Celebra-se hoje o Dia Internacional das Migrações e, numa altura em que em tantos países o tópico da imigração está no centro da discussão política e ideológica, é de louvar que em Portugal não seja esse o caso. Mas não deixa de ser uma boa oportunidade para refletir sobre os desafios daqueles que nos escolheram como sua morada.

Viver noutros lugares está-nos no sangue e são bem mais os emigrantes portugueses a viver fora do que os imigrantes que vivem no nosso país. Este mapa muito interessante da Metrocosm ilustra a proveniência, destino e escala dos fluxos migratórios português e mundiais. Emigramos maioritariamente para países com melhores condições económicas e recebemos imigrantes de países para os quais somos mais atrativos, como é comum quando se fala de migrações.

Este último ano experienciei o que é estar do lado de quem vai e não de quem fica, na Austrália. Fui recebida de braços abertos e, pelo menos, por mais uns anos por cá fico. Enfrentar montanhas de papelada, desvendar as regras dos serviços públicos, descodificar um novo código social entre tantos outros desafios não é fácil e passam-se os meses entre processos e incertezas. No entanto, ser imigrante na Austrália é bem mais fácil do que noutros lados do mundo e não é por acaso.

Construída inicialmente por criminosos e desde então por imigrantes de todo o mundo, em pouco mais de 200 anos a Austrália tornou-se no 3º país com o mais alto índice de desenvolvimento humano e com uma economia que viveu a sua última recessão há mais de um quarto de século. Com uma sociedade multicultural em que um em cada dois australianos nasceu noutro país ou é filho/a de um imigrante, o crescimento da sua capacidade produtiva e procura interna estão intimamente ligadas à sua capacidade de integrar trabalhadores e estudantes provenientes de outros países.

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