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O episódio é conhecido. A Iniciativa Liberal (IL) pediu a uma “comissão organizadora” do 25 de Abril licença para desfilar na data, junto do corso carnavalesco habitual. A “comissão organizadora” recusou, invocando a Covid, que tem as costas cada vez mais largas à medida que a frente encolhe. A IL não se ficou e promete desfilar sozinha, à frente, atrás ou ao lado do corso. O partido Livre, que resumidamente não existe, cedeu dois lugares à IL para acesso a uma rua pública. Não sei, e não me interessa, se a IL aceitou. Uma pessoa comete o erro de achar que as recorrentes figuras perpetradas pelo prof. Marcelo e pelo dr. Costa, a pretextos diversos, são o expoente do ridículo. Mas, no Portugal actual, o ridículo não poupa ninguém.

A bem dizer, nunca poupou. Ao despachar a relativa imobilidade do Estado Novo, o golpe de Estado de 25 de Abril de 1974 criou uma série de possibilidades distintas, que protagonistas sortidos se esforçaram por aproveitar a gosto. De facto, as portas que Abril abriu foram muitas, e poucas foram civilizadas. Até 25 de Novembro de 1975, a porta principal dava para o vasto e ruidoso salão do totalitarismo de esquerda. Havia quem o preferisse de aroma soviético, quem se encantasse com o chinês, quem ambicionasse o cubano e quem naturalmente sonhasse com o albanês (não me recordo de um partido sobretudo inspirado pela Coreia do Norte, lacuna que decerto desequilibrou os debates intelectuais da época).

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