Primeiro disseram-nos que a Flotilha tinha sido criada por “razões humanitárias”. Depois, descobriu-se que tinha sido criada por razões humanitárias e para romper o bloqueio naval e o cerco israelita em torno de Gaza. A seguir, disseram-nos que tinha sido criada por razões humanitárias, para romper o bloqueio naval e o cerco israelita e para acabar com o genocídio em Gaza. Então, uma pessoa vai “vasculhar” o site oficial da Global Sumud Flotilla, movida pela curiosidade gerada pelas acrobacias verbais e teatrais dos “flotilheiros” desde o passado Sábado, e descobre que a Flotilha nunca teve uma missão humanitária. Pelo contrário: é uma máquina política e de propaganda que usa suprimentos médicos e alimentares como um cavalo de Tróia.
É o que está escrito, preto no branco, no documento sobre a transparência financeira. Um documento que, evidentemente, a maioria dos veículos de comunicação social não leu, pelo que simplesmente relata as alegações propagandísticas e as manipulações da verdade pela Flotilha, e, em última instância, pelo Hamas, sem levantar a menor dúvida e, portanto, sem verificar. Ou, pior: leu, mas optou por omitir o que lá está escrito.
E o que nele está escrito é que as doações arrecadadas por meio de financiamento colectivo apenas cobrem os “custos operacionais”, que vão desde a compra de barcos até ao treino dos participantes. Não há, nesta categoria de financiamento, qualquer menção explícita à “ajuda humanitária para Gaza”, o que é extraordinário. Porém, é na segunda categoria de financiamento que está a raison d’être da Flotilha. Doações privadas de “apoiadores comprometidos” são usadas para financiar a “infraestrutura do movimento”, que vão desde viagens dos organizadores até “educação política”. O documento conclui que “esses investimentos garantem que a flotilha não seja “um único momento no mar”, mas “um catalisador para mudanças culturais e políticas duradouras”.
O povo palestiniano não recebe nada. O objectivo da Flotilha foi sempre o de fazer activismo de bordo, não só para irritar e deslegitimar Israel perante a opinião pública, mas também para sustentar, com exemplos práticos habilmente construídos, a teoria de um “genocídio” israelita contra uma população indefesa e a cumplicidade de um Ocidente capitalista, imperialista e belicista. E funciona, porque encontra sempre uma imprensa disposta a fazer o papel do coro indignado e um público antagonista disposto a ir às ruas sempre e de qualquer forma para existir.
É disto que trata a Flotilha. Não de Direito Internacional, não de ajuda humanitária, não de solidariedade para com um povo oprimido. É uma farsa colossal, que serve apenas aos interesses daqueles que a promovem. E é irrealista pensar que não é esse o plano desde o início, porque é a própria estrutura do financiamento que o deixa explicito.
Quem apoia financeiramente a Flotilha, não está a contribuir para a compra de alimentos ou medicamentos para as crianças de Gaza, mas para as passagens aéreas dos organizadores, formação de delegações em quase meia centena de países, barcos, combustível e workshop de “educação política”.
A Flotilha também não é séria. Sabe que as chances de chegar a Gaza são próximas de zero. Por isso, parte com a alegria contagiante de quem navega pelos mares com o nobre objectivo de abrir um corredor marítimo, qual mandamento do Evangelho, para o povo palestiniano oprimido e faminto. E sabe ainda que nenhum dos progressistas globais de “do rio ao mar “, será condenado. Caso contrário, não estariam ali. Mesmo assim, fingem duvidar, na esperança de que ocorra algum incidente indefensável que isole, ainda mais, Tel Aviv. E como Israel não cai nas suas armadilhas, o tiro acaba por lhes sair sempre pela culatra e eles parecem idiotas. Idiotas inúteis do Ocidente, que criam problemas para os governos europeus, e idiotas muito úteis do Hamas. Para não falar nos idiotas que acreditam neles e que estão empenhados em chegar a lugares onde nenhum idiota jamais esteve.
Nada como os incidentes mais recentes, incessantemente documentados por vídeos e que se tornam virais na internet, para confirmar que a mãe dos idiotas está sempre grávida, mas, no caso dos “flotilheiros”, ela dá à luz gémeos como se não houvesse amanhã. Vejam o caso do deputado italiano, Dario Carotenuto, que comparou a sua detenção com o ocorrido com o sequestro de reféns israelitas pelo Hamas em 7 de Outubro. Para o alucinado deputado do Movimento Cinco Estrelas não há qualquer diferença entre uma detenção de 48 horas e um massacre terrorista. Vejam também o caso do vídeo, filmado em Israel, que mostra os activistas recém-libertados alegremente a caminhar para o cais, apenas para se encontrarem, pouco depois, como se tivessem sido atropelados por um camião no aeroporto da Turquia. Sensacionalmente ilustrado no vídeo da activista alemã Nesrin Zeaiter, entrevistada deitada numa maca, com uma aparência mais morta do que viva, com um colar cervical, com os olhos esbugalhados, mas impecavelmente maquilhada, que, algumas horas depois, aparece a saltitar cheia de energia, elogiando o Hamas.
E finalmente a farsa mais grotesca: o activista da Flotilha que, no aeroporto de Bilbao, comporta-se como se fosse o Rei Leónidas de regresso das Termópilas, bloqueando as portas de desembarque para tirar fotos com os companheiros, ignorando e empurrando a polícia local, recusando acatar a ordem imposta aos demais passageiros, até que a polícia o imobiliza e uma confusão generalizada começa e com ela uma violenta cena de pancadaria.
E o que faz a Flotilha? Diz que a culpa é de Israel por exportar métodos terroristas. “O ataque aos sobreviventes da flotilha no aeroporto de Bilbao, após os terríveis abusos físicos que sofreram nas mãos das Forças de Defesa de Israel, destaca o modelo de brutalidade exportado por Israel”. Sobreviventes? De quê? Da viagem em modo cruzeiro? Dos horríveis abusos? Quem, os “flotilheiros” especialistas em automutilação patológica e em encenação? Não os judeus massacrados, não a população de Gaza, esmagada e usada pelo Hamas como “escudos humanos”?
Em suma, se um imbecil ministro israelita maltrata os activistas da Flotilha, Israel é o responsável. Obviamente. Mas se é a Espanha, Viena ou Austrália que agride e “brutaliza” os activistas, de quem é a culpa? Novamente, de Israel. Depois ficam muito espantados quando os espancam e arrastam como se fossem sacos de areia, por essa mistura de invenções, vaidade, e esforço constante para, de keffiyeh enrolado ao pescoço, construir uma sólida muralha de ideologia e falsidades sobre Israel e delirar com uma revolução global.