O piloto francês de Fórmula 1 (F1), Romain Grosjean, sofreu um grave acidente no Grande Prémio do Bahrain, do passado dia 29 de novembro, que deixou o mundo em choque. Grosjean encontra-se bem, mas não vai disputar o Grande Prémio de Abu Dhabi.  Mas, mesmo com a comoção geral, as redes sociais trataram de espalhar informações falsas sobre o piloto da Haas. No passado dia 2 de dezembro, surgiu uma publicação que partilhava um documento com uma suposta penalização atribuída a Grosjean, por ter “falhado a recolocação do volante depois de abandonar o automóvel”. A multa atribuída foi de cinco mil euros. No entanto, trata-se de uma manipulação de imagem, já que não se comprovou que o piloto tenha sofrido uma penalização. É, por isso, uma publicação falsa.

Comunicado falso atribuído à FIA.

“É completamente falso. Alguém decidiu brincar com algo muito sério. Usaram um comunicado onde houve uma penalização idêntica e alteraram a data e o piloto.” É assim que João Carlos Costa, comentador  de F1 da Eleven Sports e da Eurosports, comenta a publicação ao Observador. O especialista diz ainda que este documento foi posto a circular, em primeiro lugar, no Reddit e que, apesar de, segundo a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) — que regula este desporto — ter como regra a obrigação de o piloto recolocar o volante, caso tenha de sair do automóvel na pista, neste acidente, isso não se aplica.  Essa obrigatoriedade está disposta no artigo 22.5 do regulamento da FIA. “Não teve qualquer penalização. É uma questão de bom senso. Este é um caso extraordinário”, diz João Carlos Costa, dando a indicação para o site oficial da FIA, na zona dos comunicados das “decisões dos stewarts” (tal como está indicado no documento), para demonstrar que não existe nenhuma prova de que a penalização tenha ocorrido.

“Muito sinceramente, duvido de que seja aplicada uma penalização devido às circunstâncias do acidente e ao estado em que o carro ficou. Naturalmente que, na situação em concreto, o volante estar no lugar não teria qualquer influência na remoção do carro do lugar em que se encontrava”, afirma Pedro Couto, coordenador administrativo da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK), ao Observador. Tal como João Carlos Costa, Pedro Couto também cita o artigo 22.5 e considera que é “razoável que tal exigência fosse possível, devido às próprias condicionantes do acidente”.

De facto, não existe qualquer comunicado que corrobore as informações divulgadas pela publicação inicial. Há, no entanto, um documento muito semelhante — até com o mesmo número, o 33 — mas referente a uma penalização ao piloto Daniil Kvyat, que resultou de um acidente com o piloto Lance Stroll, mas que nada teve a ver com a não recolocação do volante. Ou seja, o documento que se tornou viral nas redes sociais foi manipulado, tal como é visível na imagem, por estarem várias zonas a sombreado e por se verificar uma diferença no tamanho da letra.

Comunicado verdadeiro da FIA.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Depois do acidente de Grosjean, a FIA anunciou que iria lançar uma investigação. O próprio diretor desta organização para as corridas de F1, Michael Masi, admitiu que todas as diligências já tinham sido iniciadas naquele dia e que vão durar entre seis a oito semanas. Essa informação está disponível tanto no site da F1 como no da FIA.

Convém também dizer que, quer no Reddit quer no Facebook, vários utilizadores desmentiram as informações divulgadas.

Conclusão

Não é verdade que o piloto francês, Romain Grosjean, tenha sofrido uma penalização depois do acidente que sofreu no Grande Prémio do Bahrain. Ao consultar o site oficial da Federação Internacional de Automobilismo, onde costumam ser comunicadas este tipo de decisões, não se encontra qualquer informação que comprove o documento partilhado nas redes sociais.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook

IFCN Badge