Tendo familiares e amigos educadores, assim como não quer a coisa, perguntei-lhes o que faziam quando queriam levar as suas turmas, nada pequenas, de criancinhas, desde o ponto A até ao ponto B, e a resposta unânime foi: levamo-las em fila.
Quis saber então porque tinham esse protocolo e, das duas ou três razões primordiais apareceu, logo em primeiro lugar, a palavra ‘Controle’, seguindo-se a palavra ‘Ordem’ e depois a palavra ‘Segurança’. Ao ver tais respostas, e leve-se em linha de conta a ordem das prioridades, solicitei-lhes a definição do conceito ‘Segurança’ e a resposta também parecia ter sido copiada entre eles, pois, todos me disseram sem o tal ‘Controle’ e a ‘Ordem’ associados nem os alunos nem os educadores estariam seguros. Ao verem-me sorrir, perguntei-lhes se a sua formação tinha sido feita em algum Instituto ou Academia Policial. Aí foram eles que sorriram porque de imediato perceberam, dada a actualidade politico/noticiosa, até onde é que eu queria chegar.
A sociedade quase se estilhaçou com a cena da Mouraria. Mas nunca estilhaça quando as pessoas se sujeitam voluntariamente a filas intermináveis, e a uns bons apalpões de revista, antes de poderem entrar em qualquer discoteca, concertos musicais ou estádios de futebol. Nos aeroportos as pessoas são tratadas como se fossem gado, e digo isto de forma literal, uma vez que somos segregados com grades de metal à medida que chega a hora de entrarmos para o avião. E nestes casos onde estão as queixas? É um procedimento de ‘Segurança’, as pessoas seguem por ‘Ordem’ na fila. Só assim é que poderá haver um ‘Controle’ efectivo.
Como quem tem cu tem medo, ninguém se indigna com as sujeições acima descritas; cada um de nós sabe que aqueles procedimentos de ‘Controle’, ‘Ordem’ e ‘Segurança’ são do nosso interesse. Ora bem, esta mesma lógica é aplicada por qualquer Polícia aquando das suas funções, porque a melhor maneira de controlar uma multidão é ter procedimentos que estão há muito protocolados em qualquer democracia liberal como os que referi. As Polícias, se actuassem em função dos resultados visíveis, não faziam nada. As Polícias têm os seus efectivos vindos do todo nacional, vêm de todos nós, não vêm de Marte, o seu objectivo, o seu trabalho, não é a política. É a Segurança.