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Em Março, perante uma barragem de críticas, António Costa segurou Graça Freitas no cargo de diretora-geral da Saúde com uma sentença definitiva, segundo a qual “não se mudam os generais a meio da batalha”. Na altura, o primeiro-ministro foi incrivelmente eficaz porque esta é uma daquelas frases com uma aparência instantânea de verdade incontestável. Na realidade, é uma proclamação absurda. Eu precisaria de tomar a decisão drástica e dolorosa de ocupar todo o meu sábado com este assunto se quisesse fazer a longa e exaustiva lista dos variadíssimos generais que, ao longo da História, foram substituídos — e bem substituídos — a meio de batalhas. Mas talvez seja suficiente referir o caso mais conhecido. A 11 de abril de 1951, Harry Truman destituiu o general Douglas MacArthur em plena Guerra da Coreia. O general, que desde a II Guerra Mundial acumulava os papéis de lenda e de herói, cometeu o inaceitável erro de se convencer que mandava mais do que o Presidente dos Estados Unidos e, ao fazê-lo, mostrou que não tinha o bom senso necessário para acabar a guerra o mais rapidamente possível. Obviamente, acabou demitido.

Esclarecido o equívoco de que uma batalha é uma garantia de emprego vitalício para os generais envolvidos — usem eles farda ou roupa civil —, torna-se possível olhar para o caso de Graça Freitas sem que a sua permanência no cargo pareça uma pesada inevitabilidade. E isso é especialmente útil esta semana, tendo em conta que a diretora-geral da Saúde cometeu dois erros fatais.

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