Sou o militante nº 326 do PSD desde 1974. Colaborei na implantação do Partido a nível nacional e na emigração, e fui fundador da Secção de Cascais do Partido.

Exerci desde há 50 anos as mais diversas funções a nível nacional no PSD, desde Secretário-Geral com Francisco Sá Carneiro e outros quatro líderes, Vice-Presidente da Comissão Política Nacional e Líder Parlamentar. Nos órgãos do Estado, para além de Deputado, fui Ministro e Conselheiro de Estado. No Parlamento Europeu fui Deputado e Vice-Presidente da instituição. Em Cascais conquistei a Câmara Municipal ao PS em 2001 e fui reeleito nas duas eleições subsequentes, sempre com maioria absoluta.

Este meu percurso e o facto de me manter ao lado do Governo, não me inibe de assumir nas eleições autárquicas as opções que entendo mais correctas para o Concelho no qual os meus Pais moraram, eu cresci ao lado dos meus 8 irmãos, nasceram e vivem os meus filhos e netos, e aqui resido há oito décadas.

Lamentavelmente são muito acentuadas as discordâncias que me têm afastado da actual gestão da Câmara, sem embargo de reconhecer que em certos pelouros, como na Educação, Cultura, Desporto e Acção Social foram assumidas posições positivas. Porém, tenho profundas reservas em relação a diversos procedimentos que considero inapropriados e profundas discordâncias especialmente quanto ao espaço público, à habitação acessível, ao planeamento do território e à política urbanística.

No caso da habitação pública, há uma manifesta discrepância entre os anúncios amplamente publicitados pelo executivo e a sua fraca concretização no terreno. Cascais desperdiçou a oportunidade soberana de um financiamento europeu sem precedentes neste capítulo. De facto, a construção de novos empreendimentos de habitação acessível em Cascais traduz-se num fiasco, sobretudo em comparação com os nossos vizinhos de Oeiras e Lisboa.

Quanto ao planeamento do território e à política urbanística, considero que o Plano Diretor revisto em 2015 favoreceu a proliferação desmesurada de construções de volumetria exorbitante e de gama muito alta, por vezes com prejuízo do património arquitectónico pré-existente e sem o necessário reforço das infra-estruturas que as suportem.

Infelizmente não encontro na candidatura do PSD/CDS qualquer propósito de mudança nas áreas críticas em causa, o que não surpreende, sabendo-se que o candidato à Câmara é co-responsável pela gestão municipal nos últimos mandatos.

Entretanto, no final do ano passado fui contactado pessoalmente pelo candidato do PSD à Câmara no sentido de obter o meu apoio. Admiti declarar esse apoio mediante as condições que explicitei por escrito em 22 de Janeiro, as quais incidiam essencialmente em garantias de que a política de planeamento e urbanismo seriam rectificadas e o PDM revisto em conformidade. Apesar de não ter merecido qualquer resposta, recebi nova solicitação em 26 de Julho, pelo que renovei por escrito as condições em que poderia satisfazer o apoio solicitado, mas mais uma vez não obtive reacção.

Note-se que não contesto a legitimidade formal do PSD, obtida em sucessivas maiorias absolutas, para implementar a estratégia e as políticas que entendeu apropriadas, mas tenho também inteira legitimidade democrática para as criticar por delas discordar e, consequentemente, procurar soluções políticas compagináveis com o que julgo ser a estratégia mais correcta para o Concelho, tanto mais que não encontro na candidatura do PSD/CDS a mais ténue vontade de mudança.

Assim, decidi manifestar publicamente o meu apoio à candidatura independente de João Maria Jonet, pois considero que pelas suas qualidades pessoais, pela equipa que o acompanha e pelo programa que apresenta, é a opção certa para a Câmara de Cascais.

Em Outubro voto Jonet. Convictamente.

Cascais, 15 Setembro de 2025