Rádio Observador

Transgénero

A liberdade é a nossa arma

Autor
  • Rita Fontoura
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Se educarmos os nossos filhos para a liberdade, aí sim estamos a prepará-los para não caírem facilmente nas esparrelas desta ideologia de género que mais não faz do que propor viver na mentira.

Quando eu era criança queria ser rapaz. Imaginava que seria mais livre se fosse rapaz e que faria brincadeiras mais giras que não incluíssem bonecas. Também gostava de ser golfinho. O mar sempre me apaixonou e os golfinhos davam-me uma sensação de alegria e liberdade que eu invejava. E queria mais, tendo que ser quem sou, queria ser astronauta. Mais uma vez a liberdade representava um papel importante no meu pensamento. Ser astronauta era poder ir onde não é possível ir. Era estar um passo à frente, não para ser melhor que os outros, mas para ir mais longe. E depois fui crescendo. Ser golfinho e ser rapaz ficou rapidamente fora de hipótese, já que tinha nascido humana e rapariga. Também não fui astronauta. Os livros do Tintim Rumo à Lua e Explorando a Lua eram os meus preferidos mas ser astronauta implicava muito mais do que ser um personagem dos livros do Tintim. Percebi que não era tão apaixonada por física e astronomia para dedicar a vida a esses estudos. Também me imaginava mãe de família o que requeria uma profissão que se exercesse no nosso planeta e com tempo para a família.

Os meus sonhos de criança não se perderam, porque todos tinham um traço comum: a liberdade. Foi isso que fui descobrindo com a ajuda dos meus pais. Acho que nunca souberam destas minhas fantasias, nem tinham que saber. Souberam sim ensinar-me a pensar em liberdade, a não me deixar levar por argumentos fáceis, a ir à procura da razão de ser das coisas e da verdade. Ensinaram-me que tudo se faz por amor, que a vida é uma entrega permanente, que por vezes não entendemos a nossa circunstância mas que o segredo é saber viver com ela, porque é a partir da nossa realidade que construímos o nosso futuro.

E se eu pertencesse à geração de adolescentes de agora e não tivesse os pais que tive?

Será que se fizesse uma birra sobre a minha vontade de ser rapaz, daquelas que deixam os pais doidos, que os fazem desesperar e por fim desistir, poderia vir a ser rapaz?

E porque razão, se eu dissesse que me sentia rapaz, podia passar a “ser” oficialmente um rapaz, e tal já não era possível para ser golfinho ou astronauta?

Segundo percebo os defensores da ideologia de género pretendem impor que a nossa percepção de nós mesmos vale mais do que a realidade. Tanto é assim que nem é preciso um médico para avaliar se os casos de adolescentes que querem mudar de sexo, no papel, têm a ver com algum distúrbio conhecido como disforia de género que possa ser tratado ou se nem disso se trata. Mas por enquanto só é válido negar a realidade se se tratar do sexo. Portanto ainda não somos “livres” para escolher a nossa natureza nem a nossa percepção de profissão.

Volto ao tema da educação que recebi e da minha ambição de liberdade. Ser livre não é inventar uma realidade que não existe. Isso é ser caprichoso. Ser livre não é fugir à realidade que não queremos enfrentar, isso é cobardia. Ser livre não é usar a lei para mentir sobre mim, isso é falsidade. Ser livre não é viver à custa dos pais sem lhes dever respeito e obediência, isso é abuso e prepotência dos filhos ainda que consentida pela lei.

Já muito se disse sobre a ideologia de género que nos tem vindo a ser crescentemente imposta sob o argumento da liberdade. Deixo para os juristas e para os médicos as explicações, que darão muito melhor do que eu, sobre os perigos das questões relacionadas com a vontade velada de baralhar os nossos jovens no que respeita ao seu sexo.

O tema que levanto e que proponho que seja matéria de reflexão para os pais é o da liberdade. Se educarmos os nossos filhos para a liberdade, aí sim estamos a prepará-los para não caírem facilmente nas esparrelas desta ideologia que mais não faz do que propor viver na mentira.

Entendo liberdade, não como uma “licença para a asneira” mas como uma forma de relacionamento na família, e mais tarde na sociedade, assente na confiança, no discernimento e no conhecimento. Somos livres para fazer o bem. O mal amarra-nos e, mais tarde ou mais cedo, retira-nos a liberdade porque ficamos reféns do mal que fizemos.

Quem, como eu, discorda da ideologia de género, lute pela liberdade. Será pela verdade e pela liberdade que a derrotaremos.

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