Na política nacional, as teorias de conspiração são muitas. A primeira refere-se, claro, às denúncias anónimas e à legítima denúncia de Ana Gomes sobre Luís Montenegro. Não comento a legitimidade de Ana Gomes como denunciante. Não está tempo para piscinas.
As denúncias anónimas, num país evoluído, não deviam ser consideradas.
Qualquer denúncia com autor, num país evoluído, deveria ser analisada, investigada e nunca, antes de qualquer conclusão, publicitada. Em on ou off, por quem quer que seja.
Quando as denúncias sobre Montenegro surgiram logo se ouviu em alguns locais o saltar das rolhas de champanhe (ou espumante). Surgiram as denúncias anónimas sobre Pedro Nuno Santos e outras rolhas se ouviram (também não sei de champanhe se tratava). O problema é que quem abanou as garrafas não estava na sala quando as rolhas saltaram. Chegou depois para saborear o néctar. Servido em off, por um suposto procurador.
Tenho uma teoria da conspiração sobre quem abanou as garrafas. Já ouvi na AD dizerem que foi o PS, já ouvi no PS dizerem que foi a AD. Já ouvi uma espectacular: teria sido uma técnica de comunicação da campanha do PS, esta colocação da notícia sobre PNS. O objectivo seria vitimizar o líder imputando a um qualquer procurador que fale em off e seja amigo do PSD esta fuga. Uma técnica semelhante à da escolha da candidata que se está a c…. para os ucranianos.
A minha teoria, ao contrário, baseia-se na cronologia dos factos. Começa no conteúdo da moção de censura do Chega, segue nos seus cartazes e termina no discurso do seu líder após as notícias dobre PNS.
A quem aproveita a notícia que fala de uma investigação prévia a Pedro Nuno Santos por causa da aquisição de casas em Lisboa e Montemor?
O Ministério Público pode e deve abrir inquéritos. Mas pode e deve assegurar que não há procuradores ingénuos, que em off podem até parecer em sintonia com aqueles a quem estas notícias aproveitam.
Pedro Nuno Santos pode e deve defender-se. O que lhe fizeram, em tempo de campanha, é inaceitável. O que Pedro Nuno Santos não pode nem deve fazer é defender-se comparando-se com Luís Montenegro. Até porque não teve dó nem piedade em atacar Montenegro quando saiu a notícia sobre o líder do PSD.
Quem está a rir-se é o mesmo do costume. Aquele que diz que “eles andam cá há 50 anos, dêem-me uma oportunidade!”, o líder do Chega, é o único interessado.
E… se alguém fizer uma denúncia anónima sobre estes comentários em off chega a alguma conclusão? Claro que não. Em Portugal aquilo a que chamam sistema de justiça caminha para tempos parecidos com os vividos na inquisição, na segunda grande guerra, na caça aos comunistas nos EUA, entre tantos exemplos.