O multimilionário e um dos fundadores da Microsoft, Bill Gates, costuma ser um alvo preferencial de publicações virais. Desta vez, o assunto está ligado à vacinação, um tema muito discutido quer nos Estados Unidos da América quer um pouco pelo mundo inteiro, já que o grande objetivo atual contra a pandemia é a corrida para descobrir uma vacina contra o novo coronavírus. “Você sabia que Bill Gates se recusa a vacinar os seus próprios filhos?”, pergunta o post de 8 de outubro, atribuindo uma citação a um alegado médico do filantropo sobre a recusa de Gates em vacinar os seus três filhos. “Não sei se ele os vacinou em adultos, mas posso dizer que se recusou terminantemente a vaciná-los quando eram crianças. Eram crianças lindas, muito inteligentes e vivazes. Bill Gates disse que ficariam bem como estavam, não precisando de nenhuma injeção”, lê-se no post. Trata-se, no entanto, de uma publicação falsa que foi verificada anteriormente por outros fact-checkers internacionais.

A informação veiculada, apesar de referir um profissional de saúde como sendo alguém que foi “médico particular Bill Gates em Seattle na década de 90”, não refere o seu nome nem quando é que estas alegações foram proferidas. Diz também que estas palavras terão sido ditas durante um simpósio, mas nem refere quando esse simpósio aconteceu nem de que evento se tratava. Além disso, este boato já corre nas redes sociais desde 2018, tendo sido verificado — e considerado como falso — por vários órgãos de comunicação social e fact checkers internacionais como a Reuters, a Agência Lupa, o Associated Press (AP) ou o Poynter, Instituto de Estudos de Média e detentor da Rede Internacional de Fact Checking.

Por outro lado, em 2019, Melinda Gates, mulher do filantropo de Seattle, veio garantir, através do Facebook, que todos os seus filhos “estavam plenamente vacinados”. Nessa publicação, garante também que “a vacinação resulta” e que, “se menos pessoas decidirem aceitá-la, iremos ficar mais vulneráveis à doença”, afirma.

Na verdade, há dois anos, meios de comunicação social como a Reuters ou a AP falaram com o editor do YourNewsWire (que agora se chama NewsPunch), responsável por espalhar esta informação, que afirmou que a história foi copiada de um blogue. “Os nossos standards editoriais mudaram de forma significativa desde que o artigo sobre Bill Gates foi publicado, já não defendemos os argumentos apresentados nesse texto”, referiu a publicação, citada pela agência de notícias britânica.

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Este portal foi anteriormente criticado por espalhar notícias falsas e o próprio autor do artigo inicial, que dá pelo pseudómino de Baxter Dmitry, já foi criticado pelas mesmas razões, tal como apontou o Poynter. É que o portal inicialmente referido já tinha sido verificado por fact checkers cerca de 80 vezes.

Nenhum dos verificadores de factos que analisaram esta publicação, como a Reuters ou a Agência Lupa, encontraram informações que validassem a ideia de que Bill Gates não vacinou os seus filhos quando eram mais novos.

Através da sua fundação (Bill & Melinda Gates Foundation), Bill Gates e Melinda Gates têm dedicado uma especial atenção ao tema da vacinação, através de financiamentos milionários para esta causa. Durante a pandemia da Covid-19, o casal, através da fundação, doou 100 milhões de dólares para detetar, isolar e tratar doentes infetados.

Conclusão

É falso que Bill Gates não tenha vacinado os seus filhos quando eram mais novos. Esta informação já foi desmentida por vários fact-checkers internacionais num passado recente, até porque a informação veiculada foi publicada num portal de notícias que disseminou notícias falsas. Melinda Gates, mulher do filantropo, também veio garantir que os seus três filhos foram vacinados, através da sua página oficial de Facebook. A Fundação do casal multimilionário tem vindo a financiar esta temática, quer no passado quer agora, devido à pandemia do novo coronavírus.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota 1: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

Nota 2: O Observador faz parte da Aliança CoronaVirusFacts / DatosCoronaVirus, um grupo que junta mais de 100 fact-checkers que combatem a desinformação relacionada com a pandemia da COVID-19. Leia mais sobre esta aliança aqui.

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