Muitas vezes a disputa eleitoral ofusca o que de mais verdadeiro e genuíno há num ato tão nobre como é escolher aqueles que hão de gerir os destinos de uma comunidade nos próximos 4 anos. O Poder Autárquico tange direta e imediatamente com a vida das pessoas.

Assim, quando um facto nos interpela, não podemos calar sob pena de sermos injustos perante a responsabilidade cívica.

Há dias, à porta de uma escola, um grupo de candidatos a autarcas pelo PSD em Mafra distribuía as já célebres canetas e panfletos.

Vendo a sair da escola uma mãe com a sua filha que tinha visivelmente uma incapacidade motora, ofereceu-se-lhe uma caneta. Ao que a mãe retorquiu: “mas eu preciso é de ajuda para a minha filha que necessita de fisioterapia e não tenho. Preciso de me deslocar ao Concelho vizinho duas vezes por semana, o que muito nos penaliza”. A par desta, havia ainda ouras dificuldades naquela família… Aproximou-se o candidato a Presidente da Câmara, que ouviu de novo a mãe, a quem deu o número de telemóvel pessoal e pediu-lhe que não o deixasse esquecer daquele encontro, depois do dia 12 de outubro.

Fiquei a sós com o candidato a Presidente pelo PSD e na minha “fraca fé”, para interromper o silêncio, disse que “talvez na hora do voto esta mãe se lembre desta nossa conversa”. Mas o nosso candidato a Presidente da Câmara de Mafra respondeu-me – “Sabe, não me preocupa o voto desta mãe… o que me preocupa é saber que, se não fizesse campanha, nunca tinha conhecido este drama, esta dor, esta dificuldade.”

Ficámos os dois em silêncio. Para mim, foi como se visse o “dedo de S. Tomé tocar a chaga de Cristo”.

Estou convicta de que muitos outros homens e mulheres bons, tal como o candidato do PSD a Mafra estão neste momento carregados com o peso das “meninas cuja mãe faz tudo por elas, mas precisam de ajuda” …

O Poder Autárquico é isto. E a campanha eleitoral é útil.

Que vençam os homens e mulheres bons e capazes de servir o povo que lhes é confiado. E que grande responsabilidade para quem vota.