Circula nas redes sociais um vídeo que mostra um grupo de pessoas reunidas numa praça em Milão, Itália, supostamente a “invadir” cerimónias natalícias com música árabe e bandeiras. A legenda afirma que se trata de “um grupo de muçulmanos”.
“Em Milão, um grupo de muçulmanos invadiu as cerimónias cristãs de Natal para fazer isto que podem ver. Se não pararmos a islamização da Europa, em breve estaremos todos assim!”, lê-se na descrição do vídeo. O vídeo foi divulgado por vários utilizadores no Facebook, incluindo o candidato presidencial André Ventura, líder do partido Chega.
Uma busca reversa no Google com as imagens do vídeo revela estas imagens circulam desde novembro nas redes sociais, sobretudo em contas que se dedicam a partilhar desinformação. Aliás, o vídeo está a ser disseminado desde novembro, antes mesmo da cerimónia de abertura das festas na Piazza Duomo. Mais: a árvore de Natal instalada na praça em questão foi oficialmente ligada a 6 de dezembro, como reportou a imprensa local. Ora, nas imagens divulgadas, como se verifica abaixo, a árvore já aparece iluminada. Ou seja, o registo não pode ser deste ano.
As imagens são, na verdade, do último dia de 2024, como se atesta na imprensa italiana, que reportou na altura como grupos de pessoas foram vistos a escalar uma das estátuas na Piazza Duomo, em Milão, onde exibiam bandeiras de alguns países (Marrocos, Egipto, Turquia e Palestina), na noite de Ano Novo. Embora houvesse uma feira de Natal realizada no perímetro da catedral Duomo, não há nada que indique que os homens estivessem a protestar contra a “festa cristã” do Natal, como publicações nas redes sociais querem fazer parecer.
Conclusão
É falso que um vídeo mostra um “um grupo de muçulmanos” tivesse “invadido” cerimónias natalícias com música árabe e bandeiras em Milão, Itália. As imagens são de 2024 e referem-se à noite de ano novo, como reportou a imprensa italiana na época.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.