Rádio Observador

Ministério da Educação

Um novo ano escolar

Autor
  • Rita Fontoura
590

Defendemos que a educação deve ser livre e que a ideologia, seja ela qual for, deve estar ausente na trajectória de formação das crianças e jovens como aliás está estabelecido na Constituição.

Estamos quase no início de mais um ano escolar. Se tudo for como de costume, seremos invadidos de reportagens sobre os custos das mochilas e dos lápis e sobre a polémica dos manuais escolares, por acaso só gratuitos para o ensino público. Mas nós pais e avós temos este ano outras preocupações muito maiores: Não aceitamos que a escola seja veículo de ideologias, sejam elas quais forem.

Faço parte do grupo de mais de 34.000 pessoas que assinaram a petição “Pela suspensão do Despacho nº7247/2019” e de um grupo muitíssimo maior de pais e avós que estão revoltados, perplexos e profundamente empenhados em corrigir esta situação.

Somos pais que pagamos impostos, criamos filhos que serão os adultos de manhã. Não somos nenhuma associação estéril preocupada com a imposição de ideologias sejam elas quais forem. Somos responsáveis por transportar os nossos filhos à escola quer chova ou faça sol e este nosso dever é cumprido ainda que doentes ou injustiçados. Não transportamos matérias perigosas, transportamos “matéria sagrada”.

Somos responsáveis por criar, alimentar, formar e dar amor a todos os filhos sem olhar ao seu sexo, condição de saúde, nem à sua gratidão porque o fazemos com total generosidade. Não somos instrumento de qualquer partido político nem representantes de facções da sociedade. Sem nós não haveria amanhã e connosco toda a sociedade conta para que haja futuro.

Se fossemos um sindicato, uma associação alinhada com o poder ou um partido político, seriamos notícia de abertura de todos os telejornais, rádios e primeira página da imprensa escrita. O que aconteceu foi apenas na SIC Notícias uma pequena troca de impressões em que um dos entrevistados interrompia a toda a hora o jurista que defendia a suspensão do despacho e os jornalistas não conseguiram que o debate fosse esclarecedor. Depois transformou-se o tema em mais um argumento político sobre o qual se diz o assessório porque ninguém quer assumir a gravidade da situação. A esquerda finge que não se trata da introdução da ideologia de género nas escolas e a direita receia assumir uma posição que possa parecer retrógrada.

Lembro que somos mais de 34.0000 e estamos a crescer.

Apelo a todos os agentes da comunicação social que ajam com decência. Somos um movimento espontâneo que luta pelo direito a educar os filhos e parece-me que ignorar esta realidade é infame, revela falta de respeito pela sociedade civil, aparenta falta de profissionalismo ou falta de coragem de informar, o que é deplorável em qualquer dos casos.

Posto isto, dirijo-me ao ministro da Educação, certa de que será informado, caso não seja leitor do Observador.

Senhor ministro tendo em conta o enorme número de pais que em plenas férias, se mobilizou para defender o direito a educar os seus filhos como entende, e não como o Ministério da Educação decide, venho propor que nos receba com a maior urgência para lhe transmitirmos as nossas preocupações. Venho também sugerir que este movimento em formação tenha assento, com um papel consultivo, no ministério da educação.

Defendemos que a educação deve ser livre e que a ideologia, seja ela qual for, deve estar ausente na trajectória de formação das crianças e jovens como aliás está estabelecido na Constituição da República Portuguesa. Deste modo preparam-se os jovens para que venham a ser capazes de fazer as suas escolhas ideológicas na fase da vida em que a bagagem de conhecimento e de formação lhes permite discernir em liberdade.

Enquanto o ensino gratuito só puder ser usufruído se os pais aceitarem colocar os seus filhos na escola pública, exigimos que o estado se abstenha, com rigor absoluto, de promover ideologias ou quaisquer outras ideias que apenas respondem à sensibilidade de uma parte da sociedade.

É profundamente injusto que só quem tem poder económico possa usufruir do direito a educar os filhos segundo os valores em que acredita. O Estado tem precisamente a obrigação de promover a igualdade de oportunidades e, em vez de exercer este seu dever, quer impor de forma déspota um modelo educativo que a maioria dos pais não quer para os seus filhos.

Termino dizendo aos pais e avós que não desistam. Estejam atentos e sejam exigentes. Dirijam-se por carta aos conselhos directivos das escolas e ao Ministério da Educação. Organizem-se como associação de pais, lutem pelo direito à liberdade de educação.

Os filhos são nossos não são do Estado!

Não queremos ser todos iguais, pois não?

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