Na minha aldeia que, não sendo muito longe de Lisboa, é já de uma ruralidade quase absoluta, notou-se desde há uns cinco/seis anos, o aparecimento de cada vez mais asiáticos (indianos, paquistaneses, nepaleses…). Nas ruas passaram a pitorescamente passear-se de turbante, normalmente de telemóvel na mão para onde falam incessantemente.

Não existiu no pequeno burgo nenhum “choque cultural”, embora fosse tema de conversa e de algum desassossego. De uma forma geral, não existindo troca de palavra entre eles e os nativos, percebeu-se que alugaram uma casa onde se amontoaram e trabalham principalmente na fábrica de refractários, que é uma das razões de ser da aldeia. Passado um tempo passaram a deter também um cafézeco que se passou a chamar Kebab qualquer coisa que representa, suponho que nunca lá entrei, um ponto de encontro para a pequena comunidade asiática.

A mim isto motivou-me alguma curiosidade embora me satisfizesse que “eu estivesse na minha e eles da deles”.

Ouvindo as notícias foi, para mim, no entanto claro que os Governos do PS (Partido Socialista) abriram a torneira de uma imigração desregrada a que o actual Governo do PSD+CDS (Partido Social Democrata e Centro Democrático Social) tem tentado corrigir, embora com uma dificuldade de comunicação para o exterior das medidas que toma que me custa a perceber, porque de facto muito tem sido feito sem que o comum dos portugueses o perceba.

Em primeiro lugar tentemos ir um pouco ao fundo da questão.

O Governo do PS na sua coligação com o PCP (Partido Comunista Português) e o BE (Bloco de Esquerda), subscreveu, por razões tácticas de gestão do poder, no capítulo da imigração (ou, melhor, entrada de estrangeiros), políticas(?) impulsionadas quase exclusivamente pelo BE.

Na prática esse partido através de apaniguados, “organizações” de nomes vários e idiotas úteis, abriu as portas do País, sem controle, a centenas de milhar de pessoas.

Devemos ter a noção que a pobreza em que vive grande parte do mundo leva a que o conhecimento de que há um lugar onde se vive melhor, e tendo-se pouco ou nada a perder no sítio onde se está (donde se vem), exerce uma atracção enorme a toda uma infinita massa de gente.

Agora esse lugar em que se vive melhor (a Europa) conseguiu-o através de populações culturalmente enraizadas numa maneira de estar que, à falta de melhor termo, é designada por judaico-cristã ou ocidental, e que permitiu, por um trabalho de séculos que não se pode aqui detalhar, conduzir ao bem-estar que não é o dos países de origem dessas massas que agora nos chegam.

Ora o BE que tem um programa de destruição da maneira de estar ocidental, que não esconde e manifesta através de uma linguagem e postura que agora se chama woke, percebeu muito bem que essa destruição nunca se faria através dos nativos de Portugal, naturalmente a ela avessos, mas que seria eventualmente possível procurar patamares de degradação pela introdução de massas ignaras, eventualmente manipuláveis, e – cereja no topo do bolo – vindo estas massas de culturas não ocidentais, a tendência seria para o conflito.

A trapalhada do SEF, que foi gerida com uma inabilidade assombrosa pelo PS, fê-lo criar de forma completamente atabalhoada outro organismo – a AIMA – que chegou ao Governo PSD actual sem planeamento, estratégia ou capacidade de acção. O Governo PSD corajosamente definiu medidas de urgência e levou-as ao terreno. Por sua culpa e maior ainda dos media, que na sua maioria, na prática, segue uma linha pró-BE (não se percebendo porquê) não foram divulgadas devidamente.

Note-se, por exemplo, que, a entrada de pessoas aptas a entrar no mercado de trabalho, se fazia, no tempo PS, por um Regime de Manifestação de Interesse sendo este um mero papel, por vezes submetido em branco, sem um visto consular, um contrato de trabalho, um registo criminal, tudo feito pela internet, sem qualquer segurança de identidade!

Até o mais burro reconhece que isto não é sistema, Santo Deus!

É evidente que foi extinto pelo Governo PSD pouco depois de entrar em funções, que se viu perante a existência 400 mil pessoas num limbo legal. Conseguiu, em tempo recorde, avançar no tratamento de 113 mil processos, rejeitando também cerca de 110 mil pedidos por razões claras de inconsistência nomeadamente antecedentes criminais e identidades duvidosas. Em seis meses conseguiu-se minorar 50% do problema.

Note-se que um sistema laxista (e estou a ser simpático com o termo…) leva a enorme vulnerabilidade dos imigrantes, consequente ciclo de pobreza, exploração e redes de tráfico.

Na procura de percepção de políticas seguidas pelo PSD, solicitei informação e constatei que se tentou promover uma reorganização institucional significativa, que incluiu a reestruturação da AIMA – cuja capacidade de atendimento cresceu de 800 para 6.000 atendimentos diários – a criação da Unidade de Estrangeiros e Fronteiras (UEF) na PSP e a EMAIMA – Estrutura de Missão da AIMA, em setembro de 2024.

O modelo integrado conta, através da EMAIMA com a colaboração com autarquias e sociedade civil – 12 associações com 347 mediadores da sociedade civil na frente do atendimento – 2 centros de atendimento e 21 postos por todo o país, bem como estabelece apoio com uma rede de 400 advogados e solicitadores em back office. Até ao final de novembro registou-se mais de 100.000 atendimentos. A AIMA passou, em meia dúzia de meses, do caos à pedra angular no sistema migratório em Portugal, quintuplicando a sua capacidade de resposta, estado ainda previsto um aumento de 34% de funcionários até ao final de 2025 (+ 138 pessoas), incentivando a sua motivação e produtividade.

Para alem destas medidas imediatas, indicaram-me que estratégicamente se procura diferenciar positivamente os oriundos da CPLP, os estudantes estrangeiros (155.000! segundo me informaram), a colaboração com o sector privado (que é quem, na prática, pode absorver a capacidade de trabalho!) implicando acessóriamente a sua responsabilização efectiva na resolução do problema, e last but not the least, a criação de um Cartão Digital, desenvolvido pela INCM, que permitirá uma rastreabilidade eficaz de quem no País entra. Não se argumente que esta última medida é discriminatória: sem um conhecimento dos dados da equação, não se chega a resultados.

Em jeito de conclusão: Chamei a este artigo “A Guerra dos Mundos” não porque ele se queira referir a um conflito entre emigrantes e nativos. Existe sim uma guerra latente e mais ou menos escondida, como tentei indicar no início deste texto, entre quem defende a maneira de estar e viver ocidental, os seus valores e direitos, e uma quinta coluna que, melifluamente esgrimindo pedaços da nossa cultura, não pretende mais que destruí-la utilizando para o efeito toda a carne para canhão que conseguir angariar, ignorando danos colaterais e efectivos.

É nosso dever perceber de que lado, nesta guerra, estamos.