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Eleições

Isto é gente que não sabe onde votar!

Autor
  • Rita Fontoura
208

Não quero ouvir dizer mal dos outros. Estou farta! Quero saber em concreto o que fariam se fossem governo. E não digam balelas, tragam ideias novas e programas verosímeis.

Passou o dia das eleições onde tudo correu bem: estava sol, os locais de voto não tinham filas, não havia arruadas nem outras manifestações (quase todas patéticas) de promoção de cada partido.

Para quase 70% dos portugueses foi dia de eleições, mas não foi dia de ir votar. Talvez se o Presidente da República tivesse prometido selfies à boca da urna a abstenção baixasse. As pessoas gostam da fotografia e da beijoca, mas não ligam ao que lhes dizem: o Sr. Presidente disse e repetiu, os partidos também, mas se calhar… isto é gente que não sabe onde votar!

A avaliar pelos discursos de vitória, o País vai bem e os partidos fazem o que o povo quer. O PCP e o BE promoveram e apoiaram greves, isto é, contestação, porque achavam que havia muita coisa injusta e que tinha que mudar, mas no final do dia das eleições estavam felizes com a sua geringonça e prontos para novo acordo. O PS que quer de dividir para reinar já veio dizer que gosta imenso de Animais e Natureza, dando sinal de que está pronto para uma nova geringonça, com o PAN incluído, onde cada parte tenha menos voz.

Já a direita não teve outro remédio senão reconhecer a derrota. Depois da encenação de se juntarem à esquerda na crise dos professores, que correu mal, optaram por não imitar o PCP que desde o 25 de Abril nunca teve uma derrota fosse qual fosse o resultado!

Para Assunção Cristas, nestas eleições o que se passou foi bem entendido pelo CDS. Quererá isto dizer que afinal, para o CDS, isto é gente que sabe votar? Não me parece.

Eu, que não sou de nenhum partido, mas defendo um modelo de direita democrática, parece-me que o que aconteceu é que quase 70% dos portugueses são GENTE QUE NÃO SABE ONDE VOTAR!

PS e PSD têm governado o País, ora sozinhos, ora em coligações. E aqui chegados, temos um País apodrecido pela corrupção, enlutado pela negligência dos serviços públicos, desertificado pelo esquecimento do interior que não dá tantos votos para que valha a pena o investimento, desnorteado por falta de valores por que lutar, envelhecido pela ausência de políticas de apoio à família. Ao fim de 40 anos somos gente que não sabe onde votar!

Resta-nos, ou a extrema-esquerda com variantes para agradar à moda do ambiente, aos “direitos” dos animais ou ao lobby lgbt, ou os novos partidos liberais, todos eles com ideias a meu ver extremadas quanto ao modelo de sociedade que propõem, ou a direita democrática. Acontece que na estrema esquerda e nos novos partidos liberais existe uma mensagem clara do que pretendem para a Europa e para o País. E está visto que quase 25% dos poucos que sabem onde votar se revêm nesta mensagem.

Já a direita democrática tem tido um desempenho diferente: não diz claramente ao que vem e por isso é fortemente responsável por haver tanta gente quem não sabe onde votar. Eu votei porque acho que pior do que votar no menos mau é não votar, baixar os braços, entregar os pontos. Mas é com tristeza que confesso ter votado sem convicção. Faço parte da gente que não sabe onde votar, só que decidi ainda assim votar.

Desta vez escrevo a pensar nas próximas eleições legislativas, na esperança que os responsáveis dos partidos da direita democrática se definam e digam concretamente o que querem e o que pensam. Não quero ouvir dizer mal dos outros. Estou farta! E além disso o que vai mal sentimos nós na pele todos os dias. Quero saber em concreto o que fariam se fossem governo. E não digam balelas, tragam ideias novas e programas verosímeis. Se são contra a contagem do tempo dos professores digam sem medo e expliquem porquê; se querem outra política para a educação, digam como será e como a implementariam; se acham que há que mudar a lei do trabalho, expliquem porquê; se querem uma modelo eficaz de justiça digam como se faz; se acham que os jovens estão esquecidos digam de que forma e com que políticas os querem ajudar; se a política da saúde não serve, digam em concreto como fariam melhor, se acham que a família é a base da sociedade digam-no com clareza, etc, etc.

Podem ter a certeza que a votação será diferente. Não sei se terão tantos votos como desejam ou ainda mais do que hoje podem ambicionar, mas ao menos nós eleitores seremos gente que sabe onde votar!

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