No dia 23 de fevereiro, o site Jornal Diário Online dava conta de que tinha sido “confirmado o primeiro caso de coronavírus em Portugal”. Numa altura em que aumenta o alarme social em torno do novo coronavírus, que teve epicentro na China mas já está a alastrar-se à Europa, todo o cuidado com as palavras é pouco. E, neste caso, o título é falso. No dia 22 de fevereiro houve, de facto, a primeira confirmação de um cidadão português infetado, mas o contágio deu-se no Japão — não em Portugal.

Até ao dia de hoje (26 de fevereiro), pelo menos, não há casos de doentes infetados com o Covid-19 em Portugal. Além do título, o conteúdo do artigo começa por dizer que “foi confirmado o primeiro caso de coronavírus de um português infetado em Portugal”, o que é, novamente, mentira. Isto porque o português em causa se trata de Adriano Maranhão, um homem de 41 anos natural da Nazaré que fazia parte da tripulação do navio “Diamond Princess” que foi posto em quarentena ao largo da costa do Japão.

O título e o “lead” do artigo são completamente falsos.

É errado dizer que se trata de um português infetado em Portugal. Adriano Maranhão esteve de facto em quarentena no navio (juntamente com toda a tripulação), depois de lhe terem sido feitos os primeiros testes à saliva que deram ‘positivo’. Foi nessa altura que o português ficou confinado a uma cabine, em isolamento, durante quatro dias. Só esta terça-feira, depois de muita “pressão” e diplomacia de Portugal junto das autoridades japonesas, o paciente português conseguiu ser transportado para um hospital japonês na cidade de Okasaki, onde está a receber tratamento.

O resto do artigo dava conta de que o homem estava a bordo do referido cruzeiro, ao largo do Japão, e que a diretora-geral de Saúde, Graça Freitas, ainda estava naquela altura à espera de confirmação oficial, tendo admitido já ter recebido informação do Japão a informar que a tripulação do navio tinha começado a ser testada no dia 20.

Tal como o Observador relatou, Adriano Maranhão esteve vários dias em isolamento no “Diamond Princess”, numa situação igual à de muitos outros passageiros já infetados: obrigado a manter-se em isolamento, sem qualquer contacto sequer com outros passageiros. Inicialmente, o português, que chegou a falar com jornalistas por videoconferência, dava conta de que não tinha sintomas, apenas algum cansaço derivado da situação, mas mais tarde começou a ter febre — só com sintomas gripais é que os pacientes em isolamento teriam prioridade para serem encaminhados para os hospitais do Japão. “Sinto-me um parasita”, desabafou Adriano Maranhão à CMTV naquela altura. “Sinto-me de mãos e pés atados, não consigo fazer nada dentro de uma cabine”, acrescentava ainda.

Não se sabe, para já, quando Adriano Maranhão, que trabalha naquela empresa de cruzeiros há cinco anos, terá alta ou poderá voltar para Portugal. Outros dois portugueses que estavam no navio foram testados para Covid-19 mas os resultados deram negativo e tiveram logo autorização para sair do navio e regressar ao país. De resto, Portugal já testou 18 pacientes que tinham viajado para áreas infetadas e que se queixaram de sintomas de gripe, mas todos os 18 testes até agora feitos deram negativo.

Conclusão

A conclusão, portanto, é de que o título e o início do artigo são falsos: não foi detetado nenhum caso de coronavírus em Portugal. O título e o arranque do texto evidenciam em erro e são alarmistas, dando a informação errada de que foi detetado um caso do novo coronavírus em Portugal quando, na verdade, o caso detetado foi de um português que está no Japão — e não se sabe ainda quando terá permissão para voltar ao país. Em Portugal já foram feitos testes a 18 pessoas que viajaram para áreas afetadas e evidenciaram sintomas gripais, mas todos os testes deram, até à data, negativo.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

De acordo com o sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

PARCIALMENTE FALSO: as alegações dos conteúdos são uma mistura de factos precisos e imprecisos ou a principal alegação é enganadora ou está incompleta;

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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