Na abertura da Convenção do Bloco de Esquerda, que decorre este fim-de-semana em Lisboa, a líder Catarina Martins alertou para os perigos de uma maioria absoluta do Partido Socialista. E para isso lembrou o que o PS apresentava em 2015, nas eleições legislativas. Foi buscar dois documentos-base para o PS de António Costa nessa altura: o cenário macroeconómico, feito por um grupo de 12 economistas coordenados por Mário Centeno e sobre o qual se estruturaria  o programa político do partido, e o próprio programa eleitoral. Documentos pré-“geringonça” que a líder bloquista avalia agora para dizer aos eleitores que “ainda bem que houve força à esquerda para contrariar as medidas do Programa do PS que pretendiam precisamente o contrário” do que foi feito nestes últimos três anos.

O que está em causa?

Em 2015, António Costa reuniu um grupo de economistas composto por Mário Centeno, Vítor Escária, Fernando Rocha Andrade, Francisco Guedes de Oliveira, João Leão, Manuel Caldeira Cabral, Paulo Trigo Pereira, João Galamba, José António Vieira da Silva, Elisa Ferreira e Sérgio Ávila. A tarefa que lhes entregou foi traçar um cenário macroeconómico que servisse de base à elaboração do programa eleitoral do partido. E assim foi, embora o primeiro programa, apresentado em abril desse ano, tivesse sido reajustado meses depois, sendo substituído pelo Estudo Sobre O Impacto Financeiro Do Programa Eleitoral do PS, que acompanhava o programa político.

Assim, o Programa eleitoral com que o PS concorreu às legislativas, bebeu do cenário macroeconómico, ainda que durante o processo tenham existido críticas até no PS, como aconteceu, por exemplo, em relação à TSU dos patrões — mas já lá chegaremos. Catarina Martins, no discurso da Convenção, disse que em 2015 António Costa concorreu a eleições com um programa e um cenário macroeconómico que definiam a “liberalização dos despedimentos”, a limitação do salário mínimo aos acordos com os patrões, a redução da Taxa Social Única paga pelos empregadores e ainda o “congelamento das pensões”. Disse também que era isto que tinha acontecido se o PS tivesse tido maioria absoluta, não precisando de acordos à esquerda para governar. “Alguém acredita que a austeridade prevista no programa do PS não teria sido aplicada se o PS tivesse maioria?”, concluiu.

Este artigo é exclusivo para os nossos assinantes: assine agora e beneficie de leitura ilimitada e outras vantagens. Caso já seja assinante inicie aqui a sua sessão. Se pensa que esta mensagem está em erro, contacte o nosso apoio a cliente.

IFCN Badge