Às 15h10 de dia 1 de setembro deste ano, uma lancha de patrulhamento costeiro da Guarda Nacional Republicana (GNR), batizada de Bojador, encalhou na praia de Carcavelos. Semanas depois, surgiu nas redes sociais uma publicação que afirmava que a embarcação tinha os “hélices partidos e veios empenados” [sic], o que iria implicar uma “reparação de mais de 500.000 mil euros”. No entanto, embora a embarcação já tenha sido submetida a uma avaliação de possíveis danos, ainda não é possível saber quais os eventuais estragos provocados pelo incidente nem o seu custo de reparação.

A publicação em causa já ultrapassou as 80 partilhas

Questionada pelo Observador, a GNR negou a informação que circula nas redes sociais. E explicou que a lancha de patrulhamento costeiro já “foi submetida a uma avaliação de possíveis danos”, mas essa avaliação ainda está a aguardar os “resultados da perícia da empresa que construiu a embarcação”.

A Lancha de Patrulhamento Costeiro – Bojador foi submetida a uma avaliação de possíveis danos que possam ter ocorrido na sequência do incidente do passado dia 1 de setembro, avaliação essa que aguarda resultados da perícia da empresa que construiu a embarcação, pelo que os valores constantes no post em análise não correspondem à verdade”, lê-se na resposta enviada por escrito ao Observador.

Uma vez que a avaliação depende dos resultados da perícia da empresa que construiu a embarcação, não é possível avançar com eventuais estragos ou valores de reparação, muito menos afirmar com certeza que o Bojador tem os “hélices partidos e veios empenados” [sic], o que iria implicar uma “reparação de mais de 500.000 mil euros”, como se lê nas publicações que circulam no Facebook. A avaliação poderá até vir a concluir mais tarde que a reparação desta lancha é de facto de meio milhão ou mais, mas neste momento esse valor não está apurado.

No entanto, há que ter em conta que logo no dia em que a lancha de patrulhamento costeiro encalhou, foi feita uma inspeção e “não foram identificados danos estruturais na embarcação”, como informava um comunicado da GNR emitido no dia 2 de setembro. Foi precisamente o facto de não haver danos estruturais que permitiu que, “após subida da maré, e ainda antes de se atingir a preia-mar, [fosse] conseguida a estabilização da embarcação, tendo sido possível retirá-la em segurança”. O Bojador acabaria por ser retirado em segurança, cerca de sete horas depois de encalhar.

Além disto, a lancha de patrulhamento costeiro não ficou em terra, como afirma a publicação. Chegou a estar em estaleiro, no Seixal, onde foi submetida à avaliação de possíveis danos, mas “encontra-se atualmente na doca em Lisboa”.

Lancha da GNR que custou mais de 8 milhões foi desencalhada. Não foram identificados “danos estruturais”

Conclusão

Publicação no Facebook afirma que a embarcação que encalhou na Praia de Carcavelos tinha os “hélices partidos e veios empenados” [sic], o que iria implicar uma “reparação de mais de 500.000 mil euros”. No entanto, embora a embarcação já tenha sido submetida a uma avaliação de possíveis danos, ainda não é possível saber quais os eventuais estragos provocados pelo incidente nem o seu custo de reparação, uma vez que esta avaliação depende dos “resultados da perícia da empresa que construiu a embarcação”, que ainda não chegaram.

Assim, não é possível avançar com eventuais estragos ou valores de reparação. No entanto, há que ter em conta que logo no dia em que a lancha de patrulhamento costeiro encalhou, foi feita uma inspeção e não foram identificados danos estruturais na embarcação.

Assim, segundo a classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook. 

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