O futuro reserva-nos novos desafios e, com a naturalidade possível, é útil que nos perguntemos sobre como podemos preparar-nos para o que aí vem. Entre as respostas possíveis, diria que o design thinking é uma delas. Vamos por partes.

O que sabemos sobre o futuro?

Sabemos muito pouco sobre o como e o quando. A imprevisibilidade é enorme.

Sabemos, mais que tudo, que será diferente e que, por isso, as empresas terão mesmo de lidar com circunstâncias distintas. Na verdade, até sabemos pouco sobre o que já terá mudado e as suas implicações, o que cria um nível de ambiguidade brutal.

O que terão de fazer as empresas?

Já sabemos que terão de fazer diferente. Terão de ficar desconfortáveis enquanto estiverem a assumir os mesmos pressupostos (ou os que utilizaram, algures, no passado). Terão de ficar desconfortáveis enquanto não tiverem algum conhecimento sobre as mudanças nos comportamentos, nomeadamente, dos seus clientes.

Podendo não ter ainda novas soluções, as empresas terão de estar a capacitar-se para observar a realidade com outros olhos, nomeadamente, formulando novas perguntas.

O que é o Design Thinking?

É uma metodologia criativa de resolução de problemas complexos, centrada nas pessoas. Nasceu na área da Inovação e tem sido adotada para dar suporte a contextos de transformação nas empresas, nomeadamente, transformação digital.

Como pode o Design Thinking ajudar as empresas (e as pessoas) a desenhar o futuro?

Desde logo, o Design Thinking oferece uma estrutura clara e acessível. E nós precisamos de estrutura para navegar na imprevisibilidade e na ambiguidade.

Depois, é uma estrutura que segue 3 princípios que são fundamentais para o contexto atual:

  1. Não começar pela solução, mas pelo entendimento profundo da realidade e pela definição do problema que vamos resolver (a oportunidade para a empresa acrescentar valor). Note-se que, aos olhos dos clientes, há sempre problemas por resolver. No contexto atual, acresce ainda que as suas necessidades e prioridades estão, de facto, em mutação, e que o desfasamento face à oferta existente será maior. Focar a empresa na resolução dos problemas que importam para os clientes é a opção pela relevância. Desengane-se quem acha que os interesses são conflituantes.
  2. Assumir que as boas soluções, para esses problemas, serão necessariamente criativas. É crítico imaginar soluções diferentes das que conhecemos, para um contexto que assentará em pressupostos diferentes. É importante saber como potenciar a criatividade, em nós e nas nossas equipas, para solucionar problemas cada vez mais complexos.
  3. Prever a possibilidade de falhar, a tempo de corrigir a trajetória. No processo de desenvolvimento de uma nova solução – sobretudo, em contextos voláteis e ambíguos – tomamos tantas micro-decisões, e assumimos tantos pressupostos que, em algum momento, poderemos ter tomado opções erradas. Para mitigar o risco, pedimos feedback honesto a alguns clientes, mesmo sobre versões preliminares da solução. E é impressionante o quanto este processo nos permite não apenas melhorar a sua versão final, como acelerar o processo de desenvolvimento.

No contexto atual, podemos não ter já as novas respostas. Mas, temos de ter novas perguntas. Mais interessante do que “O que virá aí?” é, por exemplo, “Como posso preparar-me para o que aí vem?”.

O Design Thinking ajudará sempre a desenhar o futuro.