No final do mês de janeiro começou a circular num grupo de apoio a profissionais de saúde — que tem uma imagem do Hospital São Francisco Xavier na capa — uma publicação que pedia doações de bens de higiene e roupas para esta unidade de saúde. Era, no fundo, uma lista designada de “necessidades para o serviço de urgência” para aquele dia, 26 de janeiro, que incluía produtos de higiene, roupas, comida, mas também marcadores, canetas e ainda “dois rádios que se liguem à eletricidade”.

É certo que a autora da publicação nunca afirma que a lista partiu do Conselho de Administração do Centro Hospital Lisboa Ocidental, mas na publicação pode ler-se que o São Francisco estava “a precisar” de roupas “para os doentes”, transparecendo assim a ideia de que era o próprio hospital que estava a fazer este apelo e, além disso, estava de facto a precisar destes bens — o que a unidade de saúde desmente por completo. Não só este apelo não foi feito pelo Hospital São Francisco, como aquela unidade hospitalar não estava à data — neste esteve depois disso — a precisar de qualquer um destes produtos. A publicação levou mesmo o Conselho de Administração do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, ao aperceber-se da sua existência no final de janeiro, a fazer um esclarecimento onde explicava que “não fez nenhum pedido de doações” e que a publicação lhes era “alheia”.

Apesar de desmentida, a publicação continua ativa e desde que foi feita já foi vista por mais de 26 mil utilizadores

A resposta a este apelo foi imediata: vários utilizadores foram deixando comentários para saber mais pormenores sobre os bens que eram ali pedidos e também onde os poderiam entregar. A autora da publicação foi respondendo aos mesmos, dando indicações. Por exemplo, dizendo que ela própria faria a recolha desses produtos e que as roupas doadas deveriam ser “normais” e de “adulto”, para “a urgência geral”. “Tudo que já não uses”, explicou numa das respostas.

No esclarecimento prestado pelo hospital, era dito que este pedido se tratava de “uma iniciativa pessoal”, que o Centro Hospitalar reconhece ter sido feito “com boas intenções”, mas que considera não ser “benéfica para a imagem que o hospital e os seus profissionais têm e querem ter: competência e profissionalismo, num ambiente humanizado e dedicado a doentes e familiares, o que não é compatível com este tipo de apelos”.

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Este tipo de pedido, apelando ao que de melhor todas as pessoas têm, pode vir a ser necessário, e se assim fosse, não hesitaríamos em pedi-la, mas não é o caso“, lê-se ainda no esclarecimento.

Fonte do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental explicou ao Observador que, depois deste esclarecimento, foi contactado pelo grupo que criou esta iniciativa, que o “informou sobre os seus propósitos, que pareceram genuínos”. O grupo comprometeu-se, também, a retirar o nome do hospital da publicação.

Só que a publicação continua ativa e, especificamente na parte em que são pedidas roupas, continua a poder ler-se que “o São Francisco está a precisar para os doentes”. Além disso, e como já referimos, a capa do grupo de Facebook tem uma imagem do Hospital São Francisco Xavier.

Conclusão

A lista que circula num grupo de Facebook a pedir produtos de higiene, comida, entre outros, não foi promovida pelo Hospital São Francisco Xavier. O Centro Hospitalar fez um esclarecimento no final de janeiro, depois de se ter deparado com a publicação, onde explicava que “não fez nenhum pedido de doações” e não precisava de nenhum daqueles produtos.

O pedido foi assim iniciativa de um grupo de pessoas, que o Centro Hospitalar reconhece ter sido feito “com boas intenções”, mas que considera não ser “benéfica para a imagem que o hospital e os seus profissionais têm e querem ter”.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota 1: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

Nota 2: O Observador faz parte da Aliança CoronaVirusFacts / DatosCoronaVirus, um grupo que junta mais de 100 fact-checkers que combatem a desinformação relacionada com a pandemia da COVID-19. Leia mais sobre esta aliança aqui.

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