Faz hoje, 7 de Outubro, três anos que Israel sofreu o ataque terrorista mais trágico da sua história. Para os israelitas, foi mais dramático do que o 11 de Setembro para os norte-americanos. Em termos relativos, um ataque nos EUA com a mesma dimensão, 1200 mortos em Israel, significaria o assassinato de cerca de 40 mil americanos.

Mas o ataque não foi apenas trágico, foi bárbaro. Os militantes do Hamas mataram sem qualquer critério, apenas pelo prazer de matar israelitas. Assassinaram bebés, crianças e velhos. Violaram mulheres, muitas vezes por vários homens, para depois as matarem. Atacaram um festival de música (Festival Nova), e quem viu as imagens, percebe que poderia ser em Vilar de Mouros (ou até numa festa do Avante), e assassinaram indiscriminadamente centenas de jovens.

Além de trágico e de bárbaro, os ataques de 7 de Outubro revelaram uma cultura de celebração da violência e da morte no Hamas. Há relatos de militantes do Hamas a fazerem videochamadas para as suas famílias a relatarem e a filmarem a chacina. E as famílias dos militantes do Hamas, mães, pais e irmãos, a orgulharem-se dos seus filhos e a pedirem “matem mais, matem o máximo possível.”

Para muitos na Europa que culpam a política de “direita” do governo de Israel, os ataques mostram que para o Hamas não há diferença entre direita e esquerda. Muitos dos participantes no festival de música eram jovens de esquerda, de grupos pró-clima e LGBT (sim, esses movimentos existem em Israel, ao contrário de Gaza). Os militantes do Hamas atacaram kibutzes, maioritariamente socialistas, onde mataram militantes de esquerda que faziam campanhas pela paz entre os palestinianos e os israelitas, que defendiam a solução dos dois Estados. Ainda se admiram por que razão a esquerda está a acabar em Israel?

Muitos que condenaram a resposta militar israelita em Gaza não defendem o Hamas. Mas muitos outros na Europa e nos Estados Unidos estão ao lado do Hamas. Basta assistir às imagens de manifestações em Londres, Paris, Madrid, Nova Iorque, Berlim, com dezenas de bandeiras do Hamas entre os manifestantes. Podemos, e devemos, recordar as flotilhas para Gaza, com o Hamas a fazer parte da organização. Não nos podemos esquecer das alianças que as extremas esquerdas em França, no Reino Unido, nos Estados Unidos, na Alemanha, em Espanha, em Portugal fazem com o Hamas. Ou o modo como as Nações Unidas foram conquistadas pelos aliados do Hamas, aliança que se estendeu ao território de Gaza.

Essas alianças são imperdoáveis. Nenhum excesso do uso da força militar pelas forças israelitas em Gaza justifica o apoio ao Hamas. Aliás, a população de Gaza é a primeira e a maior vítima do Hamas. Aceito que muitos critiquem o comportamento de Israel em Gaza. Também entendo muitas críticas feitas ao governo de Netanyahu, mas a defesa do Hamas é absolutamente inaceitável para quem defende os valores da democracia e princípios de civilização elementares. Só o ódio aos valores ocidentais justifica a aliança com o Hamas. Com a importação das “intifadas urbanas” que juntam grupos radicais islâmicos e a extrema-esquerda, como se assiste em França, mais tarde ou mais cedo os europeus vão perceber que a luta de Israel é a luta da Europa contra os novos movimentos totalitários.

Mas, na Europa, os ataques a Israel foram mais longe e chegaram às forças moderadas. Muitos chamaram aos ataques israelitas em Gaza um “genocídio.” É um erro. Mas, pior, é uma forma de retirar legitimidade ao Estado de Israel, precisamente o que o Hamas pretende. Poderia desenvolver o modo como o Hamas organiza a defesa de Gaza, expondo hospitais, escolas e populações civis aos ataques israelitas, mas esse não é o ponto mais relevante para negar a acusação de genocídio. Embora valha a pena referir uma diferença fundamental. O Hamas nada faz para proteger a população civil de Gaza, pelo contrário, os túneis são apenas para as milícias militares. Os governos de Israel fazem tudo para defender os civis israelitas.

A definição de genocídio significa o uso da força militar de um modo sistemático para acabar com um grupo nacional, étnico ou religioso. Israel nunca fez isso contra os palestinianos. Cerca de 20% da população de Israel é palestiniana. Nenhum foi morto pelas forças de Israel. Pelo contrário, a população palestiniana de Israel tem aumentado. Em 2015, eram cerca de dois milhões. Em 2024, já depois do início da guerra em Gaza, chegaram a mais de dois milhões e meio. A afirmação de que Israel estaria a cometer “genocídio” em Gaza seria mais ou menos o mesmo que a Alemanha de Hitler, enquanto cometia o Holocausto, permitir o crescimento da população judaica na Alemanha. Esta comparação serve para se perceber o absurdo do uso do termo “genocídio.”

Muitos na Europa, sobretudo entre as esquerdas, um dia deveriam perceber as consequências da vulgarização dos termos “fascista” ou “genocídio.” É, simultaneamente, a vulgarização do mal e a incapacidade de ver o mal absoluto. Mais grave, é o fim da credibilidade intelectual e da honestidade moral.