A 2 de junho surgiu uma publicação no Facebook com uma imagem de Hitler, a segurar uma Bíblia, ao lado de outra fotografia igual, mas do presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump. O presidente norte-americano segurou a Bíblia depois de ter caminhado até à Igreja Episcopal de St. Johns, próxima da Casa Branca, assim que os manifestantes foram dispersados, com gás pimenta e bastões. Chegou às 17,6 mil visualizações e teve 647 partilhas. Trata-se, no entanto, de uma publicação falsa. A fotografia do líder nazi foi editada.

Uma das publicações teve 255 partilhas

Assim que foram divulgas as imagens de Donald Trump a segurar numa Bíblia, junto à Igreja Episcopal de St.Johns, surgiram logo vários memes e teorias da conspiração nas redes sociais sobre o motivo pelo qual o presidente norte-americano teria escolhido fazer aquele número político. Além disso, começou a aparecer também a tal fotografia de HItler, comparando-o a Trump. O problema é que a imagem do líder nazi foi editada, como conta a agência Reuters, que também verificou esta publicação.

De facto, a imagem de Hitler é real, tendo sido tirada em Obersalzberg, na Baviera, Alemanha, (antiga República de Weimar), e até está disponível para ser comprada no banco de imagens Getty Images. Na fotografia original, a mão do líder nazi está erguida ao alto, em jeito de saudação nazi, mas não contém nenhum objeto, ou seja, não se faz acompanhar da Bíblia. Noutro banco de imagens, o Alamy Images, também é possível encontrar a fotografia original, e obter mais informação. A par da Reuters, o site de fact-checks norte-americano, Snopes, também já considerou esta publicação como falsa.

A fotografia de Donald Trump a segurar a bíblia é verdadeira e há uma história por detrás da mesma. No auge dos protestos pela morte de George Floyd, Donald Trump decidiu visitar uma igreja que tinha sofrido danos durante as manifestações a poucos metros da Casa Branca. O The New York Times contou mais tarde que o momento foi ideia de Ivanka Trump, numa altura em que a equipa tentava apagar a imagem de que o Presidente se tinha protegido no bunker da Casa Branca durante os protestos.

A ação de Trump motivou críticas de vários setores da sociedade norte-americana. O padre jesuíta James Martin disse estar “revoltado” e advertiu que a “religião não é uma arma de arremesso político”.

No dia seguinte, 20 líderes religiosos foram ao local manifestar-se contra o que o presidente tinha feito no dia anterior (1 de junho). O reverendo George C. Gilbert Senior considerou que Donald Trump agiu de forma “imperdoável” ao usar a Bíblia como uma “muleta para promover sua agenda”.  E acrescentou: “Este é um momento grave da história dos EUA e sinto que o que Donald Trump, nosso presidente, fez é um escárnio (…) Estar em frente a uma igreja com a Bíblia na mão, sendo que ele nem frequenta a igreja com regularidade, é algo desonesto.”

Já o pastor Mark Burns — líder religioso negro que apoia Donald Trump — saiu em defesa do presidente dos EUA: “Por que razão presidente dos Estados Unidos, líder do mundo livre, não confiaria na palavra de Deus para reaproximar essa nação dividida?”

Conclusão

Não é verdade que o presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, tenha segurado a Bíblia como Hitler fez, segurando o livro nas mãos. É verdade que o presidente norte-americano segurou a Bíblia depois de ter caminhado até à Igreja Episcopal de St. Johns, próxima da Casa Branca, assim que os manifestantes foram dispersados, com gás pimenta e bastões No entanto, a imagem do líder nazi foi alterada, como verificou a agência Reuters e o site de fact-checks norte-americano, Snopes. A fotografia pode ser encontrada em dois bancos de imagem para compra: o Alamy Images e o Getty Images e facilmente se comprova que Hitler não segurava nada na mão na imagem original.

De acordo com o sistema de classificação do Observador este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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