A 18 de janeiro de 2026, os portugueses serão mais uma vez chamados às urnas para definir os destinos da Chefia do Estado nos próximos cinco anos. Muitas figuras do nosso panorama político já se apresentaram como candidatas ao mais elevado cargo da Nação. No entanto, quer à esquerda, quer à direita, a escolha do próximo residente em Belém tem sido marcada por divisões internas e uma dispersão que fragiliza a união em torno de um projeto claro.

Mas, afinal, para onde deve de ir Belém? Para onde Portugal também necessita de ir urgentemente: para um rumo claro que permita sair da estagnação económica e social que nos assola.

Somos um país que enfrenta atrasos e dificuldades, governado por uma classe política muitas vezes imatura, incapaz de dialogar e construir consensos. Uma política dominada pela politiquice, com políticos tantas vezes politiqueiros, que se servem do poder em vez de verdadeiramente servirem os cidadãos.

Neste quadro escuro e triste, qual deve ser o papel do Presidente da República? Vivemos há mais de cinquenta anos sob uma democracia liberal consolidada, madura e cívica. Numa democracia assim, o diálogo e a moderação são ferramentas essenciais para o desenvolvimento nacional.

A política de trincheiras, a divisão ortodoxa e absoluta entre direita e esquerda, tem sido um dos maiores cancros da sociedade portuguesa. Os partidos do centro político têm-se revelado incapazes de satisfazer as necessidades do povo e da pátria. Cada um, na sua trincheira, luta violenta e desenfreadamente para se destruirem mutuamente. Mas a lógica da democracia é a da construção, não a da destruição. O centro político constrói; é isso que o diferencia dos extremismos. Enquanto estes se entregam a uma lógica permanente de “bota abaixo”, os partidos tradicionais do centro têm a obrigação de fazer um combate político de “bota acima”. Só assim, num quadro de fragmentação política, será possível iniciar as reformas estruturais necessárias para alavancar Portugal.

Portugal precisa urgentemente de política verdadeiramente estrutural. O país não aguenta mais política de “penso rápido” — isto é, soluções superficiais, usados como curativos momentâneos, que apenas tapam as feridas sem as cicatrizar. Assim como um penso rápido não cura um corte profundo, estas soluções imediatistas não resolvem os problemas profundos que afetam a nossa nação.

A Presidência da República deve assumir o papel de árbitro imparcial, que pensa o país e não as ambições, necessidades ou estratégias dos partidos, que não apenas zela pelo cumprimento da Constituição da República, mas que também incentiva e promove ativamente a moderação, o diálogo aberto e o consenso entre as forças políticas e sociais do país, combatendo a lógica divisiva.

Num contexto de crescente polarização e fragmentação, cabe ao Presidente ser o guardião da estabilidade institucional, o ponto de convergência que supera divisões ideológicas e procura soluções comuns para os grandes desafios e ambições nacionais. Só através desta postura firme, pragmática e equilibrada, que valoriza a escuta e a compreensão mútuas, será possível construir uma base sólida para reformas sérias e para o progresso de Portugal e dos seus cidadãos.

Que os próximos meses sejam verdadeiros Dias de Reflexão para pensar o país e o futuro. Se assim for, há motivos de esperança.