Uma publicação no Facebook traz uma frase atribuída à líder do Bloco de Esquerda a defender que o 25 de novembro de 1975 não seja lecionado nas escolas. A imagem de Catarina Martins surge ao lado de uma frase que nunca foi dita pela coordenadora do BE.

“Está na hora de excomungar a data do 25 de novembro dos livros escolares”, aparece escrito a letras brancas, como se fosse uma frase de Catarina Martins que, de facto, já se opôs, em votações parlamentares, a textos evocativos ou de saudação pelo dia que representou o fim do Processo Revolucionário em Curso em que vivia o país desde o 25 de Abril de 74. Ainda assim, a líder do Bloco de Esquerda nunca defendeu, segundo confirmou o Observador junto de fonte oficial do partido, que este evento histórico deixe de constar dos manuais escolares, como indica a frase que lhe é atribuída nesta publicação. Não existe nenhum registo neste sentido.

Tal como não é verdade a restante afirmação que aparece na mesma publicação e que coloca Catarina Martins a defender que se acabe “com essa instituição fascista e anacrónica dos Comandos”, uma tropa especial do Exército. A coordenadora do Bloco de Esquerda nunca se referiu àquela unidade militar nestes termos, mas a ideia de acabar com o regimento de Comandos não está errada, quando atribuída à líder do Bloco, que já defendeu a sua extinção em 2016.

“Reconhecer a tragédia exige extinguir o batalhão de Comandos”, defende Catarina Martins

“Em 1993, acabou-se com o regimento de Comandos. E bem”, afirmou a coordenadora do BE, em setembro de 2016, depois de uma reunião da Mesa Nacional do BE, defendendo que aquela força “não responde a uma necessidade específica hoje” na democracia portuguesa e tem sido permanentemente marcada “pela tragédia”. “É necessário que, reconhecendo a tragédia, se acabe com o batalhão de Comandos, que não devia ter sido reativado em 2002”, disse Catarina Martins, numa referência a um episódio que tinha acontecido naquele Verão, com a morte de dois recrutas do 127.º curso de Comandos, durante o primeiro fim de semana de treinos.

A posição da coordenadora do Bloco de Esquerda foi conhecida a 10 de setembro de 2016, no mesmo dia em que foi conhecida a morte do segundo recruta do 127º curso de Comandos a perder a vida. Dylan Araújo da Silva estava internado há quatro dias no Hospital de Curry Cabral, para onde foi transferido com um quadro de falência hepática depois de ter sofrido um golpe de calor na fase inicial do curso. Dias antes, outro recruta, Hugo Abreu, já tinha perdido a vida em pleno Campo de Tiro de Alcochete, durante a realização de exercícios de treino.

Comandos. Estado chega a acordo extrajudicial para pagar 410 mil euros às famílias

As duas mortes e os vários casos de militares que integravam o curso e que tiveram de receber assistência médica deram origem a um processo judicial que ainda decorre em Lisboa. No final da semana passada, soube-se que o Estado português tinha chegado a acordo com as famílias de Hugo Abreu e Dylan Araújo da Silva para o pagamento de uma indemnização de 200 mil e 21o mil euros, respetivamente, às famílias dos dois militares.

Conclusão

Não é verdade que Catarina Martins tenha alguma vez defendido que o 25 de novembro de 1975 deva deixar de ser lecionado nas escolas. E também não é verdade que alguma vez se tenha referido aos Comandos como uma “instituição fascista e anacrónica”, embora seja defensora da extinção desta força militar.

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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