Se o leitor fosse presidente de um país com 1.7 biliões de dólares anuais de déficit orçamental anual, com uma dívida de 37 biliões (130% do PIB) a aumentar e a custar juros de um bilião de dólares por ano, mais um deficit de trocas comerciais doutro bilião de dólares anuais, seria prudente e inteligente deixar andar e não fazer nada? “Sim!” respondem todos os políticos portugueses e a sua comunicação social. Asseguram-nos em coro e a pés juntos que nos EUA nesse cenário só um “louco de direita radical” rodeado de “estúpidos” é que agiria para cortar nas despesas do estado e reduzir os deficits (orçamental e comercial).

Aparentemente em Portugal os políticos seguem todos os conselhos “à José Sócrates” de que “pagar a dívida é ideia de criança “(ou de louco) até à bancarrota. Não lhe dizem que até na esquerda americana, prémios nobéis como Paul Krugman ou políticos como Nancy Pelosi já propuseram (mas nunca fizeram) tarifas protecionistas tal a enormidade da divida e deficits numa América que consome muito mais do que produz. Os partidos e comentadores portugueses são incapazes de se desligarem do estilo comunicacional truculento com que as medidas são comunicadas para perceberem os números por detrás delas. Nós próprios não concordamos com todas elas (e com ir de um extremo de inação como a anterior administração ao outro de demasiada ação) mas sabemos que desde 1994 (acordo comercial com México e Canada) os EUA perderam de 70 a 90 mil fabricas espalhadas por locais outrora industriais como, por exemplo, Fall River. A maioria dos americanos exigiram nas eleições presidenciais dos EUA que alguma coisa começasse a ser feita e corrigida.

O leitor sabia que precisamente em Fall River (no estado de Massachusetts), uma das cidades mais Portuguesas da América, o candidato do partido republicano, Trump, ganhou as eleições presidenciais? Claro que não. Na comunicação social e partidos portugueses dizem-lhe a toda a hora que quem elegeu e apoia os republicanos são 78 milhões de ignorantes subservientes a ditadores, sem nada a ver com portugueses informados, de bom senso, que valorizem a democracia, liberdade, tecnologia, indústria pujante com empregos bem pagos, segurança na fronteira, paz internacional e gestão eficiente do governo, reduzindo despesas do estado e défices comerciais para baixar impostos. Garantem-lhe que é impossível haver portugueses a apoiar medidas americanas republicanas não socialistas socráticas. Só lhe mostram gente a protestar e gozar contra elas. Passam hordas de comentadores antiamericanos na TV portuguesa que não vivem na América. Censuram luso-americanos que vivam nos EUA.

Serão os luso-americanos que conhecem muito bem quer Portugal quer os EUA, menos informados e menos democráticos que toda a comunicação social lusa e todos os partidos portugueses que andam a pregar e aplicar, respetivamente, tarifas (impostos) altíssimos sobre produtos estrangeiros, mas, hipocritamente, só criticam as tarifas bem menores que os EUA propõem? Ou, pelo contrário, tem uma perspetiva mais ampla e acesso a mais informação no terreno de que quem vive em Portugal só exposto à opinião antiamericana (a única permitida)?

O leitor sabia que em Portugal um Ford Bronco americano, por exemplo, custa 133,092 euros, devido as tarifas (impostos) enormes que Portugal cobra sobre automóveis estrangeiros, mas nos EUA custa apenas 37,000 euros? Claro que não. Os mesmos políticos lusos que se alimentam de impostos predadores e aterradores de centenas de pontos percentuais (dependendo da cilindrada e com dupla taxação através do ISV e do IVA) sobre carros estrangeiros, de repente acordaram todos indignadíssimos contra tarifas muito menores, de 10 a 20% que os EUA propõem impor a carros estrangeiros? Políticos e imprensa lusa toda alinhada garantem-nos que os governantes e conselheiros económicos republicanos americanos do calibre de Kevin Hasset, Howard Lutnick ou Scott Bessent “não sabem fazer contas de matemática” e “são aldrabões” quando nos dizem que os impostos portugueses e europeus sobre produtos estrangeiros, incluindo americanos, são altíssimos. Será que os políticos e jornalistas portugueses é que são sérios e inteligentes porque não chamam “tarifas” aos seus enormíssimos ISV e IVA, como se esses impostos sobre produtos estrangeiros não existissem? Isto apesar dos milhares de euros que extorquem cada vez que um português compra um carro estrangeiro novo?

