Há três formas diferentes para demonstrar a aliança entre os grupos da Flotilha e o Hamas. A primeira é muito simples. Há uma guerra em Gaza entre o Hamas e Israel, quem é que a Flotilha apoia? Não é seguramente Israel. Alguns podem não gostar muito do Hamas, mas nesta guerra estão do mesmo lado. Os elementos da Flotilha odeiam muito mais Israel do que o Hamas.

Em segundo lugar, a aliança também é visível nas declarações dos elementos da Flotilha. Afirmam que estão empenhados numa missão humanitária, mas nunca tiveram uma palavra de solidariedade ou de apoio aos reféns israelitas que estão há dois anos presos em Gaza pelo Hamas. O apelo à libertação dos reféns não seria um acto humanitário? Seria. Mas da Flotilha, nada se ouviu. A Flotilha ignorou completamente os reféns israelitas.

É interessante relembrar quem são os reféns. Não são soldados, não são representantes do Estado israelita, nem do Likud. São cidadãos comuns israelitas, muitos jovens e outros reformados. Quando foram raptados, muitos dos jovens assistiam a um festival de música. O tipo de festivais que muitos dos jovens da Flotilha também assistem.  Muitos dos reformados estavam nas suas casas em Kibhutzs, sossegados e a disfrutar das suas reformas. De um momento para o outro, os militantes do Hamas acabaram com violência o que jovens e reformados faziam e levaram-nos para os túneis de Gaza onde alguns continuam presos. Os participantes da Flotilha acham que eles não merecem uma única palavra de simpatia.

Espero que quem se juntou à Flotilha regresse rapidamente aos seus países. Também acho que ninguém merece ser preso por integrar uma Flotilha. Mas manda o bom senso e um mínimo de sentido de justiça que os seus participantes não se queixem por terem sido detidos pelos israelitas. Sabiam muito bem que isso iria acontecer. Mas o mais repugnante é que pessoas que nada disseram sobre os reféns inocentes do Hamas, muitos capturados há dois anos, se queixem da detenção israelita de dias. Deixo uma sugestão aos membros da Flotilha. Entrem em contacto com reféns israelitas que estiveram presos em Gaza, conversem com eles e comparem o tratamento que receberam dos israelitas ao tratamento imposto pelo Hamas. Quem se orgulha de ações humanitárias, é o mínimo que pode fazer.

Estes dois primeiros pontos mostram que não seria necessário existir uma ligação formal do Hamas à Flotilha para se falar de uma aliança de facto entre ambos. Mas essa ligação existe. Havia elementos formalmente ligados ao Hamas na Flotilha. Mais, alguns desses elementos ajudaram a organizar a Flotilha.

Muitos participantes da Flotilha também são membros de organizações de extrema-esquerda europeias. Pessoas próximas do ETA, das esquerdas radicais francesa, italiana, britânica e de outros países europeus estiveram na Flotilha. Além disso, conhecemos a história desses movimentos de extrema-esquerda. Sabemos quem eles apoiaram no passado. Quem apoiou a revolução de Lenin e de Trotsky na Rússia, o regime de Mao na China, a tirania comunista na Albânia, a ditadura de Cuba, o regime revolucionário e violento de Chavez, o ETA, as FP25 (no caso do Bloco), não surpreende que também apoie o Hamas. Mais, outra coisa não seria de esperar. As extremas-esquerdas não estão apenas sempre do lado errado da história. Também costumam estar ao lado dos mais violentos, dos mais revolucionários, dos que mais odeiam e dos que mais violam os direitos humanos. Quando partidos como o Bloco de Esquerda evocam os direitos humanos, sabemos que estamos perante, simultaneamente, uma tragédia e uma farsa.