A afirmação que dá razão aos presidentes do Brasil e dos Estados Unidos da América introduz uma notícia cujo título diz que a “OMS alerta sobre máscara ser desnecessária para pessoas saudáveis”. O post, que se tornou viral, é do final de junho (há outros semelhantes a circularem), mas o artigo partilhado tem mais de três meses. Foi escrito a 31 de março, numa fase inicial da pandemia da Covid-19, quando as indicações para este tipo de proteção individual estavam direcionadas para certos grupos, como profissionais de saúde ou grupos de risco. Desde então, a Organização Mundial da Saúde tem vindo a rever as suas posições e o mesmo têm feito as entidades competentes de cada país. É verdade que, inicialmente, só se recomendavam as máscaras em casos específicos mas essa ideia já não é defendida agora.

A 20 de março, na conferência de imprensa diária da Direção Geral da Saúde, Graça Freitas alertou para a “falsa sensação de segurança” que a utilização da máscara podia dar. “A medida essencial não é usar a máscara, é o distanciamento social”, disse a diretora-geral da DGS.

No dia 31 desse mês, o mesmo foi confirmado por Tarik Jasarevic, porta-voz da OMS. “O uso de máscara não garante, por si só, proteção se não for combinado com outras medidas. O problema é que as pessoas que usam máscara podem ter um falso sentimento de segurança e esquecer outros gestos essenciais, como lavar as mãos”, explicou.

OMS alerta novamente para risco de falsa segurança por uso de máscara

“As pessoas com sintomas [da Covid-19] devem usar máscaras para proteger os outros, bem como as pessoas que cuidam de doentes e estão mais expostas ao vírus”, diziam os especialistas nessa altura. Um dos motivos para a utilização não ser recomendada para toda a população era a falta de stock desse material de proteção individual no mercado. “No futuro, havendo para todos, com medidas pedagógicas, esta poderá ser considerada uma medida útil”, admitiu Graça Freitas.

As indicações foram revistas entretanto e a 5 de junho a OMS publicou um novo documento. “Para áreas de transmissão generalizada, com capacidade limitada para implementar medidas de controlo, e especialmente em locais onde o distanciamento físico de pelo menos um metro não é possível – como transportes públicos, lojas ou outros ambientes confinados ou lotados – a OMS aconselha os governos a incentivarem a população em geral a usar máscaras não cirúrgicas de tecido”, pode ler-se no texto.

As diretrizes específicas para Portugal podem ser consultadas  no site do Ministério da Saúde e dizem que a “utilização [da máscara] é obrigatória em espaços públicos fechados, como transportes públicos ou estabelecimentos comerciais”. Esta medida foi decretada pelo Governo e publicada em Diário da República a 1 de maio. A página do SNS24 acrescenta que “a população geral poderá utilizar as máscaras comunitárias e quem pertence ao grupo de risco deverá usar máscaras cirúrgicas”.

Os dados mais recentes, de 15 de julho, indicam que em Portugal há 47426 casos confirmados do novo coronavírus e 1.676 mortes causadas pela pandemia.

Conclusão

Não é verdade que a Organização Mundial da Saúde defenda que as pessoas saudáveis não precisam de usar máscara. Essa ideia foi transmitida no início da pandemia, quando não havia material de proteção individual suficiente para todos e este estava destinado a grupos específicos. Atualmente, a utilização da máscara é aconselhada de forma generalizada. Em Portugal ela é obrigatória em espaços públicos fechados.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota 1: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

Nota 2: O Observador faz parte da Aliança CoronaVirusFacts / DatosCoronaVirus, um grupo que junta mais de 100 fact-checkers que combatem a desinformação relacionada com a pandemia da COVID-19. Leia mais sobre esta aliança aqui.

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