Perdeu, e não foi pouco. Eram cinco e, agora, um. A bancada parlamentar ruiu. Do coma induzido bloquista, resta Mariana Mortágua. O eleitorado fartou-se do discurso extremista que repete e repete ideias alucinadas com um pau nas palavras para destruir o capitalismo e que defende, com a dentadura toda, o Estado como dono exclusivo. Para a pá derradeira, o Bloco tem-se juntado, e com gosto, ao palavreado de ódio contra Israel, herdado da extrema-direita assassina hitleriana. São de esquerda, da extrema, e falam como ditadores sanguinários e fascistas.
As eleições legislativas deram ao Bloco de Esquerda uma sova épica. Essa é que é. De nada lhe serviu tirar da chaise longue o trio Francisco Louçã, Fernando Rosas e Luís Fazenda. Ainda assim, com os míseros 126 mil votos que lhes ofertou o pior resultado da história partidária, Mariana Mortágua recandidata-se à liderança na Convenção Nacional de Novembro. Convicta Mariana, até ao tutano, que o partido está no caminho certo. Não está, diz a oposição interna que acusa a actual direção de adiar a análise aos resultados eleitorais e de optar por entrar em modo de sobrevivência. É preciso nascer com dois cérebros para entender o comportamento de Mortágua: assumiu grande derrota e não se demite da coordenação do Bloco de Esquerda. É tudo feito em liberdade, muito lindo e bonito, como as pirâmides do Egipto, mas a Marchinha do Carnaval — Daqui não Saio, Daqui Ninguém me Tira — passou a hino.
Na verdade e com franqueza é um grandíssimo favor que faz à democracia. Se ganhar, lá no congresso, nas próximas eleições o Bloco tem probabilidades, muitas, de não entrar na porta da Assembleia da República. Nas Autárquicas veremos, sem lupa, o que acontecerá. Se optar pelo anterior caminho, o Bloco vai arrepiar-se.
Durante a campanha eleitoral, enrolou os ombros de Keffiyeh, contudo o tecido não lhe deu votos, pelo contrário tirou. Não deixa de ser peculiar, contraditório, que Mariana Mortágua se pavoneie de lenço palestiniano nos ombros. Ser gay em Gaza é sinónimo directo de tortura e execução. A pena de morte é praticada pelo Hamas desde que assaltou o poder em 2007, a punição é dada por ofensas como crimes contra a lei islâmica (incluindo actividades homossexuais). Se residisse debaixo do tecto terrorista do Hamas o seu destino teria duas escolhas: continuar no armário ou ser morta. Para viver em pleno direito deveria atravessar a fronteira, tal como homossexuais palestinianos, que à procura de segurança fogem para o único refúgio LGBT da zona: Israel, onde as relações de pessoas do mesmo sexo são legais desde o ano de 1988. Defender o Hamas é cremar os próprios valores.