A figura do Papa tem uma importância fundamental muitas vezes encoberta no mundo atual em que vivemos, pelo menos assim o foi, até à morte de Francisco, que nos veio mostrar, que devíamos ter ouvido mais, ter acompanhado mais, ter aprendido mais, ter agradecido mais, a sua visão e presença no mundo, que se sabe hoje, por sua causa, mais humano, bom, humilde e aberto.

Que saudade universal, e não apenas no seio dos católicos, nos fica, por não podermos ter aproveitado mais de um homem bom, e que teve no mundo um papel muito para além de Papa, Líder da Igreja, Bispo de Roma, Vigário de Cristo.

Francisco foi sobretudo o homem, de Deus e por isso muito humano, que conseguiu elevar o papado à normalidade e vulgaridade do mundo, criando a oportunidade perfeita, por vontade própria, espontaneidade ou milagre, para transformar o fim do mundo, de onde veio, no mundo de todos, tornando-se a tão já conhecida ponte sóbria e firme por onde todos caminhamos.

E é exatamente por isso que devemos ter definitivamente presente, que a figura do Papa pode ser também a figura dos que não têm fé. Isto porque, viveu com todos, genuinamente por todos, de forma transversal, para além de mediatismos, polémicas e divisões, deixando uma marca que ultrapassa o binómio espaço-tempo e se instala em todos os corações por esse mundo fora, mesmo nos mais reticentes.

E, portanto, deve a eleição do novo Papa e o Conclave ser um sinal visível, de que na liberdade conseguida pelo recolhimento e pela fuga ao imediatismo que conduz a nossa vida quotidiana, não se trata de eleger um homem, mas um futuro para a humanidade.

O novo Papa, vai trazer-nos certamente a oportunidade que perdemos no passado: a oportunidade de se fazer ouvir em primeira mão e em tempo real bem como representar a esperança de que a existência de uma tradição desinteressada dos interesses das massas, pode ser no mundo, a conformação do bem, objetivamente falando, que cada “todos” deseja no seu interior.

Existe este desejo transversal à humanidade, inquestionável, que já triunfou e renovar-se-á nos próximos dias: a necessidade de um cuidador do mundo inteiro.

Não será jamais possível, que volte a existir um fim do mundo, apesar do seu aparente caótico estado atual, e com essa segurança devemos encarar o tempo que vivemos com a coragem de quem descobriu e tem um propósito, materializado numa sincera admiração por um elemento congregador e de influência capaz de mudar o mundo.

É esse o papel do Papa e é o que significa esta eleição Papal: pode não ser o homem da fé de todos, mas será certamente o homem em que é possível que acreditem mesmo aqueles que não têm fé.

Que possamos tomar consciência da grandeza do momento que vivemos e que não deve ser menosprezada, porque é uma importante lição, se formos honestos na análise dos factos, de como o mundo se pode tornar misteriosamente local de esperança.

Que pela memória de Francisco, do Extra Homnes ao Habemus Papam, na nossa vida, hoje possamos todos ser irmãos porque temos algo em comum: um Papa.