Se parece demasiado, provavelmente é porque é. A imagem da “lua cheia” na Serra da Estrela não é na Serra de Estrela, nem faz parte da fotografia original. A publicação que circula no Facebook indica que a “superlua” se viu com grande nitidez, e na Serra da Estrela o momento foi especialmente fortuito.

Basta uma pesquisa rápida pela imagem no Google para perceber que, afinal, a foto pode ter sido tirada na Noruega. Quando se faz o download da imagem, o resultado da pesquisa aponta imediatamente para as palavras “full moon norway 2020” (lua cheia, Noruega, 2020). Mas, com uma pesquisa mais extensa, também se descobrem publicações em que a localização da fotografia é atribuída a outros países.

A foto original — a da estrada — pode ter sido captada na Noruega e, em muitos sites e em publicações do Facebook, a localização é  atribuída à Atlanterhavsveien norueguesa (a chamada “estrada do Oceano Atlântico”). Mas o mais provável é que, além da lua, também as rochas sejam plantadas na fotografia, uma vez que, pesquisando este local, não há sinal delas.

Quanto à imagem da lua, a foto é real e pode ser consultada no site da NASA. Os créditos são atribuídos a Robin Lee e a fotografia não é de 2020, mas sim de 2016, tratando-se de um fenómeno astronómico chamado eclipse lunar penumbral. A inclinação de imagem é ligeiramente diferente, mas fica claro que são a mesma. De acordo com a NASA, a imagem da lua foi captada em Hong Kong, território chinês.

Em baixo, mostramos-lhe as duas imagens em comparação — a primeira é a que se atribui à vista na Serra da Estrela, a segunda pode ser observada no site oficial da NASA.

         

Mesmo que se tratasse de um momento fortuito em que se ‘apanha’ o satélite precisamente do mesmo ângulo, é preciso lembrar que o detalhe da fotografia sugere que ela foi tirada a partir do espaço e/ou com ferramentas muito sofisticadas para o efeito, e portanto não poderia ser captada a partir de um caminho comum de estrada.

Conclusão

A imagem não é na Serra da Estrela e a fotografia da lua não é de 2020, nem pertence ao resto do registo. A “superlua” é na realidade um eclipse que terá ocorrido em 2016.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

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