Prince Rogers Nelson, o artista que até tentou mudar por duas vezes a forma como era conhecido mas será para sempre recordado e celebrado como Prince, morreu no dia 21 de abril de 2016, com 57 anos. Agora, nove anos depois, publicações nas redes sociais dão conta de uma alegada vingança que o cantor teria preparado antes de morrer e que teria sido servida, bem gelada, no julgamento em curso do rapper Sean Diddy Combs (que, coincidentemente ou não, também já respondeu por outros dois nomes artísticos, primeiro Puff Daddy, a seguir P. Diddy).
De acordo com essas partilhas, durante uma das sessões do julgamento de Sean Diddy Combs, a decorrer desde 12 de maio no tribunal de Manhattan, Nova Iorque, teriam sido ouvidas gravações feitas por Prince. Nesses áudios, o cantor denunciaria de alguma forma o rapper, que é efusivamente elogiado pelos autores das publicações: “O que fizeste deixando aquelas gravações foi algo magnânimo (…), fizeste um favor aos Estados Unidos da América e ao mundo”.
Depois de ouvir as gravações, Sean Diddy Combs, que está acusado de crimes de conspiração para extorsão, tráfico sexual e transporte de pessoas para se envolverem em prostituição, teria reagido de forma intempestiva, chegando mesmo a “perder o controlo”, descrevem algumas publicações.
Outras, a acompanhar as mensagens elogiosas dirigidas a Prince, têm links para um vídeo partilhado no canal de YouTube “Sentença Final” no passado dia 19 de maio, uma semana depois do arranque do julgamento. Na legenda pode ler-se o seguinte: “No instante em que a voz de Prince ecoou pela sala do tribunal, algo mudou. O semblante impassível de Diddy — cuidadosamente esculpido para parecer inabalável — rachou. Foi como se o próprio tempo tivesse parado quando aquele áudio começou a tocar. Uma gravação feita pouco antes da morte de um dos maiores nomes da música mundial.”
Detalhe: ainda na legenda do vídeo, que tem cerca de 25 minutos e em que é descrita a forma como o rapper teria reagido às palavras de Prince, há outra informação relevante — que, ainda assim, não parece ter sido levada em conta pelos autores das publicações. “Aviso: este conteúdo é fictício e apenas para fins de entretenimento. Nenhum depoimento oficial em tribunal ou documentação legal confirma esses eventos.”
Como se não bastasse, nos sites dos principais jornais norte-americanos, que têm acompanhado ao minuto o julgamento de Sean Diddy Combs, também não há qualquer referência às pretensas gravações deixadas por Prince.
O que não significa que o nome do autor de “Purple Rain” não tenha sido proferido ao longo do julgamento: no passado dia 14 de maio, pode ler-se no New York Times, a cantora Cassie Ventura, ex-namorada de Combs, contou que, uma vez, foi com amigos a casa de Prince, que estaria a dar uma grande festa — “uma experiência única na vida” foi a expressão usada pela testemunha em tribunal. A dada altura, quando percebeu que Sean Diddy Combs tinha acabado de chegar, e porque teve medo que ele reagisse mal ao vê-la ali, continuou a contar, largou a correr e chegou mesmo a cair entre alguns arbustos, antes de finalmente se ter conseguido refugiar num hotel.
Conclusão
Não é verdade que tenham sido tocadas, no julgamento do rapper Sean Diddy Combs, gravações áudio deixadas pelo cantor Prince antes de morrer. Não há qualquer registo de que esses registos tenham sido ouvidos em tribunal — nem tão pouco que tais gravações sequer existam. Além disso, o vídeo partilhado nas redes sociais a acompanhar essas alegações é assumidamente “fictício” e feito “apenas para fins de entretenimento”.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:
FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.