A inovação é crucial para o sucesso de uma empresa. Ter uma equipa diversificada proporciona às organizações uma melhor compreensão das necessidades dos clientes e é essencial para criar ideias. Partilho alguns exemplos em que a verdadeira diversidade ajuda a impulsionar essa inovação.

O processo criativo é mais forte e produtivo quando várias vozes são ouvidas. Pela minha experiência na Amazon Web Services (AWS) a trabalhar com tecnologia e startups portuguesas, novas ideias surgem ao observar situações já existentes, por diferentes perspetivas. Fazemos isto todos os dias. Por exemplo: todo o trabalho que está a ser feito ao combinar Inteligência Artificial e Moda para permitir aos clientes encontrar e descobrir vestuário adequado ou utilizando o machine learning para que os clientes tenham à sua disposição recomendações personalizadas dos
produtos.

Na AWS, também partilhamos a nossa experiência, serviços de computação em nuvem e recursos de machine learning como serviços totalmente geridos, e colocamo-los à disposição de todos os developers e programadores de dados para acelerar o processo de inovação. Diversidade ‘e’ inovação podem ser termos usados com tanta frequência e de maneira tão vaga que correm o risco de perder o seu sentido, mas para os negócios globais, estes são mais relevantes do que nunca. A inovação é um pré-requisito para o crescimento e a diversidade sempre foi um ingrediente-chave na criação de um local de trabalho onde a inovação possa prosperar.

A inovação pode acontecer em qualquer lugar e, sem uma equipa diversificada, as oportunidades podem ser perdidas. Equipas diversificadas estão melhor preparadas para identificar oportunidades a partir de diferentes fontes e inputs. Mas ter unicamente uma equipa diversificada não é suficiente. É também necessário ter um ambiente inclusivo e a capacidade de receber e agir de acordo com o feedback. A inclusão é importante porque a equipa deve sentir-se à vontade para contribuir com ideias. Além disso, temos de incentivar todos a contribuir para o processo criativo, a fim de agir de forma inovadora. Promover uma cultura diversificada e inclusiva no local de trabalho significa que essas vozes não só têm a confiança para se manifestar, como as suas recomendações são ouvidas e consideradas.

Diversidade nem sempre se refere exclusivamente às diferentes ideias por faixa etária, raça ou sexo. A diversidade de pensamento também pode ser alcançada reunindo, por exemplo, design thinkers e profissionais de analítica, dando a ambos os pontos de vista a confiança necessária para partilhar e criticar ideias de forma construtiva.

De um ponto de vista puramente de negócio, uma equipa diversificada fornece uma vantagem competitiva e as empresas são mais bem-sucedidas quando se comprometem com uma liderança diversificada. Numa economia global em que a concorrência pelos melhores talentos é acérrima, empresas mais diversificadas também são mais capazes de atrair talentos, melhorar a perceção da marca, aumentar a satisfação dos colaboradores e aumentar a tomada de decisões.

Equipas diversificadas e inclusivas têm um impacto positivo nos nossos produtos e serviços e ajudam-nos a dar um melhor serviço aos clientes, parceiros, criadores de conteúdos, colaboradores e stakeholders da comunidade. Estamos constantemente a aprender e a interagir, seja através de programas centrais ou a trabalhar com as nossas equipas locais, regionais e globais como o We Power Tech da Amazon Web Services — que envolve a colaboração com parceiros de todo o mundo — e nos ajudam a formar a futura força de trabalho tecnológica e amplificar as vozes de tecnólogos sub-representados. Atingir a diversidade é um processo de melhoria contínua e não um destino.

Marta Sousa Monteiro é neste momento responsável na Amazon Web Services em Portugal por criar a ponte entre a AWS e os vários Venture Capital, Aceleradoras, Incubadoras e claro, startups em Portugal. Fez parte da equipa inicial da Uniplaces, passando depois também pela Beta-i e pela Startup Portugal, onde sempre assumiu um papel de evangelizadora. No passado a Marta teve também experiências de trabalho internacionais e foi voluntária na Índia através da organização AIESEC, tendo passado também pelo departamento de Community Outreach nas Nações Unidas em Nova Iorque e tendo trabalhado em outros projectos na Bélgica e na Hungria.

O Observador associa-se à comunidade Portuguese Women in Tech para dar voz às mulheres que compõe o ecossistema tecnológico português. O artigo representa a opinião pessoal do autor enquadrada nos valores da comunidade.