É nos EUA que tantos compatriotas lusos obtêm sucesso, vacinados contra o socialismo e respetiva conversa portuguesa de sempre que tudo o que não seja o socialismo do costume é “estupidez,” “fascismo,” “ditadura,” “indigno,” “loucura” e “ameaça.” Escaparam (como tantos jovens portugueses continuam a sonhar em escapar) ao miserabilismo uniforme socialista português de tantas décadas dos políticos e comentadores que puseram Portugal em último da Europa, autoconvencidos que são os melhores do mundo e que tem muitas lições a dar aos EUA.

As empresas mais bem-sucedidas do mundo estão nos EUA e quem dera a todos os milhares de jovens qualificados que tem de emigrar haver em Portugal empresários capitalistas republicanos como os do Texas ou Silicon Valley. Quem lhes dera poder trabalhar na sede de empresas tecnológicas como Tesla, Amazon, Apple, Meta (Facebook), etc. com os bons salários lá auferidos em vez dos 1000 euros no Portugal anti empresários americanos. Para não falar de tantas outras empresas dos EUA, líderes mundiais em todas as áreas, desde biotecnologia à finança, passando pela engenharia aeroespacial e robótica, ou consultadoria e serviços. Agora os americanos querem também recuperar, através da alavancagem de tarifas sobre produtos estrangeiros, as dezenas de milhares de fabricas industriais que perderam em grande parte para a China (tal como Portugal e a europa também perdeu muita indústria), mas apostando na robótica e empregos para engenheiros e trabalhadores bem pagos nos EUA que programem e mantenham tais robots.

O leitor sabia que o CEO da Palantir, uma das companhias americanas de IA mais impressionantes do mundo, Karp, publicou recentemente um livro intitulado “A república tecnológica” onde explica que desde o princípio dos EUA uma classe política tecnológica (desde Benjamin Franklin) ou promotora de tecnologia (por ex. Eisenhower ou Vance) manteve o país na frente da inovação e do mundo? Sabia que Karp afirma também que o público cada vez tem menos paciência para políticos tradicionais inúteis que nem percebem de tecnologia nem de a utilizar para beneficiar os seus cidadãos? Claro que não. A imprensa lusa vende os políticos tradicionais europeus como sendo superiores aos dos EUA. Por exemplo, socialistas poucochinhos como Costa, largamente inúteis para a população. Sabem lá eles o que fazer para impulsionarem empresas e promoverem empregos bem pagos que não para os próprios (a viverem do estado e dos contribuintes).

Será que quem tem uma melhor perspetiva do que se passa atualmente nos EUA são os políticos portugueses (e os seus fãs no jornalismo e comentário português sem contraditório) há décadas pedintes de mão estendida para qualquer coisinha que venha sempre a mais dos contribuintes portugueses (IRS, IVA ISV, IMT, etc), americanos (na defesa/NATO) ou europeus (“já posso ir ao banco” Úrsula?)? Ou a perspetiva mais sensata pertence aos contribuintes luso-americanos que sabem que o dinheiro que os EUA davam a outros países ou gastavam internamente sem controlo não era maná que caia do céu socialista, mas vinha do seu esforço individual numa economia capitalista? Que o seu deficit comercial com o mundo e a divida só a aumentar isso vai por em perigo a sua segurança social e reformas americanas se nada se fizer?

Caro leitor porque é que ninguém em Portugal lhe conta nada disto e a única coisa que o acicatam a fazer é juntar-se ao coro dos que insultam os políticos republicanos de centro e direita? Não deixe que lhe atirem areia para os olhos sobre a muito maior incompetência dos políticos portugueses e maiores perigos da ideologia socialista que nos tem empobrecido.