Afinal, o que é isso de alguém ser importante? No mundo do antigamente, maniqueísta, só se poderia ser uma pessoa importante quem fosse pessoa de bem. Depois, podia pôr-se a questão de se definir o que era isso de uma pessoa ser  pessoa de bem, com valor. O problema é andarmos à procura de rótulos e explicações para o que o colectivo acha.

Não sei se já repararam que poderemos pertencer a um grupo de pessoas que, por ter recebido valores familiares e de grupo, a unidade grupal funciona mais pelo implícito que pelo explícito? Ou seja, parte-se do princípio de que,  para o que cada um no grupo acha, haverá uma correspondência à totalidade dos membros dessa mesma amostra. O pior é, quando se começa a dissecar as ideias e, aí, vemos que se tivéssemos ficado quietos teria sido muito melhor.

A importância de tudo o que nos rodeia é, por isso, muito relativa, e já nada terá a ver com a origem da palavra que, ser importante, era algo que se trazia de fora para dentro para assim se poder aumentar o valor da coisa existente. O que se importava era uma coisa valiosa. Hoje já não é assim, pois a importância das pessoas, lugares, coisas, seja lá qual for, está completamente fora do sentido inicial.

O ser-se importante é, actualmente, um conceito em navegação constante, tal como com os famosos, ninguém sabe onde começa e acaba a sua importância. Não há um comité que classifique o grau de importância das coisas, já não funciona o protocolo, já não há etiqueta, bons modos ou uma norma em qualquer relação. Por isso, volto a perguntar o que é isso de alguém ser, ou não ser importante? Confesso que desconheço padrões que possam ser usados para, infalivelmente, se poder dizer que determinada pessoa é importante. Apesar de tudo, sei que para se ser importante, tem de haver um reconhecimento social, grupal, nacional, tanto faz, mas tem de haver. Depois, não podemos esquecer que as pequenas coisas também são importantes, como, por exemplo, Portugal, que tem na ONU e no Conselho da União Europeia dois protagonistas importantes. Neste domingo um Cardeal português deu nas vistas ao ser escolhido pelo Papa para as Celebrações em Roma. Será o futuro Papa? Não sei, somos um pequeno país sem importância e, talvez por isso mesmo, a nossa real importância é não termos importância nenhuma.