Esta madrugada, com uma mensagem no X (ex-Twitter), o Vice-Presidente americano J. D. Vance confirma o que já se esperava: uma operação militar dos EUA formalizou a anexação dos Açores, onde uma força multidisciplinar irá assegurar o funcionamento do que se designou de Gate of America, um dispositivo de controlo de todo o tráfego aéreo e marítimo que se dirija para a costa Leste dos EUA. A partir de agora, só aviões e navios detentores de uma autorização emitida pelas autoridades americanas poderão ultrapassar o meridiano de Angra do Heroísmo, entretanto rebaptizada como Bay of 6th January Heroes. O Governo Português não foi sequer consultado e o comando militar americano, entretanto instalado, já emitiu uma série de mensagens nas plataformas sociais, indicando qual o comportamento esperado por parte da população e das autoridades locais.
Este acontecimento dramático para Portugal é o culminar de umas semanas caóticas na Europa, na sequência da rendição do Governo de Kiev às forças de ocupação russas. Enquanto decorrem na Ucrânia fuzilamentos em massa de oficiais e responsáveis políticos pela resistência à invasão russa, uma série inconclusiva de reuniões do Conselho da União Europeia, em Bruxelas, não permitiu aos Governos dos países membros da União Europeia encontrar uma resposta comum à nova situação político-militar. Enquanto a Polónia procura, desesperadamente, obter promessas de apoio por parte das potências europeias, apelando à não repetição da traição de 1939, muitos políticos dos países do Sul afirmam que não se sentem ameaçados por uma imaginária invasão russa e na Alemanha ganha terreno a convicção de que a normalização das relações comerciais com a Rússia é a solução adequada para acabar com a crise económica. Em França, após a demissão de Macron, o novo Governo da União Nacional acaba de convidar Putin para um desfile nos Campos Elíseos.
No caso de Lisboa, tem sido frenética a actividade à volta de certas Embaixadas. O PCP e o Chega têm-se desdobrado em manifestações de simpatia e apelos de solidariedade quer para com a Federação Russa, quer para com os Estados Unidos. Entretanto, o Embaixador Chinês em Portugal acaba de inaugurar, com grande solenidade, a representação comercial da China na Europa, que vai funcionar no edifício que era a sede da EDP junto ao Cais do Sodré. Está também prevista a deslocação de um alto dignatário chinês para inaugurar, em Lisboa, a representação do Banco Central da China na Europa, assim que estiver formalizada a transformação do que era o Banco Millenniumbcp. Em ambos os casos, Portugal ganha notoriedade no contexto europeu, já que estas duas instituições irão estender a sua influência a todo o Continente e são mesmo vistas como uma celebração dos 500 anos da malograda Embaixada Portuguesa que Tomé Pires levou ao Império da China.
Em Bruxelas, a paralisia das Instituições europeias é evidente e a sua próxima desagregação já não oferece dúvidas. A manifesta oposição da administração Trump e de Putin à existência de uma Europa Unida, encontrou um apoio decisivo nas forças nacionalistas de extrema-direita, que sonham assim reconquistar, para os seus velhos países, a independência e o poder que supostamente teriam nos tempos medievais. Na realidade, a Europa arrisca-se a voltar a ser um mundo autofágico, com economias divididas e governada por burocracias que se reconhecem pela animosidade que sentem pelos vizinhos, mas, ao contrário dos tempos idos, vivendo agora sob tutela partilhada da Rússia, da China e do que restar dos Estados Unidos depois do caos infligido por Trump. Acresce que o efeito do jogo da cabra-cega que Trump faz com as tarifas aduaneiras afecta gravemente a saúde da economia global, mas muito em particular a da Europa. O próprio Banco Central Europeu não vai conseguir esconder a dificuldade em manter o funcionamento do sistema monetário europeu, confrontado que está com o chamado Acordo de Mar-a-Lago, pelo qual os Estados Unidos pretendem que o mundo lhes conceda o perdão da sua enorme dívida pública.
Sobre a situação dos Açores, não foi ainda possível conhecer qual a posição dos dois principais Partidos Portugueses, já que ambos se encontram a preparar as próximas intervenções televisivas dos seus líderes relativamente ao novo Governo que resultou das recentes eleições legislativas, disputadas sobre questões marginais da nossa vida política, ignorando o cataclismo global em que o mundo está envolvido. Mundo de que Portugal ainda faz parte.