para aumentar as reservas de energia e prevenir a perda de massa muscular, bem como evitar substâncias tóxicas e gerir o stress para dormir bem e melhorar o humor.