É um caso polémico antigo — de 2013 — que ressurgiu nas redes sociais em várias publicações em várias línguas. Num vídeo, vê-se uma juíza neerlandesa a condenar um “imigrante ilegal” a 120 horas de serviço comunitário após ter “assassinado uma menina” e “como punição”. “O pai enfurecido atira uma cadeira à juíza”, lê-se num post, cujo vídeo mostra efetivamente isso a acontecer.
Esta leitura de sentença aconteceu mesmo nos Países Baixos. O vídeo que foi publicado nas redes sociais é também verdadeiro. De acordo com os órgãos de comunicação sociais neerlandeses, o pai perdeu o controlo após ter ouvido que o homem que matou a filha de dois anos e os seus avós (de 64 e 67 anos) tinha sido apenas condenado a 120 horas de serviço comunitário. “Juízes como esses deveriam perder seus empregos. Absolutamente nojento”, lê-se na mesma publicação das redes sociais.
O caso ocorreu em maio de 2013 na localidade de Meije, a cerca de 40 quilómetros da cidade de Roterdão. Um cidadão polaco atropelou três pessoas por excesso de velocidade após ter perdido o controlo do carro que conduzia. O motivo? Circulava em excesso de velocidade.
Porém, contrariamente ao que alegam as publicações nas redes sociais, não é verdade que o homem fosse um imigrante ilegal — não há nenhuma referência a esse dado nas notícias que foram publicadas sobre o assunto, apesar de ter nacionalidade polaca.
E também não é verdade que o homem tenta assassinado deliberadamente a criança e os avós; no limite, tratou-se de um homicídio por negligência. O cidadão polaco estava em excesso de velocidade, tendo perdido, assim, o controlo do carro numa curva. “Atravessou uma cerca e parou numa ciclovia”, relatou o canal estatal neerlandês NOS, acrescentando que o homem não estava sob efeito de álcool.
Em todo o caso, é verdade que a família ficou devastada após ser conhecida a sentença. Citada pelo l1nieuws, a mãe da criança referiu que as suas vidas ficaram “arruinadas” após a decisão judicial. Mas a família decidiu recorrer. E, na decisão proferida pelo tribunal de recurso, o arguido veio a ser condenado a uma pena de 15 meses de prisão.
Conclusão
A publicação nas redes sociais tem um fundo de verdade: houve uma juíza que efetivamente condenou um imigrante a 120 horas de serviço comunitário por ter sido considerado responsável pela morte de uma menina. No entanto, apresenta factos enganadores e descontextualiza a informação: não há nenhuma prova de que o cidadão polaco estivesse em situação irregular nos Países Baixos e não há qualquer referência ao facto de se ter tratado de um atropelamento feito com intenção. Além disso, não se menciona que o homem foi depois condenado a 15 meses de prisão em sede de recurso.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ENGANADOR
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
PARCIALMENTE FALSO: as alegações dos conteúdos são uma mistura de factos precisos e imprecisos ou a principal alegação é enganadora ou está incompleta.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.