No passado dia 13 de agosto surgiu uma publicação no Facebook com a seguinte citação: “Os cães do João Moura puseram o país em alvoroço. Os idosos de Reguengos morreram desidratados, silêncio total”. Atingiu as 101,4 mil visualizações e as 1,7 mil partilhas. A afirmação, no entanto, não corresponde à realidade.

A publicação foi partilhada 1,7 mil vezes

No post original, não é claro a que “silêncio total” se refere o autor: se ao facto do caso não ter sido noticiado e acompanhado pelos media portugueses, ou se à falta de reações públicas, principalmente nas redes sociais. Sim, é verdade que o caso dos maus tratos a animais por parte do cavaleiro tauromáquico João Moura foi largamente noticiado pela imprensa e pelas televisões e teve forte reação dos utilizadores das redes sociais. Mas não é verdade que o surto de Covid-19 no lar de Reguengos de Monsaraz não tenha tido igualmente forte repercussão: basta pesquisar na internet “lar de Reguengos de Monsaraz”, para perceber que o caso tem sido objecto de notícias quase diárias, com grande repercussão.

O surto de Covid-19 no lar de Reguengos de Monsaraz teve início em meados de junho, causou 18 vítimas mortais e foi um do casos mais acompanhados pelos órgãos de comunicação social nos últimos meses. Jornais – como, por exemplo, o Expresso e o Observador – televisões – como a SIC Notícias e a RTP1 – e rádios – a TSF, por exemplo – têm acompanhado e noticiado o caso desde o início. Este gerou, além disso, grande indignação nas redes sociais, como se pode ver aqui, no Twitter, por exemplo.

Convém também referir que a afirmação “idosos morreram desidratados”, que surge na publicação, não refere quaisquer fontes. O que se lê, por exemplo, no relatório da Comissão de Inquérito da Ordem dos Médicos enviado ao Ministério Público (MP) sobre a situação no lar de Reguengos, é que foram encontrados doentes “acamados, desidratados, desnutridos, alguns com escaras com pensos repassados, alguns só usando uma fralda, completamente desorientados”. Em lado algum é afirmado que os “idosos tenham morrido desidratados”, mas sim, que alguns utentes se encontravam nessa situação.

O MP está ainda a investigar o caso, não podendo concluir-se, para já, se terá ou não havido negligência e se haverá matéria para deduzir acusação. É também sabido que existe um relatório oficial da Segurança Social sobre o caso e que este foi enviado ao MP a 16 de julho. E decorre ainda um outro inquérito, da Inspecção-Geral da Saúde, ordenado pela Ministra da Saúde, de acordo com afirmações do Primeiro-Ministro ao Expresso.

Conclusão

Não é verdade que tenha havido “silêncio total” no caso do surto de Covid-19 no lar de Reguengos de Monsaraz, ou que a causa da morte dos idosos se tenha ficado a dever a desidratação. O assunto tem sido amplamente noticiado e debatido, com grande repercussão, quer nas redes sociais, quer nos órgãos de comunicação social, estando ainda em investigação. A informação é, assim, falsa.

Assim, segundo a classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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