(Traduzido do inglês por serviços online e membros do Global Shapers Lisbon Hub.)
Na semana passada, o Banco da Inglaterra (BoE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) soaram o alarme sobre uma potencial bolha de inteligência artificial (IA). A mensagem é clara: as ações de tecnologia, especialmente aquelas com forte enfoque na IA, parecem estar significativamente sobrevalorizadas, aumentando os riscos de uma correção significativa do mercado que poderia impactar as economias globais e travar o crescimento económico mundial.
Recentemente, vimos os preços das ações dispararem, impulsionados pelo otimismo quanto ao potencial de aumento de produtividade da IA: a NVIDIA tornou-se uma empresa de US$ 3 bilhões, a OpenAI atingiu uma impressionante avaliação de US$ 500 mil milhões, tornando-se a startup mais valiosa do mundo. No entanto, apesar da sua valorização vertiginosa, a OpenAI ainda não obteve lucro, acumulando cerca de US$ 5 mil milhões em prejuízos no ano passado. Um estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) concluiu que 95% das organizações não estão a obter retorno dos seus investimentos em IA generativa. De facto, estes exemplos de hipercrescimento e retornos ainda não comprovados partilham um fator-chave: o otimismo de mercado depende apenas do potencial, que pode ser transformador para a economia global e revolucionar setores, e da promessa de um dia gerar valor.
É fácil traçar paralelismos entre o entusiasmo atual do mercado em torno da IA e a bolha das “ponto com” do final dos anos 90, onde há investimentos massivos baseados num potencial transformador em vez de um lucro real. Na era das “ponto com”, as empresas eram frequentemente avaliadas com base em promessas de crescimento sem receitas sustentáveis e, ainda assim, beneficiavam de fluxos de capital que em muito superavam os retornos reais, um padrão agora ecoado por empreendimentos focados em IA.
Existe também uma concentração comparável de valor de mercado em algumas empresas tecnológicas dominantes. As “7 Magníficas” (Alphabet, Amazon, Meta, Tesla, Apple, Microsoft e Nvidia) agora representam cerca de 40% do índice S&P 500. Esta concentração amplifica os riscos sistémicos caso o sentimento do mercado venha a mudar.
Além disso, é importante observar que essas tecnologias, embora revolucionárias, ainda enfrentam limitações significativas e não comprovaram totalmente a sua eficiência. É comum, que produzam incoerências ou “alucinações”, criando com aparente segurança informações falsas ou sem fundamento. Nem mesmo as empresas estão imunes a isso. A Deloitte, empresa de auditoria e consultoria financeira, divulgou recentemente um relatório que continha diversos erros produzidos com a ajuda da IA. Entre os problemas estavam questões de rastreabilidade, bem como fontes e citações fabricadas. Embora isso tenha sido corrigido posteriormente, prova que estas tecnologias, apesar de amplamente adotadas, ainda têm um longo caminho a percorrer.
Até certo ponto, todas as apostas estão na IA. O seu desenvolvimento e crescente adoção inevitavelmente terão efeitos profundos na nossa economia e sociedade, da mesma forma que a chegada da internet e da comunicação móvel. Mas se ou quando a bolha da IA rebentar e a onda de otimismo estourar, quão fortes serão as repercussões?
O Observador associa-se aos Global ShapersLisbon, comunidade do Fórum Económico Mundial para, semanalmente, discutir um tópico relevante da política nacional visto pelos olhos de um destes jovens líderes da sociedade portuguesa. Ao longo dos próximos meses, irão partilhar com os leitores a visão para o futuro nacional e global, com base na sua experiência pessoal e profissional. O artigo representa, portanto, a opinião pessoal do autor enquadrada nos valores da Comunidade dos Global Shapers, ainda que de forma não vinculativa.