As publicações nas redes sociais sobre os testes PCR usados para diagnosticar a Covid-19 colocam muitas vezes em causa a eficácia, a veracidade e os efeitos dos mesmos, mas desta vez trata-se da alegada impossibilidade de serem detetadas variantes através deste procedimento. Um pouco por todo o mundo, têm sido divulgados dados da população infetada com cada uma das modificações do vírus e a publicação em causa assegura que “nenhum enfermeiro, técnico ou médico [conhecido do utilizador do Facebook]” enviaram o material genético recolhido no PCR para um laboratório preparado para analisar estas questões, realçando que são “mentira” os dados sobre as variantes.

Perante este cenário, sugere-se que é “impossível verificar quaisquer variantes com este teste”, referindo-se ao PCR, e questionando como existem esses dados, tendo em conta que o técnico que faz a análise teria de “guardar o cotonete, reembalá-lo, lacrá-lo e enviá-lo [para um laboratório específico] para mais testes genéticos”. Mas será mesmo verdade que este processo não é realizado para se detetarem as variantes?

O médico patologista Germano de Sousa confirma que “os testes PCR normais não permitem detetar as variantes da Covid-19, ‘apanham’ as variantes e dão positivo ou negativo sem problema nenhum, mas não sabemos qual é a variável”, mas contraria a restante versão. Então o que se faz para haver dados sobre as variantes do novo coronavírus? “Pegamos nas amostras e enviamo-las, em especial quando são altamente positivas, para o INSA (Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge), que tem a seu cargo o estudo das variantes através de um método de sequenciação do vírus”, esclarece o especialista.

Por outras palavras: o laboratório ao fazer apenas o teste PCR não tem conhecimento de que variante está presente na pessoa, mas envia os dados positivos para o INSA, onde é feita “todos os dias uma diferenciação” e que leva a que sejam detetadas as estirpes presentes em cada caso. Através desses dados, é possível perceber qual a variante predominante nos novos casos de contágios de Covid-19 na população em geral e ter noção da presença de cada estirpe num determinado território.

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Esta versão do especialista deixa claro que, de facto, os testes PCR são fundamentais em todo o processo e apenas não há um resultado imediato sobre a variante que infetou cada pessoa juntamente com o diagnóstico positivo à Covid-19. Contudo, sem este teste, tornar-se-ia impossível serem enviados dados que são mais tarde tratados e que permitem dar a conhecer a presença de cada variante em cada local.

Na última reunião do Infarmed, por exemplo, João Paulo Gomes, investigador do INSA, revelou que a variante Delta já é “completamente dominante” em Portugal: 98,6% das amostras recolhidas e sequenciadas pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) entre 12 e 18 de julho são da variante originalmente identificada na Índia. A variante britânica (Alfa), que era dominante antes do surgimento da Delta, tornou-se residual a partir de junho: se representava 50% dos novos casos no final de maio, agora fica-se pelo 1%.

Além disso, e tendo também em conta uma sugestão feita na publicação em causa, Germano de Sousa esclarece também que “um teste de sangue não permite a deteção das variantes da Covid-19”, sendo necessário manter o processo atual, em que se realiza o teste PCR, os dados são enviados para o laboratório responsável de cada país ou região e, a partir daí, é possível analisar dados.

Conclusão

Os testes PCR não são uma farsa e, neste momento, é através deles que se torna possível detetar qual das variantes infetou alguém com o novo coronavírus. Ao contrário das sugestões feitas na publicação do Facebook, os dados adquiridos neste teste é que permitem — mais tarde e em laboratórios específicos — perceber qual a variante da Covid-19 que está presente no organismo do doente. E, também ao contrário do que está escrito na mesma publicação, os laboratórios enviam os resultados positivos para esses centros especializados, o que permite analisar uma grande amostra da população infetada.

No caso de Portugal, por exemplo, Germano de Sousa explica que se fazem os testes em diversos laboratórios e que os mesmos são enviados para o INSA (Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge) caso o resultado seja positivo. É assim que o organismo público analisa dados de casos de infeções por Covid-19 e tem a possibilidade de revelar informações sobre a presença da variante em determinada parte da população.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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