No próximo dia 12 de outubro pelas 21 horas já devemos saber quem ganhou as eleições autárquicas em Barrancos. À data deste artigo não sei quem está em melhores condições para ser o próximo presidente da Câmara Municipal de Barrancos, mas sei quem não gostava que ganhasse as eleições e passo a explicar o porquê. Nas presentes eleições não está em causa o desenvolvimento de Barrancos, porque em 2029 o município estará, lamentavelmente, nas mesmas condições ou até com menos pessoas e mais isolado. O que está em causa nestas eleições são os valores que considero serem necessários para se liderar uma câmara municipal.
Contrariamente ao que é referido no slogan “Trabalho. Honestidade. Competência”. A CDU nem trabalha bem – porque insiste em fórmulas obsoletas e desajustadas às necessidades atuais, o que é representativo pela continuidade de um modelo instaurado oficiosamente desde o final da década de 90 baseado numa lógica de alegadamente limitar ou até impedir investimentos privados por forma a garantir que a falta de opções de trabalho no privado permite influenciar mais facilmente as famílias em prol da continuidade da CDU à frente da autarquia -, nem é honesta – porque promove uma propaganda de “única solução” local, quando sabe perfeitamente que as suas listas são compostas por pessoas que não contribuem minimamente para qualquer discussão séria sobre o futuro de Barrancos – e nem é competente – caso contrário os 41 anos de gestão autárquica local teriam permitido fixar pessoas e empresas, e desenvolver significativamente um concelho situado na fronteira com Espanha.
Mas ainda assim, o que é mais chocante é a forma como os seus seguidores mais fieis juram apoio eterno, como se a sobrevivência política da CDU fosse a causa de uma vida e até mais importante do que a sobrevivência de Barrancos. Os principais apoiantes da CDU não se esforçam minimamente para entender que os problemas se foram adensando nas últimas décadas e que a baixa natalidade, o envelhecimento da população e a falta de investimento privado colocam Barrancos numa trajetória de desertificação irreversível – felizmente existe um número crescente de pessoas que já está consciente da situação limite em Barrancos. Em 2029 o concelho de Barrancos estará nas mesmas condições ou até com menos pessoas e mais isolado, e por esse motivo considero que a principal reflexão até dia 12 de outubro é sobre quem é o/a candidato/a com melhores valores para dignificar o cargo de presidente de câmara e para mim a resposta é evidente.
Contudo, acima das opções políticas, se a população quer que Barrancos se desenvolva, então não pode continuar a aceitar falta de profissionalismo e de competência na gestão autárquica. A população deve ser muito mais exigente – tanto no período eleitoral como durante o mandato – e envolver-se diretamente na resposta aos desafios que colocam em causa a sobrevivência do nosso concelho e das nossas tradições. As soluções atuais já não conseguem resolver os problemas e por isso é necessário um pacto entre a maioria da população para colocar Barrancos acima dos interesses partidários e afastar as figuras locais – de todos os quadrantes políticos – que ao longo de vários anos provaram que nem fazem nem deixam fazer e que apenas contribuem para a degradação da situação de Barrancos. A população deve exigir uma gestão autárquica bastante mais profissional, competente e consequente, tanto da parte de quem lidera a autarquia como de quem é responsável pela oposição. Em 2029 vamos ver o “Estado de Barrancos”.