“Ninguém compreende melhor as red carpets do que eu. Durante a era dourada que eu criei na Casa Branca, mais de 100 mil postos de trabalho foram criados na indústria da moda em Nova Iorque”, ouve-se Donald Trump a afirmar num vídeo que circula no Facebook desde o início de maio.

Um utilizador que partilhou o excerto do vídeo diz que o Presidente dos EUA se “está a queixar de não ter sido convidado para a Met Gala“. Num excerto seguinte surge Anna Wintour, editora-chefe da Vogue e co-presidente de longa data do Met Gala, a afirmar que removeu Trump da lista de convidados do evento de forma permanente quando ele se tornou Presidente, mesmo depois de ter sido um fiel convidado por vários anos.

Met Gala. Chapéus exagerados e alfaiataria em preto e branco para celebrar o dandismo negro

“A Met Gala não é Mar-a-Lago, nem um palco para a demonstração do poder e da riqueza. Por isso faço questão de não reservar um lugar para ele”, afirma ainda Wintour em relação a Trump.

Tanto o discurso de Donal Trump sobre a Met Gala, a partir de um púlpito da presidência norte-americana, como a intervenção de uma das principais organizadoras do evento foram geradas por Inteligência Artificial (AI, na sigla em inglês).

Há, desde logo, vários sinais que apontam para essa manipulação digital: a voz de ambos por vezes é entrecortada e denota-se também a falta de sincronização do som das palavras com os movimentos dos lábios das duas figuras.

Segundo o jornal de verificação de factos norte-americano Snopes, que analisou ambos os vídeos, a gravação de Donald Trump tem origem na rede social TikTok, através do utilizador @7.dazzle_daily, que publica no seu perfil dezenas de vídeos produzidos através de ferramentas de inteligência artificial. O vídeo em concreto, de Trump a lamentar ter sido banido da Met Gala, tinha sido removido da conta no dia 8 de maio.

Além disso, o mesmo jornal questionou diretamente a Casa Branca sobre o vídeo, para que não restem dúvidas. Um porta-voz garantiu que o vídeo constitui “uma notícia falsa”.

A manipulação digital foi feita a partir de um vídeo, disponível no YouTube, no canal da PBS, em que o Presidente dos EUA discursava sobre investimentos americanos na Casa Branca, no dia 30 de abril.

Também o excerto do vídeo protagonizado por Anna Wintour é um deepfake, também ele desmontado pela Snopes, que recorreu a ferramentas de deteção de AI na voz e imagem da editora-chefe da Vogue.

Apesar de os vídeos serem falsos, é verdade que Wintour fez declarações públicas, em 2017, que apontam Trump como alguém que ela “nunca convidaria de volta” para a Met Gala. Disse-o num programa de James Corden, disponível no YouTube.

Não se sabe se se trata de uma exclusão formal do Presidente norte-americano, mas a última vez que Trump marcou presença no evento foi em 2012.

Conclusão

Em suma, é falso que Donald Trump tenha aproveitado uma declaração pública, a partir do púlpito da presidência dos EUA, para lamentar ter sido banido da Met Gala, que teve lugar a 5 de maio, em Nova Iorque. É certo que Anna Wintour referiu publicamente, há vários anos, que nunca voltaria a convidar esta figura para o evento, mas nem está confirmado formalmente que Trump esteja banido do evento.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

IFCN Badge