Tenho 60 anos e decidi simular a minha reforma. Rapidamente conclui que tenho que trabalhar até aos 66 anos e quatro meses, para poder usufruir de uma pensão que me permita viver condignamente o resto dos meus dias neste mundo.

Estou certo de que ao chegar à minha idade de aposentadoria já não serei: um ávido consumidor de bens; um contribuinte fiscal significativo; um candidato credível para criar uma start up inovadora ou um criador de novos postos de trabalho.

Serei sim:

1. uma despesa maior para o Serviço Nacional de Saúde (SNS ), pois utilizarei mais o Centro de Saúde e o Hospital;
2. um maior consumidor de medicamentos comparticipados pelo estado.
3. um utente de bilhete da terceira idade que irá aportar menos lucros para os transportes públicos e museus.

Em suma: Um fardo económico para a sociedade!

Do ponto de vista funcional terão os jovens  paciência e tempo para me ensinar novas tecnologias, de forma a poder sobreviver, e de me acompanhar nas consultas médicas e por último em apoiar-me, caso necessite de cuidados paliativos?

Dado que a mentalidade que reina actualmente é a do lucro e do corte nas despesas, porque não aplicar esta medida aos idosos, encurtando o seu tempo de vida?

Bastará para tal que os media influenciem as gerações mais novas a despedirem-se dos seus velhos quando estes se tornarem um obstáculo na acumulação de riqueza destes jovens. Podem criar-se incentivos fiscais apropriados, perdões de dívidas de créditos, pagamentos integrais de serviços fúnebres e outras medidas criativas…

Claro que todas estas iniciativas podem ser legalmente implementadas e eticamente legitimizadas com a eutanásia, como hoje o aborto é um anti-conceptivo para as jovens.

Assim se poupam milhões de euros e não se aturam os chatos dos velhos…